Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2021
- Código
- ce131230
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- PC-SE
- Ano
- 2021
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. O travessão empregado no segundo parágrafo pode ser corretamente substituído por ponto final, com os devidos ajustes de maiúsculas e minúsculas, sem prejuízo da correção gramatical e do sentido do texto. A passagem que decide é:
"sabe-se que a mulher é o principal alvo nessa espécie delitiva — não é à toa que a criminalização da referida conduta era, havia tempos, uma das prioridades da bancada feminina da Câmara dos Deputados."
O travessão, aqui, não introduz uma explicação obrigatória nem uma oração intercalada que exija manutenção do período; ele apenas separa dois enunciados completos e autônomos. A oração após o travessão tem sujeito e predicado próprios ("a criminalização... era... prioridade") e poderia constituir um período independente. Ao substituir o travessão por ponto final, obtém-se:
"sabe-se que a mulher é o principal alvo nessa espécie delitiva. Não é à toa que a criminalização da referida conduta era, havia tempos, uma das prioridades da bancada feminina da Câmara dos Deputados."
A relação semântica entre as duas frases — a segunda justifica a primeira — permanece implícita e recuperável pelo contexto, pois o leitor continua a entender que a prioridade da bancada feminina é a razão pela qual a mulher é o principal alvo. O ponto final não apaga essa relação; apenas a torna menos explícita, o que é permitido. A norma gramatical não exige que a justificativa seja introduzida por travessão, dois-pontos ou conjunção; ela pode vir em período separado, como em qualquer texto bem formado.
A questão pede que se julgue a possibilidade de substituição do travessão por ponto final. Para isso, é preciso verificar se o travessão está isolando uma oração intercalada (caso em que a substituição quebraria a estrutura) ou se está separando dois períodos independentes (caso em que a substituição é válida).
No trecho, o travessão não isola uma oração intercalada — não há uma estrutura do tipo "X — que... — Y", em que a supressão do trecho entre travessões deixaria o período sem sentido. Aqui, o travessão funciona como um separador enfático, equivalente a um ponto final ou a dois-pontos, introduzindo uma observação justificativa que poderia ser um período à parte.
A substituição por ponto final preserva a correção gramatical: ambos os segmentos são orações completas, com sujeito e predicado. E preserva o sentido: a relação de justificativa entre "a mulher é o principal alvo" e "a criminalização era prioridade da bancada feminina" continua clara, pois o leitor infere a causa pelo conteúdo, não pela pontuação.
Para testar se um travessão pode virar ponto final, verifique se o trecho após o travessão é uma oração completa (com sujeito e verbo) e se ele não está intercalado no meio de outra oração. Se sim, a substituição é possível. Se o travessão isolar um aposto ou uma oração intercalada, aí sim a troca por ponto final quebraria a estrutura.
A banca explora a tendência de o candidato achar que todo travessão com valor explicativo é obrigatório. Mas o travessão não é obrigatório para introduzir explicação; o ponto final também cumpre essa função, deixando a relação implícita. A chave é a autonomia sintática do trecho após o travessão.
Conclusão: como o travessão separa dois períodos completos e a substituição por ponto final não altera o sentido nem a correção, a assertiva está ✅ CERTA.
Gabarito: ✅ CERTO.
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