Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsSintaxe
Código
ce131256
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PG-DF
Ano
2021
Nível
Superior

Sidarta Ribeiro. O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho. São

Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 19-20 (com adaptações).

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o item seguinte.O emprego da expressão “Todo mundo” (l.4) é um recurso de indeterminação do sujeito sintático da oração, dado o seu sentido generalizante.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeito indeterminado e a expressão “Todo mundo”

Gabarito: letra E (ERRADO). A expressão “Todo mundo” não é um recurso de indeterminação do sujeito sintático; ela funciona como sujeito simples, com núcleo pronominal indefinido. O texto-base, ao tratar de sujeito indeterminado, afirma que este não apresenta nenhuma unidade linguística para ocupar a casa ou função de sujeito, o que não ocorre com “Todo mundo”, que ocupa claramente essa função.

A questão cobra a distinção entre sujeito indeterminado e sujeito explícito com pronome indefinido. O sujeito indeterminado é aquele que não pode ser identificado nem pela desinência verbal nem pelo contexto; já o sujeito explícito, mesmo com pronome indefinido, é um sujeito determinado, pois há um termo que exerce a função sintática.

No trecho do texto-base, lê-se:

“Não se confundem as construções especiais vistas até agora com aquelas em que o sujeito explícito está representado por um pronome indefinido: Alguém veio à minha procura. Todos são meus desconhecidos. Nem sempre a gente é compreendido.”

Aqui, o autor deixa claro que pronomes indefinidos (como “alguém”, “todos”, “a gente”) formam sujeito explícito, e não sujeito indeterminado. A expressão “Todo mundo” é uma locução pronominal indefinida (equivalente a “todos”), portanto, quando exerce a função de sujeito, é um sujeito simples, com núcleo “mundo” (substantivo) ou “todo” (pronome), conforme a análise.

O texto-base também diferencia:

“Aproximando-se dessas orações de sujeito explícito constituído por pronomes ou outras expressões indefinidas, mas delas sintaticamente diferentes, estão as orações ditas de sujeito indeterminado. Estas não apresentam nenhuma unidade linguística para ocupar a casa ou função de sujeito.”

Ou seja, o sujeito indeterminado não tem um termo que ocupe a função de sujeito; já “Todo mundo” ocupa essa função. Portanto, a afirmação do item está errada.

Sujeito indeterminado
  • 1Estrutura: sem termo na função de sujeito
    • 3ª pessoa do plural sem referente
    • Verbo no infinitivo impessoal
    • Verbo + "se" (índice de indeterminação)
  • 2Sentido: não identificável
  • 3Sujeito explícito com pronome indefinido
    • Estrutura: termo ocupa a função de sujeito
      • "Todo mundo"
      • "Alguém"
      • "Todos"
      • "A gente"
    • Sentido: generalizante (≠ indeterminado)
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ❌ ERRADO

A afirmativa diz que “Todo mundo” é um recurso de indeterminação do sujeito sintático, dado seu sentido generalizante. Isso é falso.

  • Sentido generalizante ≠ indeterminação sintática. O sentido amplo, coletivo, de “Todo mundo” (equivalente a “todos”) não transforma a expressão em sujeito indeterminado. A indeterminação sintática é um fenômeno estrutural: a oração não possui um termo que exerça a função de sujeito. Exemplos clássicos: “Roubaram meu carro” (3ª pessoa do plural sem referente) ou “Precisa-se de empregados” (índice de indeterminação “se”).

  • “Todo mundo” é sujeito explícito. Como locução pronominal indefinida, ela preenche a função de sujeito, como em “Todo mundo gosta de sonhar”. O verbo concorda com ela (3ª pessoa do singular), o que comprova sua função sintática.

  • O texto-base reforça a distinção. Ao citar “Alguém veio”, “Todos são meus desconhecidos”, “a gente é compreendido”, o autor mostra que pronomes indefinidos formam sujeito explícito, não indeterminado.

Portanto, o item está errado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sentido semântico (generalização) e função sintática (indeterminação). O candidato que pensa “generalizante = indeterminado” cai na armadilha. Lembre-se: indeterminação sintática exige ausência de sujeito, não apenas sentido amplo.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre sujeito indeterminado, verifique se há um termo exercendo a função de sujeito. Se houver (mesmo pronome indefinido), é sujeito determinado. Indeterminado só ocorre com verbo em 3ª pessoa do plural sem referente, verbo no infinitivo impessoal ou verbo + “se” (índice de indeterminação).

Gabarito: letra E (ERRADO).

Link permanente: /questoes/ce131256