Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce132126
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- ANM
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Especialista em Recursos Minerais
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: E — ERRADO. A substituição da locução verbal “tenha caçado” pela forma simples “caçava” não prejudica a coerência nem a correção gramatical do texto. A troca apenas altera o valor aspectual/temporal da ação: o pretérito imperfeito do indicativo (caçava) expressa uma ação contínua ou habitual no passado, enquanto o pretérito perfeito composto do subjuntivo (tenha caçado) indica uma ação concluída, vista como hipótese. Como o trecho em que ocorre a substituição é uma negação — “não há nenhuma evidência confiável de que o homem tenha caçado” —, a forma caçava mantém o sentido de que a caça não ocorreu de forma sistemática, sem gerar incoerência ou erro gramatical.
O comando pede que se julgue se a troca prejudicaria a coerência e a correção gramatical. Para responder, é preciso analisar o trecho original e o efeito da substituição:
“Apesar da longa coexistência, não há nenhuma evidência confiável de que o homem tenha caçado os animais gigantes de forma sistemática no território nacional ou mesmo na América do Sul”
A locução “tenha caçado” está no pretérito perfeito composto do subjuntivo, empregada após a conjunção “que”, em uma oração subordinada substantiva. O subjuntivo é o modo da hipótese, da dúvida, da incerteza — exatamente o que o contexto exige, pois se fala da ausência de evidências.
A forma “caçava” está no pretérito imperfeito do indicativo, que expressa ação contínua, habitual ou durativa no passado. No contexto de negação (“não há evidência de que...”), o imperfeito do indicativo também é aceitável e mantém a coerência: a ideia de que a caça não ocorria de forma sistemática continua clara.
Correção gramatical: ambas as formas são verbos legítimos do verbo “caçar”, flexionados corretamente. A substituição não altera a estrutura sintática da oração: “que o homem caçava” continua sendo uma oração subordinada substantiva objetiva direta, com sujeito “o homem” e verbo transitivo direto “caçava”. Não há erro de concordância, regência ou colocação.
Coerência: o sentido global do trecho é preservado. A negação “não há nenhuma evidência confiável de que...” continua válida com o imperfeito: a ausência de provas se refere à ação de caçar, independentemente do aspecto verbal. A mudança de tempo/modo não gera contradição com o restante do parágrafo, que fala da coexistência e da ausência de caça sistemática.
A banca tenta induzir o candidato a achar que a troca de um tempo composto do subjuntivo por um tempo simples do indicativo quebraria a coerência, como se o subjuntivo fosse obrigatório após “não há evidência de que”. Não é. O subjuntivo é o modo mais comum nesse contexto, mas o indicativo também é aceitável, especialmente quando se quer afirmar a não ocorrência de um fato habitual. A troca apenas muda o aspecto verbal, não o sentido essencial.
A banca explora a troca de modo verbal (subjuntivo → indicativo) como se isso, por si só, gerasse incoerência. Mas a coerência não depende do modo, e sim da manutenção da lógica do texto — que se preserva.
Em questões de substituição verbal, verifique sempre: (1) a correção gramatical da nova forma; (2) se o sentido original é mantido ou alterado de forma relevante; (3) se a coerência com o contexto é preservada. Só marque “prejudica” se houver erro gramatical ou mudança de sentido que gere contradição.
Conclusão: a substituição de “tenha caçado” por “caçava” não prejudica a coerência nem a correção gramatical do texto. Portanto, o item está ERRADO.
Gabarito: letra E.
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