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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce132126
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANM
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Especialista em Recursos Minerais
Texto CB1A1-I

   Em 2015, pesquisadores argentinos anunciaram a descoberta dos fósseis da maior criatura da Terra. Eles estimaram que o dinossauro tivesse 40 metros de comprimento e 20 metros de altura (quando esticava o pescoço). Com 77 toneladas, teria sido tão pesado quanto 14 elefantes africanos e teria tido sete toneladas a mais do que o recordista anterior, o argentinossauro, também localizado na Patagônia. Um mês após o anúncio dos argentinos, paleontólogos brasileiros apresentaram um fóssil resgatado em Presidente Prudente (SP), que afirmaram ser do maior dinossauro do país. O Austroposeidon magnificus, como o chamaram, tinha 25 metros de comprimento e viveu há 70 milhões de anos, segundo os estudiosos. E o Planalto Central abrigou gigantes como esses? Embora escavações nunca tenham sido feitas no Distrito Federal e no Entorno até então, especialistas detectaram indícios de esqueletos de animais extintos e de instrumentos usados por homens das cavernas na região. 



   O ser humano não conviveu com os dinossauros em nenhuma parte do mundo. Os dinossauros foram extintos há milhões de anos, antes do surgimento da humanidade. Mas o primeiro registro da presença humana no Planalto Central coincide com a fase de extinção dos primeiros animais que habitaram a região, bichos grandes e ferozes, como o tigre-dentes-de-sabre. Os homens da caverna também tinham a companhia de outros animais enormes, como o megatério, uma espécie de preguiça, e o gliptodonte, um tatu gigante de até um metro de altura. Por uma faixa de terra onde hoje é a América Central, animais do norte chegaram ao sul. Entre eles, o mastodonte, os cães-urso e os ancestrais dos cavalos, todos antigos moradores do cerrado. 



   Apesar da longa coexistência, não há nenhuma evidência confiável de que o homem tenha caçado os animais gigantes de forma sistemática no território nacional ou mesmo na América do Sul, ao contrário do que ocorreu na América do Norte, onde mamutes e mastodontes eram presas constantes das populações humanas. O desaparecimento da megafauna no território nacional provavelmente não teve relação direta com a chegada do ser humano, como algumas hipóteses para essa extinção sugerem. Os pesquisadores Mark Hubbe e Alex Hubbe acreditam que a extinção dos animais tenha sido desencadeada por uma mudança climática. Na teoria deles, as espécies da megafauna teriam se extinguido gradualmente a partir da última grande glaciação, no fim do período chamado Pleistoceno (há aproximadamente 12 mil anos). Os maiores não teriam vivido além de dez mil anos atrás, e os menores teriam avançado um pouco além da nova era, até quatro mil anos atrás. 


 Internet: <www.correiobraziliense.com.br> (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.A substituição da locução verbal “tenha caçado” (primeiro período do terceiro parágrafo) pela forma verbal caçava prejudicaria a coerência e a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “tenha caçado” por “caçava” — ❌ ERRADO.

Gabarito: E — ERRADO. A substituição da locução verbal “tenha caçado” pela forma simples “caçava” não prejudica a coerência nem a correção gramatical do texto. A troca apenas altera o valor aspectual/temporal da ação: o pretérito imperfeito do indicativo (caçava) expressa uma ação contínua ou habitual no passado, enquanto o pretérito perfeito composto do subjuntivo (tenha caçado) indica uma ação concluída, vista como hipótese. Como o trecho em que ocorre a substituição é uma negação — “não há nenhuma evidência confiável de que o homem tenha caçado” —, a forma caçava mantém o sentido de que a caça não ocorreu de forma sistemática, sem gerar incoerência ou erro gramatical.

A chave da questão

O comando pede que se julgue se a troca prejudicaria a coerência e a correção gramatical. Para responder, é preciso analisar o trecho original e o efeito da substituição:

“Apesar da longa coexistência, não há nenhuma evidência confiável de que o homem tenha caçado os animais gigantes de forma sistemática no território nacional ou mesmo na América do Sul”

A locução “tenha caçado” está no pretérito perfeito composto do subjuntivo, empregada após a conjunção “que”, em uma oração subordinada substantiva. O subjuntivo é o modo da hipótese, da dúvida, da incerteza — exatamente o que o contexto exige, pois se fala da ausência de evidências.

A forma “caçava” está no pretérito imperfeito do indicativo, que expressa ação contínua, habitual ou durativa no passado. No contexto de negação (“não há evidência de que...”), o imperfeito do indicativo também é aceitável e mantém a coerência: a ideia de que a caça não ocorria de forma sistemática continua clara.

Por que a troca não prejudica a correção gramatical

  • Correção gramatical: ambas as formas são verbos legítimos do verbo “caçar”, flexionados corretamente. A substituição não altera a estrutura sintática da oração: “que o homem caçava” continua sendo uma oração subordinada substantiva objetiva direta, com sujeito “o homem” e verbo transitivo direto “caçava”. Não há erro de concordância, regência ou colocação.

  • Coerência: o sentido global do trecho é preservado. A negação “não há nenhuma evidência confiável de que...” continua válida com o imperfeito: a ausência de provas se refere à ação de caçar, independentemente do aspecto verbal. A mudança de tempo/modo não gera contradição com o restante do parágrafo, que fala da coexistência e da ausência de caça sistemática.

A pegadinha da banca

A banca tenta induzir o candidato a achar que a troca de um tempo composto do subjuntivo por um tempo simples do indicativo quebraria a coerência, como se o subjuntivo fosse obrigatório após “não há evidência de que”. Não é. O subjuntivo é o modo mais comum nesse contexto, mas o indicativo também é aceitável, especialmente quando se quer afirmar a não ocorrência de um fato habitual. A troca apenas muda o aspecto verbal, não o sentido essencial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de modo verbal (subjuntivo → indicativo) como se isso, por si só, gerasse incoerência. Mas a coerência não depende do modo, e sim da manutenção da lógica do texto — que se preserva.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição verbal, verifique sempre: (1) a correção gramatical da nova forma; (2) se o sentido original é mantido ou alterado de forma relevante; (3) se a coerência com o contexto é preservada. Só marque “prejudica” se houver erro gramatical ou mudança de sentido que gere contradição.

Conclusão: a substituição de “tenha caçado” por “caçava” não prejudica a coerência nem a correção gramatical do texto. Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: letra E.

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