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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce134863
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DPE-RS
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Defensor Público

    Na sociedade líquido-moderna da hipermodernidade globalizante, o fazer compras não pressupõe nenhum discurso. O consumidor — o hiperconsumidor — compra aquilo que lhe apraz. Ele segue as suas inclinações individuais. O curtir é o seu lema.

     Esse movimento social de hiperconsumismo, de vida para o consumo, guiou a pessoa natural para o caminho da necessidade, da vontade e do gosto pelo consumo, bem como impulsionou o descarte de cada vez mais recursos naturais finitos. Isso tem transformado negativamente o planeta, ao trazer prejuízos não apenas para as futuras gerações, como também para as atuais, o que resulta em problemas sociais, crises humanitárias e degradação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, além de afetar o desenvolvimento humano, ao se precificar o ser racional, dissolvendo-se toda solidez social e trazendo-se à tona uma sociedade líquido-moderna de hiperconsumidores vorazes e indiferentes às consequências de seus atos sobre o meio ambiente ecologicamente equilibrado e sobre as gerações atuais e futuras.

     O consumismo é uma economia do logro, do excesso e do lixo, pois faz que o ser humano trabalhe duro para adquirir mais coisas, mas traz a sensação de insatisfação porque sempre há alguma coisa melhor, maior e mais rápida do que no presente. Ao mesmo tempo, as coisas que se possuem e se consomem enchem não apenas os armários, as garagens, as casas e as vidas, mas também as mentes das pessoas.

     Nessa sociedade líquido-moderna de hiperconsumidores, o desejo satisfeito pelo consumo gera a sensação de algo ultrapassado; o fim de um consumo significa a vontade de iniciar qualquer outro. Nessa vida de hiperconsumo e para o hiperconsumo, a pessoa natural fica tentada com a gratificação própria imediata, mas, ao mesmo tempo, os cérebros não conseguem compreender o impacto cumulativo em um nível coletivo. Assim, um desejo satisfeito torna-se quase tão prazeroso e excitante quanto uma flor murcha ou uma garrafa de plástico vazia.

     O hiperconsumismo afeta não apenas a relação simbiótica entre o ser humano e o planeta, como também fere de morte a moral, ao passo que torna tudo e todos algo precificável, descartável e indiferente.

Fellipe V. B. Fraga e Bruno B. de Oliveira. O consumo colaborativo como mecanismo de desenvolvimento sustentável na sociedade líquido-moderna. LAECC. Edição do Kindle (com adaptações). 

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.No segundo período do segundo parágrafo, o pronome “Isso” poderia ser substituído por O que, sem prejuízo da coerência e da correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “Isso” por “O que” — ❌ ERRADO

Gabarito: Errado. A substituição do pronome demonstrativo “Isso” pelo pronome relativo “O que” no trecho “Isso tem transformado negativamente o planeta…” prejudicaria a coerência e a correção gramatical do texto, pois altera a função sintática e a estrutura da oração.

No texto, “Isso” é um pronome demonstrativo que funciona como sujeito da oração principal e retoma toda a ideia anterior (o hiperconsumismo e seus efeitos). Já “O que” é um pronome relativo. Para ser empregado corretamente, ele precisaria de um antecedente explícito (um substantivo) e iniciaria uma oração subordinada adjetiva (ex.: “O movimento, o que tem transformado o planeta…”).

“Isso tem transformado negativamente o planeta, ao trazer prejuízos não apenas para as futuras gerações, como também para as atuais…”

Se trocarmos por “O que”, a oração “O que tem transformado negativamente o planeta” seria uma oração substantiva (ou relativa sem antecedente), mas o período como um todo perderia a coesão: “O que tem transformado…” ficaria sem um verbo principal completo, pois a estrutura exigiria um predicativo ou complemento para formar sentido. Em português padrão, “O que” como sujeito de uma oração independente é possível, mas exige que a oração seja uma oração subordinada substantiva subjetiva dentro de um período mais amplo (ex.: “O que tem transformado o planeta são os excessos”). No contexto, o período termina com “ao trazer prejuízos…”, e a ausência de um verbo principal torna a construção agramatical.

Além disso, a referência muda: “Isso” retoma anaforicamente uma ideia complexa (todo o parágrafo anterior); “O que” forçaria o leitor a buscar um antecedente nominal que não existe, gerando ambiguidade e quebra da coesão referencial.

Detalhamento do erro

Aspecto

Com “Isso” (original)

Com “O que” (proposta)

Classe gramatical

Pronome demonstrativo

Pronome relativo

Função sintática

Sujeito da oração principal

Sujeito de oração subordinada (sem oração principal)

Referência

Retoma toda a ideia anterior

Exige antecedente nominal (inexistente)

Correção gramatical

Perfeita

Incorreta (oração solta)

Conclusão

A banca cobra o conhecimento de que “Isso” e “O que” não são intercambiáveis sem prejuízo da estrutura textual. A substituição proposta viola a coesão referencial (muda o referente) e a correção gramatical (cria um período mal formado). Logo, o item está Errado.

Gabarito: E (Errado)

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