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Questão de Português — Morfologia — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsMorfologia
Código
ce134871
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DPE-RS
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Defensor Público

    Para falar de racismo, é preciso antes diferenciar o racismo de outras categorias que também aparecem associadas à ideia de raça: preconceito e discriminação.

     Podemos dizer que o racismo é uma forma sistemática de discriminação que tem a raça como fundamento e que se manifesta por meio de práticas conscientes ou inconscientes que culminam em desvantagens ou privilégios para indivíduos, a depender do grupo racial ao qual pertençam.

     Embora haja relação entre os conceitos, o racismo difere do preconceito racial e da discriminação racial. O preconceito racial é o juízo baseado em estereótipos acerca de indivíduos que pertençam a determinado grupo racializado, o que pode ou não resultar em práticas discriminatórias. Considerar negros violentos e inconfiáveis, judeus avarentos ou orientais “naturalmente” preparados para as ciências exatas são exemplos de preconceitos.

     A discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado a membros de grupos racialmente identificados. Portanto, a discriminação tem como requisito fundamental o poder — ou seja, a possibilidade efetiva do uso da força —, sem o qual não é possível atribuir vantagens ou desvantagens por conta da raça. Assim, a discriminação pode ser direta ou indireta. A discriminação direta é o repúdio ostensivo a indivíduos ou grupos, motivado pela condição racial, exemplo do que ocorre em países que proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos, pessoas de origem árabe ou persa, ou ainda lojas que se recusam a atender clientes de determinada raça. Já a discriminação indireta é um processo em que a situação específica de grupos minoritários é ignorada — discriminação de fato — ou sobre a qual são impostas regras de “neutralidade racial” sem que se leve em conta a existência de diferenças sociais significativas — discriminação pelo direito ou discriminação por impacto adverso. A discriminação indireta é marcada pela ausência de intencionalidade explícita de discriminar pessoas. Isso pode acontecer porque a norma ou prática não leva em consideração ou não pode prever de forma concreta as consequências da norma.

Silvio Almeida. Racismo Estrutural (Feminismos Plurais). Editora Jandaíra.

Edição do Kindle (com adaptações).  

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item que se segue.Feitas as devidas alterações de maiúsculas e minúsculas, no segundo período do quarto parágrafo, a conjunção “Portanto” poderia ser corretamente deslocada para logo depois da palavra “discriminação”, dispensando-se o emprego da vírgula
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação da conjunção “Portanto” e exigência de vírgula

❌ ERRADO — A afirmação de que é possível deslocar “Portanto” para depois de “discriminação” e dispensar a vírgula é falsa, pois a conjunção intercalada exige ser isolada por vírgulas (ou outro sinal de pausa).

O período original do quarto parágrafo é:

“Portanto, a discriminação tem como requisito fundamental o poder — ou seja, a possibilidade efetiva do uso da força —, sem o qual não é possível atribuir vantagens ou desvantagens por conta da raça.”

A conjunção conclusiva “Portanto” inicia a oração e é corretamente seguida de vírgula. Se a deslocarmos para logo depois do sujeito “a discriminação”, ela passa a ocupar posição intercalada. Nessa situação, a norma gramatical exige que seja isolada por vírgulas: “a discriminação, portanto, tem como requisito...”. A supressão total das vírgulas resultaria em “a discriminação portanto tem como requisito...”, o que é inadequado, pois a pausa é necessária para marcar a intercalação da conjunção conclusiva.

Portanto, não se pode “dispensar o emprego da vírgula” — seria necessário, na verdade, acrescentar uma segunda vírgula. Logo, o item está errado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que, ao mover a conjunção, a vírgula pode ser totalmente eliminada, quando na verdade exige-se o isolamento por vírgulas duplas (uma antes e outra depois do termo intercalado).

Gabarito: letra E (Errado).

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