Questão de Criminologia — Teorias Criminológicas: Delito como Eleição, Predisposições Agressivas, Behaviorista, Técnicas de Neutralização, Janelas Quebradas e Reação Social. — CESPE / CEBRASPE 2022
Criminologia›Teorias Criminológicas: Delito como Eleição, Predisposições Agressivas, Behaviorista, Técnicas de Neutralização, Janelas Quebradas e Reação Social.
Código
ce134951
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DPE-RS
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Defensor Público
Um homem branco, de 29 anos de idade, e um homem negro, de 21 anos de idade, foram presos por terem pichado, juntos, um prédio. Na posse deles, foram encontradas as tintas usadas no ato, além de um cigarro de maconha. O indivíduo branco assinou termo circunstanciado e foi liberado, enquanto o outro homem foi mantido preso.Considerando essa situação hipotética e as perspectivas da criminologia, julgue o item a seguir.Na situação apresentada, a prisão do homem negro pela prática da pichação e pelo porte de maconha é relacionada ao estigma de desviante.
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Teoria do etiquetamento social (Labelling Approach)
✅ CERTO. A situação hipotética ilustra precisamente o núcleo da teoria do etiquetamento social (labelling approach): o estigma de desviante é aplicado de forma seletiva, atingindo desproporcionalmente grupos marginalizados. O homem negro, mesmo em situação idêntica à do homem branco (mesmo delito, mesma posse de droga), foi mantido preso, enquanto o branco foi liberado após assinar termo circunstanciado. Esse tratamento diferenciado evidencia que o rótulo de "criminoso" não decorre apenas do ato praticado, mas de construções sociais que associam certos indivíduos — especialmente negros — à periculosidade e ao desvio.
Na criminologia, a teoria do etiquetamento social sustenta que "a criminalidade não é uma propriedade inerente a um sujeito, mas uma ‘etiqueta’ atribuída a certos indivíduos que a sociedade entende como delinquentes" (trecho do material de apoio). As agências de controle social (polícia, Ministério Público, Judiciário) atuam como "rotuladoras", e o estigma recai com mais força sobre aqueles que já ocupam posições sociais desfavorecidas — no caso, a raça negra opera como fator de criminalização secundária.
Portanto, a prisão do homem negro está diretamente relacionada ao estigma de desviante: ele é tratado como criminoso não apenas pelo que fez, mas por quem é, confirmando a tese central da labelling approach.
SE LIGUE NESSA!
A questão não exige conhecimento de lei específica, mas sim a compreensão do conceito sociológico de desvio e da seletividade do sistema penal, tema central da criminologia crítica.