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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra QUE
Código
ce137334
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBAMA
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico Ambiental
Texto CB1A1-I

   A pandemia transformou a rotina de diversas pessoas ao redor do mundo, principalmente em relação à sustentabilidade.
   Dentro de casa, aumentou a percepção quanto à importância de modelos de consumo mais conscientes e responsáveis, como a escolha de produtos mais duráveis e menos geradores de resíduos. No entanto, a transformação mais significativa, que deveria vir das empresas, ainda é relativamente tímida.
   De acordo com Mariana Schuchovski, professora de Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios, a disseminação do vírus é resultado do atual modelo de desenvolvimento, que fomenta o uso irracional de recursos naturais e a destruição de hábitats, como florestas e outras áreas, o que faz que animais, forçados a mudar seus hábitos de vida, contraiam e transmitam doenças que não existiriam em situações normais. “Situações de desequilíbrio ambiental, causadas principalmente por desmatamento e mudanças de clima, aumentam ainda mais a probabilidade de que zoonoses, ou seja, doenças de origem animal, nos atinjam e alcancem o patamar de epidemias e pandemias”, explica a professora.
   A especialista aponta que todos nós, indivíduos, sociedade e empresas, precisamos entender os impactos desta pandemia no meio ambiente e na sustentabilidade bem como refletir sobre eles e, principalmente, sobre a sua relação inversa: o impacto da (in)sustentabilidade dos nossos modelos de produção e consumo como causador desta pandemia. “Toda escolha que fazemos pode ser para apoiar ou não a sustentabilidade”, diz Mariana. Por outro lado, para que possamos fazer melhores escolhas e praticar o verdadeiro consumo consciente, é necessário que, em primeiro lugar, as empresas realizem a produção consciente, assumindo sua verdadeira responsabilidade pelos impactos que causam. 

Internet: <www.ecodebate.com.br> (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.O pronome “que”, em “que causam” (último período do texto), exerce a função de sujeito da oração em que ocorre e retoma o termo “as empresas”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função do pronome relativo 'que' em 'que causam'

Gabarito: Errado. O pronome "que" em "que causam" (último período) é um pronome relativo que retoma "os impactos" (e não "as empresas") e exerce a função de objeto direto do verbo "causam", não de sujeito.

Análise do trecho

O último período do texto é:

"... é necessário que, em primeiro lugar, as empresas realizem a produção consciente, assumindo sua verdadeira responsabilidade pelos impactos que causam."

A oração adjetiva "que causam" está ligada ao substantivo "impactos" (antecedente). O pronome relativo "que" substitui "impactos" dentro da oração. O verbo "causam" é transitivo direto: quem causa, causa algo. Na oração, o sujeito é "as empresas" (oculto, mas inferido do contexto), e o objeto direto é "que" (ou seja, os impactos). Portanto:

  • Sujeito: as empresas (não expresso, mas recuperável)

  • Objeto direto: que (= os impactos)

A afirmação do item diz que "que" exerce função de sujeito e retoma "as empresas". Isso está incorreto em ambos os pontos: o referente é "impactos", e a função sintática é de objeto direto.

Por que as outras funções são descartadas?

  • Sujeito: se "que" fosse sujeito, o verbo "causam" concordaria com ele, e a frase seria algo como "os impactos que causam algo" – mas o verbo não tem complemento, pois o objeto é o próprio "que". Na verdade, "que" é o objeto, e o sujeito é outro termo.

  • Referência a "as empresas": o pronome relativo "que" não pode retomar "as empresas" porque estas estão distantes e o sentido não se sustenta: "... pelos impactos que (as empresas) causam" – faria sentido, mas a retomada gramatical é de "impactos". Contudo, mesmo que se interpretasse como referência a "as empresas", a função seria sujeito? Aí sim, se "que" retomasse "as empresas", ele seria sujeito. Mas o texto claramente mostra que "impactos" é o antecedente imediato e lógico: os impactos que as empresas causam.

Pegadinha da banca

A banca tenta confundir o candidato fazendo-o acreditar que o pronome "que" retoma o sujeito da oração principal ("as empresas") e, por isso, seria sujeito. Na verdade, o "que" relativo sempre retoma o termo imediatamente anterior (salvo casos de paralelismo) e sua função depende da estrutura da oração adjetiva.

1Antecedente
"os impactos" (não "as empresas")
2Função sintática
Objeto direto (não sujeito)
3Sujeito da oração
"as empresas" (oculto)
Pronome relativo "que"
LEVELsoulevel.com.br
Pronome relativo "que": Antecedente ("os impactos" (não "as empresas")); Função sintática (Objeto direto (não sujeito)); Sujeito da oração ("as empresas" (oculto))
NÃO CAIA NESSA!

Troca do referente e da função sintática. O candidato que não analisa a oração inteira cai na armadilha de achar que "que" retoma o sujeito da oração anterior.

Conclusão

ERRADO. O pronome "que" é objeto direto de "causam" e retoma "os impactos".

Gabarito: Errado

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