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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce137373
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ICMBIO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista Ambiental

        “Cada língua indígena é um reservatório único de conhecimento medicinal”. Assim escrevem os pesquisadores Rodrigo Cámara-Leret e Jordi Bascompte em um recente estudo que faz um alerta: o perigo do desaparecimento de antigos conhecimentos de plantas medicinais a partir da extinção das línguas indígenas.


        Em geral, quando se fala em plantas com propriedades medicinais, as discussões giram em torno da extinção da biodiversidade. Nessa pesquisa, contudo, os cientistas focaram no que costuma ser esquecido: o impacto da extinção das línguas para a perda desse conhecimento, tradicionalmente transmitido oralmente.


        Antes de tudo, a equipe do estudo precisava entender em que medida acontecia a perda de conhecimento linguisticamente único.


        No caso das plantas medicinais, era preciso entender em que grau o conhecimento delas estava atrelado a apenas uma língua indígena. Dessa forma, seria possível compreender quais saberes seriam perdidos no caso de extinção de determinado idioma.


        Para isso, os pesquisadores analisaram três conjuntos de dados etnobotânicos (a ciência que estuda a relação entre humanos e plantas). Eles contavam com cerca de 3,6 mil plantas medicinais, 236 línguas indígenas e 12,5 mil “serviços de plantas medicinais” — combinações entre espécies de plantas e a subcategoria medicinal para a qual elas eram indicadas, como “figueira-brava (Ficus insipida) + sistema digestivo”. Os dados são referentes a três regiões com grande diversidade linguística e biológica: América do Norte, noroeste da Amazônia e Nova Guiné.


        Depois de analisarem os dados, os cientistas apontaram que o conhecimento indígena sobre as plantas medicinais está, de fato, apoiado na singularidade linguística. No noroeste da Amazônia, 91% do conhecimento medicinal não é compartilhado entre línguas — e se concentra em apenas um idioma. Em Nova Guiné, essa taxa é de 84%; na América do Norte, 73%.


        Além disso, eles observaram a porcentagem desse conhecimento que se concentra, especificamente, em línguas ameaçadas de extinção. Na América do Norte, 86% do conhecimento medicinal único ocorre, justamente, em idiomas em risco. No noroeste da Amazônia, 100%.


        Para os cientistas, uma das hipóteses é a alta rotatividade cultural. Isso significa que, para uma mesma planta, os povos indígenas possuem diversos conhecimentos e aplicações exclusivos. Sem uma Wikipédia para reunir informações, cada cultura acumulou, ao longo do tempo, as próprias descobertas sobre cada espécie. 


        O estudo ajuda a mostrar que cada língua (e cultura) indígena tem percepções únicas que, inclusive, podem vir a oferecer seus conhecimentos medicinais também a outras sociedades.


Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.Depreende-se do texto que a extinção da biodiversidade não é o foco da pesquisa de Rodrigo Cámara-Leret e Jordi Bascompte acerca do desaparecimento de conhecimentos sobre plantas medicinais.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Foco da pesquisa: extinção das línguas indígenas e perda de conhecimento medicinal

Gabarito: letra C — ✅ CERTO. O texto afirma explicitamente que os cientistas focaram no impacto da extinção das línguas, e não na extinção da biodiversidade. A passagem decisiva é: “os cientistas focaram no que costuma ser esquecido: o impacto da extinção das línguas para a perda desse conhecimento” — isso autoriza a inferência de que a biodiversidade não é o foco da pesquisa.

O comando pede uma inferência (“depreende-se”), mas aqui a conclusão está ancorada em pistas textuais claras. O texto contrapõe dois temas: de um lado, o debate comum sobre plantas medicinais gira em torno da extinção da biodiversidade; de outro, a pesquisa de Cámara-Leret e Bascompte focou no impacto da extinção das línguas. Essa oposição é marcada pelo conectivo “contudo”, que sinaliza a mudança de foco.

Análise da assertiva

Assertiva — ✅ CERTO

A afirmativa diz: “a extinção da biodiversidade não é o foco da pesquisa”. O texto sustenta isso em dois momentos:

“Em geral, quando se fala em plantas com propriedades medicinais, as discussões giram em torno da extinção da biodiversidade. Nessa pesquisa, contudo, os cientistas focaram no que costuma ser esquecido: o impacto da extinção das línguas para a perda desse conhecimento.”

O “contudo” é a chave: ele opõe o tema geral (biodiversidade) ao foco específico da pesquisa (línguas). O trecho seguinte reforça:

“o perigo do desaparecimento de antigos conhecimentos de plantas medicinais a partir da extinção das línguas indígenas.”

Portanto, a assertiva é uma paráfrase fiel do que o texto afirma: a pesquisa não tem a biodiversidade como foco, mas sim a relação entre línguas e conhecimento medicinal. Não há extrapolação nem contradição — a conclusão está diretamente apoiada nas palavras do autor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de associar “plantas medicinais” automaticamente à biodiversidade. Quem lê rápido pode achar que o texto trata da extinção de espécies, mas o “contudo” inverte o foco. Grife conectivos de oposição — eles mudam o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, procure a pista textual que sustenta a conclusão. Aqui, a pista é o conectivo “contudo” + a expressão “focaram no que costuma ser esquecido”. Se a conclusão estiver ancorada em trecho explícito, a inferência é legítima.

Gabarito: letra C — ✅ CERTO.

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