Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2022
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
ce137403
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ICMBIO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Analista Ambiental
Aproximadamente um quarto de todas as espécies de
mamíferos possui algum grau de ameaça, constituindo-se como
um dos maiores desafios da biologia da conservação entender
quais fatores determinam o risco de extinção dessas espécies.
Muitos trabalhos tentam responder a essa questão procurando as
associações existentes entre as características biológicas e
ecológicas das espécies e o seu grau de vulnerabilidade.
Considerando o texto apresentado e os aspectos a ele relacionados, julgue o próximo item.O maior tamanho corporal das espécies de mamíferos sujeitos à caça é uma característica que os predispõe à extinção.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Biologia da conservação: tamanho corporal e risco de extinção
Gabarito: ✅ CERTO. O item está correto porque, em mamíferos sujeitos à caça, o maior tamanho corporal é um fator de vulnerabilidade à extinção: espécies maiores são mais visadas e possuem menor capacidade de compensar perdas populacionais, conforme discutido na literatura ecológica (contínuo rápido-devagar).
A questão aborda a biologia da conservação, que busca identificar quais características biológicas e ecológicas tornam as espécies mais vulneráveis à extinção. O texto-base menciona que aproximadamente um quarto das espécies de mamíferos está ameaçado e que muitos estudos procuram associações entre características das espécies e seu grau de vulnerabilidade. Nesse contexto, o tamanho corporal é uma das características mais estudadas.
Espécies de maior porte tendem a ter populações menores, crescimento mais lento, maturidade tardia e menor fecundidade — características que reduzem sua capacidade de recuperação após declínios populacionais. Quando há caça, essas espécies são frequentemente alvos preferenciais, seja por fornecerem mais carne, troféus ou subprodutos. A combinação de alta pressão de caça com baixa capacidade de compensação demográfica torna as espécies maiores particularmente vulneráveis.
O material de apoio reforça essa ideia ao discutir o contínuo rápido-devagar: espécies de crescimento lento e vida longa, como tubarões maiores, não conseguem compensar reduções na sobrevivência de adultos ou juvenis, sendo mais vulneráveis à extinção. O mesmo padrão é observado em raias e marsupiais australianos, onde as espécies extintas ou ameaçadas estão entre as maiores de seus grupos. Assim, a afirmativa está em conformidade com o conhecimento ecológico consolidado.
Espécies maiores sujeitas à caça: Maior exposição à ameaça (Alvo preferencial (carne, troféu)); Menor resiliência (População pequena, Crescimento lento, Maturidade tardia, Baixa fecundidade); Resultado: maior risco de extinção
Alternativa C — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. O maior tamanho corporal predispõe à extinção em espécies sujeitas à caça por dois mecanismos principais: (1) maior atratividade para caçadores (mais carne, pele, troféus) e (2) menor capacidade de compensação demográfica — espécies grandes geralmente têm crescimento lento, maturidade tardia e baixa fecundidade, o que dificulta a recuperação populacional após a mortalidade causada pela caça. O texto de apoio exemplifica com tubarões e raias, onde as espécies maiores e mais lentas são mais vulneráveis, e com marsupiais australianos, cujas extinções recentes ocorreram entre as maiores espécies.
Alternativa E — ❌ Errada
A alternativa E afirma o contrário, ou seja, que o maior tamanho corporal não predispõe à extinção. Isso contraria o consenso ecológico e os exemplos citados no material de apoio. Espécies maiores, quando caçadas, sofrem pressão seletiva negativa e têm menor resiliência, o que aumenta o risco de extinção. Portanto, a alternativa E está incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode tentar confundir o candidato ao sugerir que espécies maiores teriam vantagem por serem mais fortes ou dominantes. No entanto, no contexto da caça, o tamanho é uma desvantagem: atrai mais a caça e reduz a capacidade de recuperação populacional. Lembre-se: em biologia da conservação, o que importa é a interação entre características da espécie e as ameaças específicas que ela enfrenta.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre vulnerabilidade à extinção, pense sempre em dois eixos: (1) exposição à ameaça (ex.: caça, destruição de habitat) e (2) sensibilidade/resiliência da espécie (ex.: taxa reprodutiva, tamanho populacional, especialização de nicho). Espécies grandes, de crescimento lento e baixa fecundidade são mais sensíveis, e quando há caça, também mais expostas.