Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce138025
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSS
- Ano
- 2022
- Nível
- Médio
- Cargo
- Técnico do Seguro Social - (GEX Guarulhos)
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: item E (Errado). A assertiva está errada porque, embora o pronome "se" indefina o agente nas duas orações, a estratégia sintática empregada é diferente em cada uma: em "Nem se lembram", o "se" é índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois "lembrar-se" é verbo transitivo indireto; já em "que se paga", o "se" é partícula apassivadora (PA), pois "pagar" é verbo transitivo direto e "a toda hora" é adjunto adverbial, não objeto. O item generaliza ao afirmar que ambas as orações usam a mesma estratégia de indeterminação do sujeito, o que não se sustenta.
No trecho “Nem se lembram dessa outra prestação que se paga a toda hora”, temos duas orações:
“Nem se lembram dessa outra prestação” — o verbo "lembrar-se" é transitivo indireto (quem se lembra, lembra-se de algo). O "se" aqui é índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois não há objeto direto que possa funcionar como sujeito paciente. A oração equivale a "as pessoas não se lembram dessa prestação".
“que se paga a toda hora” — o verbo "pagar" é transitivo direto (quem paga, paga algo). O "se" aqui é partícula apassivadora (PA), pois o termo "essa outra prestação" (retomado pelo pronome relativo "que") é o sujeito paciente da oração. A oração equivale a "essa outra prestação é paga a toda hora".
A diferença é crucial: no primeiro caso, o sujeito é indeterminado (não se sabe quem se lembra); no segundo, o sujeito é determinado (a prestação), e o "se" apenas marca a voz passiva sintética. O item, ao afirmar que "em ambas as orações" a intenção de indefinir quem realiza as ações é materializada "por meio da estratégia de indeterminação do sujeito sintático", generaliza indevidamente e troca o conceito de IIS por PA na segunda oração.
A banca explora a confusão clássica entre indeterminação do agente e indeterminação do sujeito sintático. É verdade que, nas duas orações, não se sabe quem pratica a ação (quem se lembra? quem paga?). Mas isso não significa que o sujeito sintático seja indeterminado nas duas. Na segunda oração, o sujeito é paciente e está explícito (a prestação), e o "se" é apassivador. A indeterminação do agente é uma consequência da voz passiva, não da indeterminação do sujeito.
Para distinguir IIS de PA, verifique a transitividade do verbo: se o verbo é transitivo direto (admite objeto direto), o "se" é apassivador e o termo que o segue é sujeito paciente; se o verbo é transitivo indireto, intransitivo ou de ligação, o "se" é índice de indeterminação do sujeito. Teste também a passiva analítica: "a prestação é paga" funciona; "a prestação é lembrada" não.
Gabarito: item E (Errado).
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