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Questão de Direito Constitucional — Controle de Constitucionalidade — CESPE / CEBRASPE 2022

Direito ConstitucionalControle de Constitucionalidade
Código
ce138895
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-AC
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Julgue os itens a seguir, referentes ao controle incidental de constitucionalidade.I Os legitimados para provocar a jurisdição constitucional abrangem qualquer das partes envolvidas em controvérsia judicial, inclusive terceiros intervenientes (litisconsortes, assistentes, opoentes etc.) e o Ministério Público que oficie no feito.II O controle em apreço pode ser incitado por juízo de primeiro grau nas causas submetidas a sua apreciação, mesmo quando as partes não o tiverem feito.III O controle em questão pode ser exercido por qualquer juiz ou tribunal com competência para julgar a causa, incluindo-se os juizados especiais e as turmas recursais de todo o país.Assinale a opção correta.
  1. AApenas o item I está certo.
  2. BApenas o item III está certo.
  3. CApenas os itens I e II estão certos.
  4. DApenas os itens II e III estão certos.
  5. ETodos os itens estão certos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Todos os itens estão certos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle incidental de constitucionalidade (controle difuso)

Gabarito: letra E. Todos os itens estão corretos. O controle incidental (difuso) caracteriza-se por poder ser suscitado por qualquer parte processual, inclusive terceiros e Ministério Público (Item I), pode ser exercido de ofício pelo juiz (Item II) e pode ser realizado por qualquer juiz ou tribunal, inclusive juizados especiais e turmas recursais (Item III), desde que no julgamento de um caso concreto.

O controle incidental é aquele em que a questão constitucional é discutida como questão prejudicial no âmbito de um litígio concreto, ao contrário do controle concentrado, que ocorre em ação autônoma. No modelo difuso, adotado pelo Brasil, qualquer órgão judicial pode declarar a inconstitucionalidade de uma lei incidenter tantum, com efeitos inter partes (embora exista a possibilidade de extensão pelo Senado). A amplitude de legitimados e a possibilidade de atuação ex officio são características marcantes desse sistema.

Item I — ✅ Correto

A legitimidade para arguir a inconstitucionalidade incidentalmente abrange todas as partes do processo, inclusive litisconsortes, assistentes, opoentes e o Ministério Público que atue no feito. Isso decorre do fato de que qualquer pessoa que integre a relação processual tem interesse na correta aplicação da Constituição, podendo levantar a questão. O MP, como fiscal da ordem jurídica (custos legis), também pode fazê-lo. A doutrina pacífica reconhece essa amplitude.

Item II — ✅ Correto

O juiz de primeiro grau pode, de ofício (ex officio), suscitar a inconstitucionalidade, independentemente de provocação das partes. No controle difuso, o juiz não é mero espectador: ao apreciar o caso, deve aplicar a lei que considerar constitucional, podendo afastar a aplicação de lei que entender inconstitucional, mesmo que as partes não tenham alegado. Isso é inerente ao seu poder-dever de julgar conforme a Constituição.

Item III — ✅ Correto

O controle incidental pode ser exercido por qualquer juiz ou tribunal com competência para julgar a causa, incluindo-se os juizados especiais e as turmas recursais. Não há restrição de hierarquia ou especialidade. As turmas recursais, embora não sejam tribunais no sentido estrito, exercem função jurisdicional e podem declarar a inconstitucionalidade de lei no caso concreto. Ressalte-se que, nos termos do art. 97 da Constituição, a declaração por tribunal exige maioria absoluta (reserva de plenário), mas isso não impede que juízes singulares e turmas recursais exerçam o controle difuso, pois a reserva de plenário aplica-se apenas a tribunais. Assim, a afirmação está correta.

Art. 97CF/88

"Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público."

NÃO CAIA NESSA!

O examinador pode gerar dúvida quanto ao item III, pois a reserva de plenário (art. 97 CF) exige maioria absoluta nos tribunais. No entanto, as turmas recursais não se submetem a essa exigência e podem declarar a inconstitucionalidade por maioria simples. O STF já assentou que juizados especiais e turmas recursais exercem controle difuso sem a obrigatoriedade do plenário (RE 443.954). Portanto, o item está correto.

Conclusão: todos os itens I, II e III estão corretos, portanto a alternativa que reúne todos eles, ou seja, "Todos os itens estão certos", é a letra E.

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