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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce139198
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-ES
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia

Texto CG1A1-I 



      Em 2020, a pandemia de covid-19 fez com que mulheres em situação de violência ficassem ainda mais vulneráveis. O início da pandemia foi marcado por uma crescente preocupação a respeito da violência contra meninas e mulheres, as quais passaram a conviver mais tempo em suas residências com seus agressores, muitas vezes impossibilitadas de acessar serviços públicos e redes de apoio.

    O cenário retratado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 evidencia a queda de crimes letais contra a mulher, mas não a diminuição da violência: houve um sensível aumento das denúncias de lesão corporal dolosa e das chamadas de emergência para o número das polícias militares, o 190, todas no contexto de violência doméstica, assim como o aumento dos casos notificados de ameaça contra mulheres. A quantidade de medidas protetivas de urgência solicitadas e concedidas também aumentou consideravelmente. 

     O ano de 2021 foi caracterizado por parte da retomada das atividades rotineiras em meio à redução dos índices de transmissão da covid-19 e da queda das mortes decorrentes da doença, em consequência da vacinação. Compreender as estatísticas criminais de violência contra as mulheres nos anos de 2020 e 2021 nos ajuda a pensar nas políticas públicas a serem implementadas no contexto da pandemia de covid-19 e da consequente intensificação da crise econômica vivenciada no Brasil. A pesquisa Visível e Invisível, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que, no ano de 2020, a perda de emprego e a diminuição da renda familiar foram sentidas de forma mais intensa pelas mulheres que sofreram violência, o que tornou mais difícil para essas mulheres romper com parceiros abusivos ou relações violentas. 

      A exemplo do que vimos em outros países, embora tenha ocorrido queda nos registros, sabia-se que a violência contra a mulher estava aumentando de forma silenciosa e era preciso agir rápido. Algumas ações foram realizadas pelas instituições policiais a fim de enfrentar o desafio que estava posto: a ampliação do rol de tipos penais que podem ser denunciados via boletim de ocorrência online, por exemplo, foi uma das iniciativas tomadas por praticamente todas as unidades da Federação, o que possibilitou que, em alguns estados, pela primeira vez, o registro de violência doméstica fosse feito sem que se precisasse ir até uma delegacia, bastando, para isso, o acesso à Internet e a um dispositivo como tablet, smartphone ou computador. Nesse sentido, campanhas de denúncia da violência doméstica divulgadas em farmácias e supermercados, dentro da lógica da Campanha Sinal Vermelho, idealizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e pelo Conselho Nacional da Justiça (CNJ), consistiram em importante ação de repercussão nacional. 



Internet: <https://forumseguranca.org.br> (com adaptações).

Estariam preservados os sentidos e a correção gramatical do primeiro período do texto CG1A1-I caso se deslocasse o vocábulo “ainda” para imediatamente depois de
  1. A“2020”.
  2. B“covid-19”.
  3. C“mulheres”.
  4. D“violência”.
  5. E“vulneráveis”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “vulneráveis”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Deslocamento do advérbio "ainda"

Gabarito: letra E. O deslocamento de "ainda" para imediatamente depois de "vulneráveis" preserva o sentido de intensificação e a correção gramatical, pois a construção "mais vulneráveis ainda" é equivalente a "ainda mais vulneráveis".

O primeiro período do texto é: “Em 2020, a pandemia de covid-19 fez com que mulheres em situação de violência ficassem ainda mais vulneráveis.” O termo sublinhado forma uma expressão de grau que intensifica o adjetivo "vulneráveis". Ao deslocar "ainda" para depois do adjetivo, obtém-se “ficassem mais vulneráveis ainda”, que é uma variante sintática igualmente válida e com o mesmo significado de “ainda mais”.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Após "2020": “Em 2020 ainda, a pandemia…” — o advérbio passaria a ter valor temporal ("ainda em 2020"), alterando o sentido original e deslocando a ênfase do grau para o tempo. Extrapolação semântica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Após "covid-19": “a pandemia de covid-19 ainda fez com que…” — novamente adquire sentido de tempo ("ainda fez"), perdendo a função intensificadora sobre "mais vulneráveis". Contradiz o sentido original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Após "mulheres": “mulheres ainda em situação de violência” — o advérbio passaria a modificar o particípio/adjetivo "em situação", gerando ambiguidade temporal ("ainda em situação") e descaracterizando a expressão de grau. Erro de coesão e sentido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Após "violência": “em situação de violência ainda ficassem mais vulneráveis” — o "ainda" deslocado perde a ligação com "mais", resultando em interpretação temporal ("violência ainda") e quebra da intensificação. Além disso, a frase fica estranha e ambígua.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Após "vulneráveis": “ficassem mais vulneráveis ainda”. A inversão é comum em português e mantém o sentido de gradação: “mais + adjetivo + ainda” equivale a “ainda + mais + adjetivo”. Gramaticalmente correta, pois o advérbio "ainda" pode vir posposto ao adjetivo sem prejuízo. O texto original não sofre alteração de significado nem de correção.

Conclusão: A única posição que preserva o sentido intensificador e a gramática é após o adjetivo "vulneráveis". As demais alternativas alteram o valor do advérbio, tornando-o temporal ou deslocando sua função.

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