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Questão de Direito Processual Penal — Das Provas — CESPE / CEBRASPE 2022

Direito Processual PenalDas Provas
Código
ce139240
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-ES
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia
A respeito de investigações policiais, assinale a opção correta.
  1. AEstando preso o investigado, é proibida a realização de reconhecimento de pessoa por meio de videochamada, ainda que com a anuência do próprio investigado, por se tratar de procedimento que exige a presença da pessoa em sede policial.
  2. BA reconstituição simulada consiste no exame do local do crime por peritos, a fim de elucidá-lo mediante a confecção de fotografias, desenhos e esquemas, sem a presença do investigado e de testemunhas, para evitar contaminação do local.
  3. CDurante as investigações policiais, por meio de inquérito presidido pelo delegado de polícia, o investigado poderá requisitar diligências, as quais, nessa hipótese, deverão ser obrigatoriamente realizadas, já que a autoridade não pode indeferir tal pedido.
  4. DNa comarca em que houver duas circunscrições policiais, a autoridade com atribuição em uma delas deverá requisitar diligências a outra autoridade policial da outra circunscrição, quando, para a conclusão do inquérito, for necessária a análise de indícios ou provas existentes na localidade dessa última circunscrição.
  5. EÉ permitida a condução coercitiva do investigado até a delegacia de polícia para submetê-lo ao procedimento de reconhecimento de pessoa, não havendo mácula ao preceito nemo tenetur se detegere.
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GabaritoE — É permitida a condução coercitiva do investigado até a delegacia de polícia para submetê-lo ao procedimento de reconhecimento de pessoa, não havendo mácula ao preceito nemo tenetur se detegere.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Investigação policial – Provas e diligências

Gabarito: letra E. É permitida a condução coercitiva do investigado para submetê-lo ao reconhecimento de pessoa, pois esse ato envolve prova física (não testemunhal), não violando o princípio nemo tenetur se detegere, que protege apenas contra a autoincriminação por declarações. O STF, ao julgar a ADI 5.510, declarou inconstitucional a condução coercitiva para interrogatório, mas manteve a possibilidade para atos que não exijam manifestação de vontade do investigado, como reconhecimento pessoal, coleta de material biológico ou fornecimento de padrões gráficos.

A banca cobra o conhecimento dos limites do princípio da não autoincriminação e das regras de diligências no inquérito policial. Cada alternativa será analisada individualmente.

Condução coercitiva
  • 1Interrogatório
    • Inconstitucional (ADI 5.510)
    • Viola nemo tenetur se detegere
  • 2Reconhecimento de pessoa
    • Permitida
    • Prova física (não testemunhal)
    • Não exige manifestação de vontade
  • 3Outros atos permitidos
    • Coleta de material biológico
    • Fornecimento de padrões gráficos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma ser proibido o reconhecimento por videochamada mesmo com anuência do preso. Contudo, não há vedação legal expressa; o reconhecimento pode ser realizado por meios eletrônicos, especialmente se houver consentimento e as condições garantirem a confiabilidade do ato. O CPP não exige presença física obrigatória nesse caso, e a jurisprudência admite a utilização de videoconferência para atos processuais. Portanto, a proibição categórica é infundada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reconstituição simulada (ou reprodução simulada dos fatos) é um ato de investigação que, ao contrário do afirmado, pode e deve envolver a presença do investigado e de testemunhas, para recriar a dinâmica do crime. Além disso, não se trata de mero exame pericial do local, mas de simulação com participação dos envolvidos. O art. 169 do CPP trata do exame do local, mas a reconstituição é disciplinada por outros dispositivos (arts. 7º e 8º da Lei 5.970/73, por exemplo). A descrição dada se aproxima mais de uma perícia de local, não de reconstituição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O investigado pode requerer diligências, mas o delegado não é obrigado a realizá-las. A autoridade policial tem discricionariedade para indeferir pedidos que repute desnecessários ou protelatórios, com base no art. 14 do CPP (não transcrito no contexto, mas amplamente conhecido). A assertiva de que a requisição do investigado é “obrigatoriamente realizada” é falsa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O art. 22 do CPP, transcrito no contexto, estabelece que, nas comarcas com mais de uma circunscrição, a autoridade policial pode ordenar diligências em outra circunscrição independentemente de precatórias ou requisições. A alternativa exige uma “requisição” (precatória), contrariando o dispositivo. Logo, está errada.

Art. 22 do CPP:

“No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições…”

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A condução coercitiva do investigado para a realização de reconhecimento de pessoa é lícita, pois o ato não exige declaração verbal, mas apenas a exposição física para identificação. O princípio nemo tenetur se detegere (ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo) protege apenas a autoincriminação por meios testemunhais (declarações, depoimentos). Provas de caráter não testemunhal, como fotografia, coleta de material genético, exame de corpo de delito e reconhecimento pessoal, podem ser impostas ao investigado mesmo contra sua vontade. O STF consolidou esse entendimento ao julgar a ADI 5.510, que extinguiu a condução coercitiva para interrogatório, mas manteve a possibilidade para outros atos investigatórios que não envolvam a produção de prova oral. Dessa forma, não há mácula ao direito ao silêncio.

Gabarito: letra E.

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