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Questão de Legislação Penal Especial — Lei Maria da Penha - Lei nº 11.340 de 2006 — CESPE / CEBRASPE 2022

Legislação Penal EspecialLei Maria da Penha - Lei nº 11.340 de 2006
Código
ce139380
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-PB
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia Civil
No que se refere à posição dos tribunais superiores em relação à Lei n.º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), assinale a opção correta.
  1. AA posterior reconciliação entre vítima e agressor é fundamento suficiente para afastar a necessidade de fixação do valor mínimo previsto no art. 387, inciso IV, do Código de Processo Penal, pois não se pode exigir da vítima que tome a iniciativa de cobrar tal valor após o restabelecimento da relação afetiva.
  2. BSe preenchidos os requisitos da Lei n.º 9.099/1995, cabe transação penal aos crimes submetidos ao rito da Lei Maria da Penha.
  3. CNão se admite a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos no caso de condenação pela contravenção de perturbação de tranquilidade.
  4. DAplicam-se as disposições da Lei n.º 11.340/2003 às situações em que o agressor seja do sexo feminino, desde que comprovada a coabitação entre autor e vítima.
  5. ENão atrai a incidência dessa lei a hipótese em que um filho pratique violência física contra seu pai idoso.
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GabaritoE — Não atrai a incidência dessa lei a hipótese em que um filho pratique violência física contra seu pai idoso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lei Maria da Penha – Posição dos Tribunais Superiores

Gabarito: letra E (correta). A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é um instrumento de proteção específico à mulher em situação de violência doméstica e familiar. Logo, se um filho pratica violência física contra seu pai idoso (homem), a lei não se aplica, conforme consolidado entendimento dos tribunais superiores (STF e STJ). Essa é a única alternativa que reflete corretamente a jurisprudência.

A banca testa o conhecimento dos posicionamentos jurisprudenciais consolidados sobre os limites e a aplicação da Lei Maria da Penha. Vejamos cada alternativa:

Alternativa

Conteúdo

Julgamento

Fundamento

A

A reconciliação entre vítima e agressor afasta a fixação do valor mínimo do art. 387, IV, CPP.

❌ Incorreta

O dever de fixar o valor mínimo é estatal, independente da vontade da vítima (STJ).

B

Cabe transação penal aos crimes da Lei Maria da Penha, se preenchidos os requisitos da Lei nº 9.099/1995.

❌ Incorreta

O STF (ADI 4424) veda os institutos despenalizadores da Lei nº 9.099/1995.

C

Não se admite substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos na contravenção de perturbação da tranquilidade.

❌ Incorreta

A substituição é admissível, desde que presentes os requisitos do art. 44 do CP e sem vedação específica (STJ).

D

Aplica-se a Lei Maria da Penha a agressor do sexo feminino, desde que comprovada a coabitação.

❌ Incorreta

A coabitação não é requisito; basta relação íntima de afeto (art. 5º, LMP).

E

Não incide a Lei Maria da Penha quando filho pratica violência física contra pai idoso (homem).

✅ Correta

A lei protege especificamente a mulher em situação de violência doméstica (STF e STJ).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reconciliação entre vítima e agressor não afasta o dever do juiz de fixar o valor mínimo para reparação dos danos (art. 387, IV, CPP). O STJ entende que se trata de um dever estatal, independente da vontade da vítima. A reconciliação pode ser considerada na dosimetria, mas não é fundamento suficiente para suprimir a fixação do valor mínimo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O STF, em sede de controle concentrado (ADI 4424), afirmou que não se aplicam os institutos despenalizadores da Lei nº 9.099/1995 (transação penal, suspensão condicional do processo) aos crimes submetidos ao rito da Lei Maria da Penha, por incompatibilidade material e processual. Mesmo preenchidos os requisitos genéricos, a transação penal é vedada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos é admissível para a contravenção de perturbação da tranquilidade, desde que presentes os requisitos do art. 44 do CP e não haja vedação específica na Lei Maria da Penha (a vedação do art. 17 atinge apenas penas de cesta básica ou prestação pecuniária). O STJ admite a substituição nesse caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A Lei Maria da Penha não exige coabitação para sua incidência. Basta que a violência ocorra no âmbito de relações íntimas de afeto, independente de moradia conjunta (art. 5º, I, II e III, LMP). Além disso, o agressor pode ser do sexo feminino (ex.: em relação homossexual), desde que a vítima seja mulher; mas a coabitação não é requisito. A alternativa impõe condição indevida.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Lei Maria da Penha foi criada para proteger a mulher contra violência doméstica e familiar (art. 1º). A vítima da violência descrita é um homem (pai idoso), o que está fora do campo de proteção da lei. O STJ já firmou que a lei não se aplica a homens, ainda que em situação de vulnerabilidade. Logo, a hipótese não atrai a incidência da Lei Maria da Penha.

Gabarito: letra E.

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