Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce139431
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- PC-PB
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Escrivão de Polícia
- AVisto que.
- BAo passo que.
- CLogo que.
- DNão obstante.
- ETal qual.
GabaritoA — Visto que.
Gabarito: letra A. A conjunção “Como”, no trecho “Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem maior esforço”, estabelece uma relação de causa (explica por que “não nos damos conta do grande prodígio que é falar”). A única alternativa que preserva esse sentido causal é “Visto que”. As demais introduzem relações diferentes (tempo, oposição, concessão, comparação), alterando as ideias originais.
O segmento completo diz:
“Como aprendemos a falar na mais tenra infância e sem maior esforço, além de usarmos a linguagem no dia a dia da forma mais corriqueira, não nos damos conta do grande prodígio que é falar.”
A oração iniciada por “Como” expressa a razão pela qual não nos damos conta do prodígio. Trocar por outra conjunção que não seja causal quebra a lógica argumentativa.
Conjunção | Sentido | Preserva a ideia original? |
|---|---|---|
Como (original) | Causal | — |
Visto que | Causal | ✅ Sim |
Ao passo que | Oposição / simultaneidade | ❌ Não |
Logo que | Tempo | ❌ Não |
Não obstante | Concessão | ❌ Não |
Tal qual | Comparação | ❌ Não |
“Visto que” é uma locução conjuntiva causal (sinônima de “porque”, “já que”, “uma vez que”). Substitui “Como” sem alterar o sentido nem a correção gramatical.
“Ao passo que” expressa oposição ou simultaneidade (“enquanto que”). Inserir essa conjunção no lugar de “Como” faria o texto dizer algo como “Ao passo que aprendemos a falar…, não nos damos conta”, o que sugere contraste, e não causa. Erro: troca de sentido causal por adversativo.
“Logo que” indica tempo (“assim que”, “tão logo”). A frase passaria a significar “Assim que aprendemos a falar…, não nos damos conta”, que não é a ideia original (a causa é o fato de aprender sem esforço, não o momento em que se aprende). Erro: troca por sentido temporal.
“Não obstante” é uma conjunção concessiva (“apesar de”, “embora”). Substituir “Como” por “Não obstante” inverteria a relação lógica: passaria a ideia de que, apesar de aprendermos a falar com facilidade, não nos damos conta do prodígio – o que contradiz o texto, que afirma justamente que por causa desse aprendizado fácil não nos damos conta. Erro: troca por sentido concessivo (inverte a relação de causa).
“Tal qual” expressa comparação (“assim como”, “do mesmo modo que”). A frase ficaria sem nexo: “Tal qual aprendemos a falar…, não nos damos conta” – falta um termo comparado. Além disso, a relação causal desaparece. Erro: troca por sentido comparativo.
A banca testa se o aluno reconhece o valor semântico das conjunções. O erro mais comum é confundir “Como” causal com “Como” comparativo. No texto, o contexto deixa claro que é causa (a facilidade de aprender é a razão de não percebermos o prodígio). Memorize os principais conectivos de cada circunstância: causal, temporal, concessiva, comparativa, adversativa etc.
Leia o período completo sempre que uma questão pedir substituição de conectivo. Pergunte: “que relação a conjunção original estabelece?” (causa, tempo, condição…). Depois, teste mentalmente cada alternativa no lugar; a única que mantiver a mesma relação e fizer sentido lógico será a correta.
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