Em relação ao transtorno factício ou síndrome de Munchausen, que, na avaliação pericial, deve ser diferenciado da simulação, assinale a opção correta.
AEm pessoas que apresentam transtorno factício, a motivação para a produção de sintomas consiste em um desejo consciente de assumir o papel de doente.
BAssim como se verifica em pacientes com transtorno factício, em caso de síndrome de Briquet, os sintomas são produzidos de forma involuntária.
CO transtorno factício costuma ter um bom prognóstico.
DA presença de um ganho externo, como aposentadoria, é um critério necessário ao diagnóstico de transtorno factício.
ENessa condição médica, os pacientes submetem-se a um maior risco de iatrogenia ao acessarem os serviços de saúde.
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GabaritoE — Nessa condição médica, os pacientes submetem-se a um maior risco de iatrogenia ao acessarem os serviços de saúde.
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Transtorno factício (síndrome de Munchausen) versus simulação
Gabarito: letra E. No transtorno factício, os pacientes produzem intencionalmente sintomas físicos ou psicológicos para assumir o papel de doente (motivação interna), diferentemente da simulação, em que há ganho externo consciente (ex.: aposentadoria, evitar trabalho). Essa condição leva a repetidas consultas, internações e procedimentos, aumentando significativamente o risco de iatrogenia – a alternativa E descreve corretamente esse fato.
A banca testa o conhecimento das diferenças entre transtorno factício, simulação e outros transtornos somatoformes. Vamos analisar cada alternativa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a motivação é um "desejo consciente" de assumir o papel de doente. No transtorno factício, embora a produção de sintomas seja intencional (voluntária), a motivação subjacente é inconsciente – o paciente não tem plena consciência do porquê de seu comportamento. Já na simulação, a motivação é consciente e dirigida a incentivos externos (DSM-5). Portanto, a alternativa troca o caráter da motivação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Equipara a produção de sintomas no transtorno factício (voluntária) com a síndrome de Briquet (transtorno de somatização), na qual os sintomas são involuntários. No transtorno factício, o paciente deliberadamente finge ou provoca os sintomas; na somatização, não há intencionalidade. A afirmação inverte essa característica fundamental.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O transtorno factício tem prognóstico reservado. Os pacientes geralmente não aderem ao tratamento psiquiátrico, persistem no comportamento de falsificação e estão sujeitos a complicações iatrogênicas. Não se pode afirmar que o prognóstico seja bom.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Ganho externo (como aposentadoria) é um critério diagnóstico exclusivo da simulação, não do transtorno factício. No transtorno factício, o ganho é interno (assumir o papel de doente) e não há evidência de incentivos externos. A presença de ganho externo, ao contrário, afasta o diagnóstico de transtorno factício.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Pacientes com transtorno factício frequentemente se submetem a múltiplos exames, cirurgias e internações desnecessárias, aumentando o risco de complicações médicas (iatrogenia). Essa é uma característica clássica da síndrome de Munchausen, sendo corretamente apontada na alternativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre motivação consciente/inconsciente e produção voluntária/involuntária. No transtorno factício, a produção é intencional, mas a motivação é interna e inconsciente – não confunda com a simulação, em que tudo é consciente e voltado a ganhos externos. Lembre-se: transtorno factício = “doença artificial” sem objetivo material; simulação = “fingimento” com objetivo concreto.
Para fixar, veja a comparação:
Aspecto
Transtorno factício
Simulação
Produção de sintomas
Intencional (voluntária)
Intencional
Motivação
Interna (assumir papel de doente), geralmente inconsciente