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Questão de Medicina Legal — Psiquiatria Forense — CESPE / CEBRASPE 2022

Medicina LegalPsiquiatria Forense
Código
ce139678
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-PB
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Perito Oficial Médico-Legal - Área: Psiquiatria
Em relação ao transtorno factício ou síndrome de Munchausen, que, na avaliação pericial, deve ser diferenciado da simulação, assinale a opção correta.
  1. AEm pessoas que apresentam transtorno factício, a motivação para a produção de sintomas consiste em um desejo consciente de assumir o papel de doente.
  2. BAssim como se verifica em pacientes com transtorno factício, em caso de síndrome de Briquet, os sintomas são produzidos de forma involuntária.
  3. CO transtorno factício costuma ter um bom prognóstico.
  4. DA presença de um ganho externo, como aposentadoria, é um critério necessário ao diagnóstico de transtorno factício.
  5. ENessa condição médica, os pacientes submetem-se a um maior risco de iatrogenia ao acessarem os serviços de saúde.
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GabaritoE — Nessa condição médica, os pacientes submetem-se a um maior risco de iatrogenia ao acessarem os serviços de saúde.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transtorno factício (síndrome de Munchausen) versus simulação

Gabarito: letra E. No transtorno factício, os pacientes produzem intencionalmente sintomas físicos ou psicológicos para assumir o papel de doente (motivação interna), diferentemente da simulação, em que há ganho externo consciente (ex.: aposentadoria, evitar trabalho). Essa condição leva a repetidas consultas, internações e procedimentos, aumentando significativamente o risco de iatrogenia – a alternativa E descreve corretamente esse fato.

A banca testa o conhecimento das diferenças entre transtorno factício, simulação e outros transtornos somatoformes. Vamos analisar cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a motivação é um "desejo consciente" de assumir o papel de doente. No transtorno factício, embora a produção de sintomas seja intencional (voluntária), a motivação subjacente é inconsciente – o paciente não tem plena consciência do porquê de seu comportamento. Já na simulação, a motivação é consciente e dirigida a incentivos externos (DSM-5). Portanto, a alternativa troca o caráter da motivação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Equipara a produção de sintomas no transtorno factício (voluntária) com a síndrome de Briquet (transtorno de somatização), na qual os sintomas são involuntários. No transtorno factício, o paciente deliberadamente finge ou provoca os sintomas; na somatização, não há intencionalidade. A afirmação inverte essa característica fundamental.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O transtorno factício tem prognóstico reservado. Os pacientes geralmente não aderem ao tratamento psiquiátrico, persistem no comportamento de falsificação e estão sujeitos a complicações iatrogênicas. Não se pode afirmar que o prognóstico seja bom.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Ganho externo (como aposentadoria) é um critério diagnóstico exclusivo da simulação, não do transtorno factício. No transtorno factício, o ganho é interno (assumir o papel de doente) e não há evidência de incentivos externos. A presença de ganho externo, ao contrário, afasta o diagnóstico de transtorno factício.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Pacientes com transtorno factício frequentemente se submetem a múltiplos exames, cirurgias e internações desnecessárias, aumentando o risco de complicações médicas (iatrogenia). Essa é uma característica clássica da síndrome de Munchausen, sendo corretamente apontada na alternativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre motivação consciente/inconsciente e produção voluntária/involuntária. No transtorno factício, a produção é intencional, mas a motivação é interna e inconsciente – não confunda com a simulação, em que tudo é consciente e voltado a ganhos externos. Lembre-se: transtorno factício = “doença artificial” sem objetivo material; simulação = “fingimento” com objetivo concreto.

Para fixar, veja a comparação:

Aspecto

Transtorno factício

Simulação

Produção de sintomas

Intencional (voluntária)

Intencional

Motivação

Interna (assumir papel de doente), geralmente inconsciente

Externa (ganho financeiro, evitar trabalho, etc.), consciente

Prognóstico

Reservado

Variável (depende do contexto)

Risco de iatrogenia

Alto

Baixo (se não houver procedimentos)

Gabarito: letra E

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