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Questão de Legislação Penal Especial — Lei de Organização Criminosa – Lei nº 12.850 de 2013 — CESPE / CEBRASPE 2022

Legislação Penal EspecialLei de Organização Criminosa – Lei nº 12.850 de 2013
Código
ce139829
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-RJ
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia
A autoridade policial, no curso de uma investigação de crime de organização criminosa do art. 2.º da Lei n.º 12.850/2013, formula requisição direta a provedor de conexão, com fundamento no art. 15 dessa mesma lei, para o fornecimento de dados cadastrais vinculados a determinado endereço de Internet Protocol e da porta lógica, em datas e horários especificados, sobretudo de informações sobre o nome completo do usuário, a filiação, as contas de email associadas e demais dados existentes. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.
  1. AO direito à proteção dos dados pessoais nos meios digitais não está expressamente previsto na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
  2. BAs contas do email são abrangidas pela definição de dados cadastrais que não são protegidos pelo direito à privacidade.
  3. CO pedido final de “demais dados existentes” não ofende o direito à privacidade.
  4. DA obtenção de dados pessoais do investigado por meio de fontes abertas se sujeita sempre ao princípio da reserva da jurisdição.
  5. EA integridade da prova digital diz respeito à garantia da não alteração do dado coletado durante o tratamento e assegura a possibilidade do exercício da ampla defesa e do contraditório por parte do investigado na persecução criminal.
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GabaritoE — A integridade da prova digital diz respeito à garantia da não alteração do dado coletado durante o tratamento e assegura a possibilidade do exercício da ampla defesa e do contraditório por parte do investigado na persecução criminal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lei de Organização Criminosa – Dados Cadastrais e Prova Digital

Gabarito: letra E. A integridade da prova digital é requisito fundamental para garantir que os dados coletados não sofram alteração durante o tratamento, assegurando ao investigado o exercício da ampla defesa e do contraditório, conforme princípios gerais do processo penal e da prova digital. As demais alternativas apresentam incompreensões sobre o alcance dos dados cadastrais, a proteção constitucional da privacidade e a reserva de jurisdição.

A questão aborda a requisição de dados pelo delegado de polícia com base no art. 15 da Lei nº 12.850/2013, que permite a solicitação de dados cadastrais (inclusive os relativos a conexão) sem autorização judicial. Contudo, dados de conteúdo (como emails) ou requisições genéricas extrapolam esse permissivo e exigem ordem judicial. A prova digital, uma vez coletada, deve ter sua integridade preservada para viabilizar o contraditório.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o direito à proteção dos dados pessoais nos meios digitais não está expressamente previsto na Constituição Federal de 1988. Errado. A CF/88, em seu art. 5º, incisos X e XII, protege a intimidade, a vida privada e o sigilo das comunicações de dados. Além disso, a Emenda Constitucional nº 115/2022 acrescentou o inciso LXXIX ao art. 5º, assegurando expressamente o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais. Portanto, há previsão constitucional expressa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que as contas de email são abrangidas pela definição de dados cadastrais não protegidos pelo direito à privacidade. Errado. Dados cadastrais são informações básicas (nome, filiação, endereço) que identificam o usuário. As contas de email, embora o endereço em si possa ser considerado dado cadastral, não se limitam a isso: o conteúdo dos emails é protegido pelo sigilo das comunicações (CF, art. 5º, XII). Requerer emails exige autorização judicial, não se enquadrando no art. 15 da Lei 12.850/2013. Além disso, o direito à privacidade incide sobre tais dados.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Considera que o pedido de “demais dados existentes” não ofende o direito à privacidade. Errado. A requisição deve ser específica e fundamentada; pedidos genéricos como “demais dados existentes” violam o princípio da proporcionalidade e a proteção à privacidade, pois permitem acesso irrestrito a informações que podem não ser pertinentes à investigação. A Lei 12.850/2013, em seu art. 15, exige que os dados sejam necessários para a investigação, o que impede cláusulas abertas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Alega que a obtenção de dados pessoais por meio de fontes abertas se sujeita sempre ao princípio da reserva da jurisdição. Errado. Reserva de jurisdição (exigência de autorização judicial) aplica-se a medidas invasivas, como interceptações telefônicas, busca e apreensão domiciliar, etc. Dados disponíveis em fontes abertas (redes sociais públicas, registros públicos) não exigem autorização judicial, pois são acessíveis a qualquer pessoa. O princípio não incide nesses casos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Define corretamente a integridade da prova digital como a garantia de não alteração dos dados coletados durante o tratamento, assegurando a ampla defesa e o contraditório. De fato, a cadeia de custódia e a manutenção da integridade (hashes, registros de acesso) são essenciais para que o investigado possa questionar a autenticidade e a fidelidade da prova. Sem essa garantia, a prova digital perde validade e compromete o direito de defesa.

Gabarito: letra E.

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