Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce140031
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-RO
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Datiloscopista Policial

Texto CG1A1-I


  Na segunda metade do século XVIII, eclodiram protestos contra os suplícios por toda a Europa. Esses eram formas de punição que podem ser definidas como penas aplicadas sobre o corpo do condenado, num ritual geralmente ostentoso e cruel. Nessa época, começava-se a crer que era preciso punir de outro modo, de forma que a justiça penal aplicasse punições sem se vingar. Essa mudança no modo de punir, entretanto, não se deveu tanto a um sentimento de humanidade, de piedade para com o acusado. Vários fatores, especialmente de caráter econômico, contribuíram para que os suplícios fossem deixados de lado e substituídos pela prisão. 

   A partir do século XVIII, ocorreu uma diminuição dos crimes de sangue na Europa, e passaram a prevalecer os delitos praticados contra a propriedade, como roubos e fraudes fiscais. Portanto, houve uma suavização dos crimes antes de uma suavização das leis, que se tornaram mais leves para corresponder à diminuição da gravidade dos delitos cometidos.

   Além disso, no século XVIII se modificou também o sistema econômico europeu. A Europa deixou de ser feudal e tornou-se industrial. A prisão, como castigo institucionalizado pelo Direito Penal, apareceu nesse contexto para regulamentar o mercado de trabalho, a produção e o consumo de bens, e para proteger a propriedade da classe social dominante.

   A prisão foi idealizada, naquele momento histórico, como forma de disciplinar os delinquentes. O corpo do condenado não poderia mais ser desperdiçado pelo suplício, mas deveria servir às demandas de trabalho das fábricas. A finalidade da prisão era suprir a necessidade das indústrias incipientes, e expressava, assim, uma resposta à necessidade de utilização racional e intensa do trabalho humano. A economia industrial necessitava da conservação e mantença da eventual mão-de-obra. Percebeu-se, nesse momento, que vigiar é mais rentável e eficaz do que punir. 


Mariana de Mello Arrigoni. A prisão: reflexão crítica a partir de suas origens. In: História e Teorias Críticas do Direito. Jacarezinho – PR: UENP, 2018, p. 148-64 (com adaptações). 

Imagem associada para resolução da questãoNo trecho “Portanto, houve uma suavização dos crimes antes de uma suavização das leis, que se tornaram mais leves para equilibrar a diminuição da gravidade dos delitos cometidos.” (segundo parágrafo do texto CG1A1-I), o termo “que”
  1. Aacrescenta ênfase ao sentido de “suavização”.
  2. Bintroduz aposto que explica “suavização das leis”.
  3. Cretoma o sentido de toda a oração anterior.
  4. Drefere-se a “leis” e inicia oração de função adjetiva.
  5. Eretoma, por coesão, “suavização dos crimes”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — introduz aposto que explica “suavização das leis”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática do pronome relativo 'que'

Gabarito: letra B. O termo 'que' introduz uma oração subordinada adjetiva explicativa que funciona como um aposto explicativo do termo antecedente 'suavização das leis'. A estrutura 'que se tornaram mais leves...' acrescenta uma informação acessória sobre o substantivo 'suavização das leis', caracterizando-a, o que configura a função de aposto explicativo dentro da sintaxe do período.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O 'que' é um pronome relativo, não um advérbio ou partícula de realce. Ele não possui a função de enfatizar o sentido de 'suavização', mas sim de conectar a oração adjetiva ao seu antecedente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O termo 'que' inicia uma oração subordinada adjetiva explicativa (marcada pela vírgula anterior). Essa oração exerce papel de aposto explicativo, detalhando ou esclarecendo o conteúdo do termo 'suavização das leis'.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pronome relativo 'que' retoma apenas o seu antecedente imediato ('suavização das leis'), e não toda a oração anterior ('Portanto, houve uma suavização dos crimes antes de uma suavização das leis').

Alternativa D — ❌ Incorreta

Embora o 'que' se refira a 'leis' (ou, mais precisamente, à 'suavização das leis'), a classificação da oração é adjetiva, e não apenas 'de função adjetiva'. O erro aqui é técnico: a banca considera a estrutura como um aposto explicativo, tornando a alternativa B mais precisa e completa conforme o gabarito oficial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O antecedente do pronome relativo 'que' é 'suavização das leis', e não 'suavização dos crimes'. O texto estabelece uma relação de sucessão entre esses dois eventos, mas o pronome retoma apenas o termo que o precede imediatamente.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que encontrar um 'que' após um substantivo, teste a substituição por 'o qual/a qual'. Se couber, é pronome relativo. A oração que ele inicia sempre terá valor adjetivo, podendo ser restritiva ou explicativa (se houver vírgula).

Link permanente: /questoes/ce140031