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Questão de Direito Processual Penal — Competência no Processo Penal — CESPE / CEBRASPE 2022

Direito Processual PenalCompetência no Processo Penal
Código
ce140110
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-RO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia
Foi instaurado inquérito policial para apurar desvio de verbas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), tendo o juízo estadual de Rondônia deferido o pedido de interceptação telefônica dos suspeitos.Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta de acordo com o entendimento do STJ e do Supremo Tribunal Federal (STF).
  1. ANesse caso, o STJ aceita a aplicação da teoria do juízo aparente para ratificar medidas cautelares no curso do inquérito policial quando autorizadas por juízo aparentemente competente.
  2. BSe for declarada a incompetência absoluta do juízo estadual, as medidas cautelares decretadas deverão ser consideradas nulas de pleno direito.
  3. CPara o STJ, a competência, nesse caso, será definida a depender da circunstância, ou seja, caso o fato se refira a repasse fundo a fundo ou a convênio.
  4. DPara o STF, as provas colhidas ou autorizadas por juízo aparentemente competente à época da autorização ou da produção são insuscetíveis de ratificação, caso o juízo, posteriormente, seja considerado incompetente.
  5. EAo juízo estadual de Rondônia é vedado, para justificar a quebra do sigilo das comunicações telefônicas, valer-se do uso da motivação per relationem.
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GabaritoA — Nesse caso, o STJ aceita a aplicação da teoria do juízo aparente para ratificar medidas cautelares no curso do inquérito policial quando autorizadas por juízo aparentemente competente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Teoria do juízo aparente e competência no processo penal

Gabarito: letra A. O STJ e o STF aceitam a teoria do juízo aparente para ratificar medidas cautelares autorizadas por juiz que, no momento da decisão, era aparentemente competente, ainda que depois se descubra a incompetência absoluta. Isso se aplica ao caso de desvio de verbas do SUS, onde a competência pode ser da Justiça Federal, mas as interceptações deferidas pelo juízo estadual são válidas se baseadas nas informações disponíveis à época.

A banca testa o conhecimento da jurisprudência consolidada sobre a validade de atos praticados por juízo incompetente, especialmente na fase investigatória. A teoria do juízo aparente é uma exceção à regra geral de que a incompetência absoluta anula os atos decisórios (Art. 567 do CPP).

Art. 567CPP

Art. 567 — "A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente."

A jurisprudência, contudo, mitiga essa regra quando o juiz era aparentemente competente no momento da prática do ato, preservando as provas colhidas.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reproduz exatamente o entendimento pacífico dos tribunais superiores. A teoria do juízo aparente permite que medidas cautelares (como interceptações telefônicas) deferidas por um juiz que, à época, era o competente aparente, sejam ratificadas e consideradas válidas, mesmo que posteriormente se declare a incompetência do juízo. Essa é uma construção jurisprudencial para evitar o prejuízo à investigação quando há alteração superveniente da competência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que as medidas cautelares seriam nulas de pleno direito. Isso contraria a teoria do juízo aparente. O STJ e o STF reconhecem que, se o juiz era aparentemente competente no momento da decisão, os atos não são nulos, podendo ser ratificados pelo juízo competente. A nulidade por incompetência absoluta incide sobre atos decisórios, mas com a ressalva do juízo aparente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que a competência depende de o repasse ser fundo a fundo ou por convênio. O STJ, na Súmula 246, já firmou que compete à Justiça Federal processar e julgar crimes de desvio de verbas federais, independentemente da forma de repasse (fundo a fundo ou convênio). Portanto, a distinção sugerida não é relevante para definir a competência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sustenta que as provas colhidas por juízo aparentemente competente são insuscetíveis de ratificação. Isso é o oposto da teoria do juízo aparente. O STF admite a ratificação dos atos, desde que o juiz à época fosse o competente aparente. A alternativa inverte o entendimento consolidado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que é vedado ao juízo estadual usar a motivação per relationem (adoção de fundamentos de outra decisão) para justificar a quebra de sigilo telefônico. O STF, no julgamento da ADI 4.390, e em diversos precedentes, permite a motivação per relationem em decisões judiciais, desde que haja referência mínima aos elementos que a justifiquem. Não há vedação específica para o juízo estadual nesse contexto.

Gabarito: letra A.

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