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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce140225
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-RO
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Escrivão de Polícia

Texto CG2A1-I


   Direito e justiça são conceitos que se entrelaçam, a tal ponto de serem considerados uma só coisa pela consciência social. Fala-se no direito com o sentido de justiça, e vice-versa. Sabe-se, entretanto, que nem sempre eles andam juntos. Nem tudo o que é direito é justo e nem tudo o que é justo é direito. Isso acontece porque a ideia de justiça engloba valores inerentes ao ser humano, transcendentais, como a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a dignidade, a equidade, a honestidade, a moralidade, a segurança, enfim, tudo aquilo que vem sendo chamado de direito natural desde a Antiguidade. O direito, por seu turno, é uma invenção humana, um fenômeno histórico e cultural concebido como técnica para a pacificação social e a realização da justiça.

   Em suma, enquanto a justiça é um sistema aberto de valores, em constante mutação, o direito é um conjunto de princípios e regras destinado a realizá-la. E nem sempre o direito alcança esse desiderato, quer por não ter acompanhado as transformações sociais, quer pela incapacidade daqueles que o conceberam, quer, ainda, por falta de disposição política para implementá-lo, tornando-se, por isso, um direito injusto.

   É possível dizer que a justiça está para o direito como o horizonte está para cada um de nós. Quanto mais caminhamos em direção ao horizonte — dez passos, cem passos, mil passos —, mais ele se afasta de nós, na mesma proporção. Nem por isso o horizonte deixa de ser importante, porque é ele que nos permite caminhar. De maneira análoga, o direito, na permanente busca da justiça, está sempre caminhando, em constante evolução.

   Nesse compasso, a finalidade da justiça é a transformação social, a construção de uma sociedade justa, livre, solidária e fraterna, sem preconceitos, sem pobreza e sem desigualdades sociais. A criação de um direito justo, com efetivo poder transformador da sociedade, entretanto, não é obra apenas do legislador, mas também, e principalmente, de todos os operadores do direito, de sorte que, se ainda não temos uma sociedade justa, é porque temos falhado nessa sagrada missão de bem interpretar e aplicar o direito.

Sergio Cavalieri Filho. Direito, justiça e sociedade. In: Revista da EMERJ, v. 5, n.º 8, 2002, p. 58-60 (com adaptações). 

No que se refere à tipologia, o texto CG2A1-I é predominantemente
  1. Adissertativo-argumentativo.
  2. Bdescritivo.
  3. Cdissertativo-expositivo.
  4. Dnarrativo.
  5. Einjuntivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — dissertativo-expositivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: dissertativo-expositivo

Gabarito: Alternativa C. O texto CG2A1-I é predominantemente dissertativo-expositivo, pois seu foco é explicar e esclarecer os conceitos de direito e justiça, suas relações e diferenças, sem que haja uma defesa ostensiva de uma tese ou tentativa principal de convencer o leitor. Embora existam traços argumentativos pontuais (especialmente no último parágrafo), a estrutura central é de exposição de ideias.

Trecho exemplar: "Direito e justiça são conceitos que se entrelaçam... Sabe-se, entretanto, que nem sempre eles andam juntos. Nem tudo o que é direito é justo e nem tudo o que é justo é direito." — O autor apresenta definições e uma constatação, sem engajar em debate.

Analogia explicativa: "É possível dizer que a justiça está para o direito como o horizonte está para cada um de nós... De maneira análoga, o direito, na permanente busca da justiça, está sempre caminhando..." — Recurso típico de texto expositivo para clarificar conceitos.

A passagem final, que afirma "se ainda não temos uma sociedade justa, é porque temos falhado nessa sagrada missão de bem interpretar e aplicar o direito", tem um tom de opinião, mas não configura predomínio argumentativo, pois o texto como um todo prioriza a exposição.


1Dissertativo-argumentativo
Defesa de tese
Persuadir o leitor
2Dissertativo-expositivo
Explicar/esclarecer conceitos
Linguagem impessoal
Predomínio no texto
3Descritivo
Minúcia sensorial
Objetos/pessoas/cenários
4Narrativo
Sequência de fatos
Personagens/tempo
5Injuntivo
Instrução/ordem
Verbo no imperativo
Tipologia textual
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Tipologia textual: Dissertativo-argumentativo (Defesa de tese, Persuadir o leitor); Dissertativo-expositivo (Explicar/esclarecer conceitos, Linguagem impessoal, Predomínio no texto); Descritivo (Minúcia sensorial, Objetos/pessoas/cenários); Narrativo (Sequência de fatos, Personagens/tempo); Injuntivo (Instrução/ordem, Verbo no imperativo)

Alternativa A — ❌ Incorreta (dissertativo-argumentativo)

O texto não se estrutura em torno da defesa de uma tese com argumentos para persuadir. A maior parte é explicativa, e os pontos de opinião são secundários. O erro é generalização: a banca tenta confundir a existência de opinião com predomínio argumentativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta (descritivo)

O texto não descreve minuciosamente objetos, pessoas ou cenários. Há apenas uma analogia (horizonte), mas o foco não é a descrição sensorial. Fora do escopo: o texto é conceitual, não descritivo.

Alternativa C — ✅ Correta (dissertativo-expositivo) ⟵ GABARITO

Como demonstrado, o texto explica conceitos, estabelece relações, faz comparações e utiliza linguagem clara e impessoal na maior parte. A intenção principal é informar/esclarecer, não convencer. A própria estrutura (introdução, desenvolvimento com comparação, conclusão reflexiva) é típica da dissertação expositiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta (narrativo)

Não há progressão temporal, personagens, enredo ou marcadores de tempo. O texto não conta uma história. Erro de classificação: confunde gênero (artigo de opinião) com tipologia narrativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta (injuntivo)

Não há instruções, ordens, conselhos ou verbos no imperativo. O texto é reflexivo, não prescritivo. Contradiz o texto: o texto não visa orientar uma ação.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia predominante, pergunte-se: qual é o principal objetivo do autor? Explicar (expositivo), defender um ponto de vista (argumentativo), contar uma história (narrativo), descrever (descritivo) ou instruir (injuntivo). No texto acima, predomina a exposição.

Gabarito: letra C

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