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Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — CESPE / CEBRASPE 2022

Medicina LegalTanatologia Forense
Código
ce140283
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-RO
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Médico-Legista
Assinale a opção correta sobre fenômenos cadavéricos.
  1. AA mancha verde abdominal é resultado da reação entre hidrogênio sulfurado e sulfoxiemoglobina.
  2. BNo Brasil, comumente, o resfriamento cadavérico é de 1º C nas três primeiras horas e, posteriormente, de 2º C por hora até o restabelecimento do equilíbrio térmico com o meio ambiente.
  3. CO Teste Icard permite verificar se os gases presentes no cadáver originaram-se do processo de putrefação, já que, quando o gás reage com papel impregnado de acetato de chumbo, ele fica com a cor negra.
  4. DA cabeça de negro de Lecha-Marzo ocorre frequentemente nos indivíduos carbonizados.
  5. ENo processo de putrefação, a temperatura entre 5º C e 10º C tendem a conservar o cadáver por cerca de 48 horas.
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GabaritoC — O Teste Icard permite verificar se os gases presentes no cadáver originaram-se do processo de putrefação, já que, quando o gás reage com papel impregnado de acetato de chumbo, ele fica com a cor negra.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fenômenos cadavéricos: putrefação e seus sinais

Gabarito: letra C. O Teste de Icard é um procedimento utilizado na tanatologia para confirmar a origem dos gases da putrefação: ao entrar em contato com papel impregnado de acetato de chumbo, o gás sulfídrico (H₂S) produz sulfeto de chumbo, que tem coloração negra. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a mancha verde abdominal, o resfriamento cadavérico, a cabeça de negro e a influência da temperatura na putrefação.

A tanatologia forense estuda os fenômenos cadavéricos, que são as transformações que o corpo sofre após a morte. Esses fenômenos podem ser abióticos (ou vitais) e transformativos (ou destrutivos). Os fenômenos abióticos incluem a desidratação, o resfriamento (algor mortis), a rigidez (rigor mortis) e a lividez (livor mortis). Já os fenômenos transformativos incluem a autólise e a putrefação, que é o processo de decomposição da matéria orgânica por ação de bactérias e enzimas.

A putrefação é um processo que ocorre em fases: coloração (mancha verde abdominal), enfisematosa (gases), coliquativa (liquefação) e esqueletização. O Teste de Icard é um método para verificar se os gases presentes no cadáver são realmente decorrentes da putrefação, distinguindo-os de gases que poderiam ter outra origem, como os de uma perfuração acidental. O gás sulfídrico (H₂S), produzido na putrefação, reage com o acetato de chumbo, formando sulfeto de chumbo (PbS), que é um composto de cor negra.

A mancha verde abdominal, por sua vez, é um dos primeiros sinais de putrefação e surge na fossa ilíaca direita, devido à ação de bactérias intestinais que produzem gás sulfídrico. Esse gás reage com a hemoglobina do sangue, formando a sulfemoglobina (ou sulfometemoglobina), que confere a coloração esverdeada à pele. A alternativa A erra ao mencionar "sulfoxiemoglobina", que não é o composto formado nessa reação.

O resfriamento cadavérico (algor mortis) é um fenômeno abiótico que ocorre pela cessação da produção de calor e pela perda de calor para o ambiente. A velocidade de resfriamento não é constante e depende de fatores como a diferença de temperatura entre o corpo e o meio, a massa corporal, a vestimenta e a umidade. A alternativa B apresenta valores numéricos que não correspondem à realidade, pois o resfriamento não segue uma taxa fixa de 1°C nas primeiras horas e 2°C por hora posteriormente.

A "cabeça de negro" de Lecha-Marzo é um fenômeno que ocorre em cadáveres queimados, mas não é frequente em todos os casos de carbonização. Ela se caracteriza pela formação de uma massa de cor escura na região da cabeça, devido à ação do calor sobre o crânio e o conteúdo intracraniano. A alternativa D erra ao afirmar que ocorre "frequentemente" em todos os carbonizados, pois sua ocorrência depende de condições específicas, como a intensidade e a duração do calor.

A temperatura ambiente influencia diretamente a velocidade da putrefação. Temperaturas entre 5°C e 10°C retardam o processo, mas não o conservam por cerca de 48 horas. A alternativa E erra ao afirmar que essa faixa de temperatura conserva o cadáver por esse período, pois a conservação prolongada ocorre em temperaturas mais baixas, próximas ao congelamento.

Fenômenos cadavéricos
  • 1Abióticos
    • Resfriamento (algor mortis)
    • Rigidez (rigor mortis)
    • Lividez (livor mortis)
    • Desidratação
  • 2Transformativos
    • Autólise
    • Putrefação
      • Coloração (mancha verde)
      • Enfisematosa (gases)
      • Coliquativa (liquefação)
      • Esqueletização
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A mancha verde abdominal é resultado da reação entre o gás sulfídrico (H₂S) e a hemoglobina, formando sulfemoglobina (ou sulfometemoglobina), que tem coloração esverdeada. A alternativa troca o composto formado por "sulfoxiemoglobina", que não existe nesse contexto. A sulfemoglobina é o pigmento que dá a cor verde à mancha, e não a sulfoxiemoglobina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O resfriamento cadavérico não segue uma taxa fixa de 1°C nas três primeiras horas e 2°C por hora posteriormente. A velocidade de resfriamento é variável e depende de fatores como a diferença de temperatura entre o corpo e o ambiente, a massa corporal, a vestimenta e a umidade. A alternativa apresenta valores numéricos que não correspondem à realidade, pois o resfriamento não é linear e não obedece a essa regra.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O Teste de Icard é um método para verificar se os gases presentes no cadáver são decorrentes da putrefação. O gás sulfídrico (H₂S), produzido na putrefação, reage com o papel impregnado de acetato de chumbo, formando sulfeto de chumbo (PbS), que tem coloração negra. Essa reação confirma a origem dos gases, distinguindo-os de gases que poderiam ter outra origem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A "cabeça de negro" de Lecha-Marzo é um fenômeno que ocorre em cadáveres queimados, mas não é frequente em todos os casos de carbonização. Ela se caracteriza pela formação de uma massa de cor escura na região da cabeça, devido à ação do calor sobre o crânio e o conteúdo intracraniano. A alternativa erra ao afirmar que ocorre "frequentemente" em todos os carbonizados, pois sua ocorrência depende de condições específicas, como a intensidade e a duração do calor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A temperatura ambiente influencia diretamente a velocidade da putrefação. Temperaturas entre 5°C e 10°C retardam o processo, mas não o conservam por cerca de 48 horas. A conservação prolongada ocorre em temperaturas mais baixas, próximas ao congelamento. A alternativa erra ao afirmar que essa faixa de temperatura conserva o cadáver por esse período.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os compostos formados na mancha verde abdominal (alternativa A) e a generalização da ocorrência da cabeça de negro (alternativa D). Na mancha verde, o composto é a sulfemoglobina, não a "sulfoxiemoglobina". Na cabeça de negro, a ocorrência não é frequente em todos os carbonizados, mas sim em condições específicas de exposição ao calor. Fique atento a esses detalhes para não cair nessas armadilhas.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os fenômenos cadavéricos, organize-os em uma tabela:

Fenômeno

Característica

Mancha verde abdominal

Reação do H₂S com hemoglobina → sulfemoglobina

Teste de Icard

H₂S + acetato de chumbo → sulfeto de chumbo (negro)

Cabeça de negro

Massa escura na cabeça em carbonizados

Resfriamento

Velocidade variável, não linear

Gabarito: letra C.

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