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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsPontuação
Código
ce140388
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-RO
Ano
2022
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Necropsia

Texto CG4A1-II


        Em 13 de maio de 1888, o Estado brasileiro aboliu oficialmente a escravidão clássica, com a assinatura, pela princesa Isabel, da Lei Áurea. Entretanto, tal ato estatal não significou sua extinção no mundo dos fatos, pois, apesar da proibição da possibilidade jurídica de se exercer o direito de propriedade sobre uma pessoa humana, o Estado deixou de implementar reformas sociais, principalmente fundiárias e de inclusão social, que viabilizassem a reconstrução do país e, assim, a superação do problema, especialmente o da reinserção da mão de obra outrora escrava no mercado de trabalho livre e assalariado.

         No período pós-abolição da escravidão clássica, as condições de miserabilidade dos escravos recém-libertos permaneceram, especialmente pelo fato de os postos de trabalho assalariados serem destinados aos imigrantes europeus, conjuntura essa que desenhava o perfil da escravidão contemporânea. A fragilidade das leis que regulavam as relações de trabalho, à época, apesar de protagonizarem a “liberdade de contratar”, sucumbia à realidade dos fatos, que submetia os ex-escravos e demais campesinos vulneráveis à sujeição às mesmas condições de exploração exacerbada do escravismo clássico colonial.

         De forma semelhante ao retrato da escravidão do passado, a escravidão contemporânea consiste em grave violação a direitos fundamentais, ao limitar a liberdade da pessoa humana do trabalhador, atingindo-lhe o status libertatis e, com efeito, a sua dignidade. Vilipendia direitos mínimos e caros à autodeterminação humana e viola valores e princípios sagrados e essenciais à sobrevivência distintiva com relação aos seres irracionais e que alicerçam as balizas mínimas de dignidade.

         A escravidão contemporânea deve ser concebida como a coisificação, o uso e o descarte de seres humanos: o limite e o instrumento necessários para garantir o lucro máximo. Trata-se da superexploração gananciosa do homem pela forma mais indigna possível: na escravidão dos dias atuais, o ser humano é transformado em propriedade do seu semelhante, que está em uma posição de classe economicamente superior – e isso ocorre a tal ponto que se anula o poder deliberativo da sua função de trabalhador: ele pode até ter vontades, mas não pode realizá-las.

Internet:<https://acervo.socioambiental.org>(com adaptações).  

Estariam mantidos a correção gramatical e os sentidos do texto caso o sinal de dois pontos empregado após “trabalhador” (último parágrafo do texto CG4A1-II) fosse substituído por uma vírgula seguida da expressão
  1. Apor quê.
  2. Bporque.
  3. Cassim.
  4. Dconquanto.
  5. Epor isso.
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GabaritoB — porque.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição dos dois pontos por vírgula + expressão – valor explicativo

Gabarito: B. A substituição do sinal de dois pontos por vírgula seguida da conjunção "porque" mantém a correção gramatical e o sentido original do texto. No trecho final do último parágrafo, os dois pontos após "trabalhador" introduzem uma explicação do que significa anular-se o poder deliberativo:

"se anula o poder deliberativo da sua função de trabalhador: ele pode até ter vontades, mas não pode realizá-las."

A oração que vem depois dos dois pontos esclarece em que consiste essa anulação. A conjunção "porque" é a única entre as opções que pode introduzir uma explicação ou causa – justamente a relação estabelecida pelos dois pontos no original. Assim, a reescrita "...trabalhador, porque ele pode até ter vontades, mas não pode realizá-las" preserva o sentido de explicação e a estrutura sintática.

Substituição dos dois pontos
  • 1Valor original: explicação
  • 2Conjunções
    • porque (explicativa/causal) → GABARITO
    • por quê (final de frase interrogativa)
    • assim (advérbio conclusivo/modo)
    • conquanto (concessiva → subjuntivo)
    • por isso (conclusiva)
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Alternativa A – ❌ Incorreta

"por quê" (separado e acentuado) é usado ao final de frases interrogativas ou após preposição, nunca como conjunção explicativa. Aqui não há pergunta nem preposição que exija essa forma; sua inserção quebraria a gramática e o sentido.

Alternativa B – ✅ Correta ⟵ GABARITO

"porque" é conjunção coordenativa explicativa (ou causal) e pode ligar duas orações, mantendo o valor de explicação presente nos dois pontos. Exemplo no texto: "anula-se o poder deliberativo porque ele pode ter vontades mas não realizá-las" – a relação é plenamente adequada.

Alternativa C – ❌ Incorreta

"assim" é advérbio de modo ou conclusivo. Substituir os dois pontos por "assim" daria à segunda oração um valor de consequência ou modo, diferente da explicação original. O sentido seria alterado: "...trabalhador, assim ele pode ter vontades..." parece indicar que a anulação do poder deliberativo ocorre desse jeito, e não que ela é explicada pelo fato de ele não realizar as vontades.

Alternativa D – ❌ Incorreta

"conquanto" é conjunção concessiva (equivale a "embora"). Introduziria uma ideia de oposição/ressalva que não existe no original. Além disso, exigiria verbo no subjuntivo ("conquanto ele possa..."), o que não ocorre no período original, gerando erro gramatical e mudança de sentido.

Alternativa E – ❌ Incorreta

"por isso" é locução conjuntiva conclusiva (equivale a "portanto"). Indica que a segunda oração é consequência da primeira, enquanto os dois pontos têm valor explicativo. No texto, a anulação do poder deliberativo é o fato de ele ter vontades mas não realizá-las, e não uma consequência separada. Logo, o sentido seria distorcido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os usos de "porque" (explicativo/causal) e "por isso" (conclusivo). Muitos candidatos escolhem "por isso" por achar que indica causa, mas o valor original é de explicação, não de conclusão. Além disso, "por quê" e "conquanto" são distrações óbvias, mas "assim" pode enganar quem não atenta para a diferença entre explicação e consequência.

Gabarito: letra B

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