No que se refere ao uso de neurofármacos, assinale a opção correta.
AEssas substâncias estão geralmente relacionadas ao aumento de serotonina no nucleus accumbens.
BNo tratamento ansiolítico, o risco de dependência deixou de existir com o emprego dos benzodiazepínicos.
CO desenvolvimento de tolerância a barbitúricos é contornado com o emprego de outras classes de depressores do sistema nervoso central.
DO potencial de abuso de uma substância é inversamente proporcional à velocidade de início de sua ação no organismo.
EOs antipsicóticos induzem tolerância a alguns de seus efeitos, embora não causem adição.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Os antipsicóticos induzem tolerância a alguns de seus efeitos, embora não causem adição.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neurofármacos: tolerância, dependência e adição
Gabarito: letra E. Os antipsicóticos (neurolépticos) produzem tolerância a alguns de seus efeitos — notadamente os efeitos sedativos e autonômicos —, mas não geram adição/dependência psíquica, ao contrário de outras classes de psicofármacos. Essa distinção entre tolerância e adição é o núcleo da questão, e a alternativa E a expressa corretamente.
A questão aborda propriedades farmacológicas de diferentes classes de neurofármacos: antidepressivos, ansiolíticos (benzodiazepínicos), barbitúricos, substâncias de abuso e antipsicóticos. O candidato precisa dominar três conceitos interligados: tolerância (necessidade de doses crescentes para manter o mesmo efeito), dependência (física e/ou psíquica) e adição (uso compulsivo, perda de controle). A banca explora justamente a confusão entre esses fenômenos e as particularidades de cada classe.
Vamos analisar cada alternativa:
Neurofármacos
1Antipsicóticos
Tolerância a alguns efeitos
Sedação
Efeitos autonômicos
Não causam adição
Bloqueiam dopamina (D2)
Sem euforia/reforço
2Benzodiazepínicos
Causam tolerância e dependência
3Barbitúricos
Tolerância cruzada com depressores
4Drogas de abuso
Aumentam dopamina no nucleus accumbens
Potencial de abuso ∝ velocidade de ação
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os neurofármacos estão geralmente relacionados ao aumento de serotonina no nucleus accumbens. O erro é duplo: (1) o nucleus accumbens é a principal estrutura do sistema de recompensa cerebral, associada à dopamina, não à serotonina — é o aumento de dopamina nessa região que medeia os efeitos de recompensa e o potencial de abuso de drogas; (2) a serotonina está mais relacionada a outras vias (humor, apetite, sono), sendo alvo de antidepressivos como os ISRS, mas não é o neurotransmissor central do nucleus accumbens. A alternativa confunde o neurotransmissor e a estrutura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que, com os benzodiazepínicos, o risco de dependência deixou de existir no tratamento ansiolítico. Isso é falso: os benzodiazepínicos causam dependência física e psíquica, especialmente em uso prolongado ou em doses altas. O risco é real e bem documentado — por isso são classificados como substâncias controladas (lista B1 da Portaria SVS/MS 344/1998) e seu uso crônico é desaconselhado. A alternativa inverte completamente a realidade clínica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a tolerância a barbitúricos é contornada com o emprego de outras classes de depressores do SNC. Isso é perigoso e incorreto: os barbitúricos são depressores do SNC e desenvolvem tolerância cruzada com outras classes depressoras (como benzodiazepínicos e álcool). Ou seja, a tolerância a um depressor se transfere para os outros — não é contornada, mas potencializada. Além disso, a associação de depressores do SNC aumenta o risco de depressão respiratória grave. A alternativa sugere uma conduta clínica errada e perigosa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o potencial de abuso é inversamente proporcional à velocidade de início de ação. É exatamente o contrário: quanto mais rápida a velocidade de início de ação de uma substância, maior o seu potencial de abuso. Isso porque a rapidez com que a droga chega ao cérebro e produz o efeito de recompensa está diretamente ligada à intensidade do reforço e, portanto, ao risco de dependência. Por isso, vias de administração que levam a picos rápidos (intravenosa, inalatória) têm maior potencial de abuso do que vias de absorção lenta (oral). A relação é diretamente proporcional, não inversa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os antipsicóticos (típicos e atípicos) induzem tolerância a alguns de seus efeitos — principalmente os efeitos sedativos e os efeitos autonômicos (hipotensão ortostática) —, mas não causam adição. Isso ocorre porque os antipsicóticos bloqueiam os receptores de dopamina (D2), especialmente na via mesolímbica, o que reduz a atividade do sistema de recompensa, em vez de estimulá-lo. Diferentemente de drogas de abuso (que aumentam a dopamina no nucleus accumbens), os antipsicóticos não produzem euforia nem reforço positivo — pelo contrário, podem até causar disforia. Portanto, não há adição, embora possa haver tolerância a efeitos colaterais e sintomas de abstinência (discinesia de retirada) em alguns casos. A alternativa está correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tolerância e adição. O candidato pode achar que, por induzirem tolerância, os antipsicóticos também causariam adição — mas são fenômenos independentes. A tolerância é um fenômeno farmacodinâmico (adaptação do receptor); a adição envolve o sistema de recompensa dopaminérgico, que os antipsicóticos bloqueiam, não estimulam. Lembre-se: drogas de abuso aumentam dopamina no nucleus accumbens; antipsicóticos a bloqueiam. Por isso, não há adição.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de psicofarmacologia, monte um quadro mental comparando as classes quanto a: (1) mecanismo de ação (receptor alvo), (2) efeitos colaterais, (3) tolerância, (4) dependência/adição. Os benzodiazepínicos causam tolerância e dependência; os barbitúricos idem, com tolerância cruzada; os antipsicóticos causam tolerância a alguns efeitos, mas não adição; os antidepressivos não causam adição, mas podem causar síndrome de descontinuação. Essa tabela mental resolve a maioria das questões do tema.