Questão de Economia — Microeconomia — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce147719
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCE-SC
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Cargo
- Auditor Fiscal de Controle Externo - Ciências Econômicas
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado. A produtividade marginal do capital (PMgK) é o dobro da produtividade marginal do trabalho (PMgL) apenas quando a firma está em equilíbrio de longo prazo, ou seja, quando a razão entre as produtividades marginais se iguala à razão entre os preços dos fatores. No caso, PMgK/PMgL = 6/24 = 1/4, e não 2. A afirmação confunde a condição de equilíbrio com uma relação fixa entre as produtividades.
A questão trata da teoria da produção e da otimização de fatores no longo prazo. A função de produção dada é do tipo Cobb-Douglas: . Nesse tipo de função, as produtividades marginais são obtidas derivando-se a função em relação a cada fator:
A razão entre elas é:
Essa razão não é constante — depende da combinação de K e L. No longo prazo, a firma maximiza o lucro escolhendo a combinação ótima de fatores, que ocorre quando a taxa marginal de substituição técnica (TMST) se iguala à razão dos preços dos fatores. A TMST é exatamente a razão entre as produtividades marginais (em módulo):
onde é o preço do capital e é o preço do trabalho. No enunciado, e , logo:
Portanto, no equilíbrio de longo prazo, a produtividade marginal do capital é um quarto da produtividade marginal do trabalho, e não o dobro. A afirmação está incorreta.
A pegadinha da banca está em sugerir que a relação entre as produtividades marginais é fixa e igual a 2, quando na verdade ela depende da combinação de fatores e, no ótimo, é determinada pela razão dos preços. O candidato que apenas calcula as derivadas e vê o coeficiente 2/3 e 1/3 pode ser tentado a afirmar que PMgK é o dobro de PMgL, mas isso só seria verdade se K = L, o que não é garantido.
A afirmação de que a produtividade marginal do capital é o dobro da produtividade marginal do trabalho no longo prazo está errada. No equilíbrio de longo prazo, a razão entre as produtividades marginais deve igualar a razão entre os preços dos fatores: . Ou seja, a PMgK é um quarto da PMgL, não o dobro. O erro está em confundir a condição de equilíbrio com uma relação fixa entre as produtividades.
A afirmação é falsa, portanto a alternativa correta é a letra E. A produtividade marginal do capital não é o dobro da do trabalho; no ótimo de longo prazo, a razão entre elas é igual à razão inversa dos preços, ou seja, 1/4. A banca pede para julgar a veracidade da afirmação, e ela é incorreta.
A banca tenta induzir o candidato a comparar diretamente os expoentes da função Cobb-Douglas (2/3 e 1/3) e concluir que PMgK = 2 × PMgL. Mas isso só valeria se K = L. No longo prazo, a relação correta é dada pela igualdade entre a TMST e a razão dos preços: . Como e , a razão é 1/4, não 2. Fique atento: a condição de equilíbrio é a chave para resolver questões desse tipo.
Para questões de otimização com função Cobb-Douglas, lembre-se de que a condição de equilíbrio de longo prazo é . Calcule as produtividades marginais derivando a função e monte a razão. Se a questão der os preços, use-os diretamente. Não se deixe enganar pelos expoentes — eles indicam a elasticidade, não a relação entre as produtividades marginais no ótimo.
Gabarito: letra E
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