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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsSintaxe
Código
ce147766
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-SC
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal de Controle Externo - Direito
   Uma vez estabelecida a ordem política, a caminhada civilizatória deu seus primeiros passos e, com o início de sua organização em vilas, aldeias, comunas ou cidades, houve também a necessidade de criar poderes instrumentais para que alguns de seus integrantes gerissem os interesses coletivos. Os instrumentos de controle surgiram, então, muito antes do Estado moderno e apontam para a Antiguidade.
   No Egito, a arrecadação de tributos já era controlada por escribas; na Índia, o Código de Manu trazia normas de administração financeira; o Senado Romano, com o auxílio dos questores, fiscalizava a utilização dos recursos do Tesouro; e, na Grécia, os legisperitos surgiram como embriões dos atuais tribunais de contas. 
   Com o nascimento do estado democrático de direito, torna-se inseparável dele a ideia de controle, visto que, para que haja estado de direito, é indispensável que haja instituições e mecanismos hábeis para garantir a submissão à lei. Desde então, consolidou-se, majoritariamente, a existência de dois sistemas de controle no mundo: o primeiro, de origem anglo-saxã, denominado sistema de controladorias ou sistema de auditorias-gerais; e o segundo, de origem romano-germânica, denominado sistema de tribunais de contas.
   A finalidade tradicional desses modelos de controle, que se convencionou chamar de entidade de fiscalização superior (EFS), é assegurar que a administração pública atue em consonância com os princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico, cuja finalidade principal é defender os interesses da coletividade. No Brasil, a arquitetura constitucional dedicou aos tribunais de contas essa tarefa.

Rodrigo Flávio Freire Farias Chamoun. Os tribunais de contas na era da governança pública: focos, princípios e ciclos estratégicos do controle externo.
Internet: (com adaptações). 
Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.Sem prejuízo para a correção gramatical do segundo período do terceiro parágrafo, o segmento “consolidou-se” poderia ser substituído por consolidaram-se, caso em que a concordância verbal passaria a se dar com o termo “dois sistemas de controle”.
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  2. EErrado
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Concordância Verbal – Sujeito e Verbo

ERRADO. A substituição de “consolidou-se” por “consolidaram-se” prejudicaria a correção gramatical do período, pois o sujeito do verbo é “a existência” (singular), e não “dois sistemas de controle”. A forma “consolidou-se” concorda corretamente com o núcleo do sujeito, enquanto a forma plural quebraria a concordância.

No trecho original: “Desde então, consolidou-se (...) a existência de dois sistemas de controle no mundo”. O verbo está na terceira pessoa do singular porque seu sujeito é “a existência”, um núcleo singular. O termo “dois sistemas de controle” é complemento nominal (parte da locução “existência de dois sistemas”), não o sujeito. Se alterássemos o verbo para “consolidaram-se”, ele passaria a exigir um sujeito plural, mas o sujeito sintático continuaria sendo “a existência” – o que geraria uma incorreção gramatical.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o sujeito, pergunte ao verbo: “quem ou o que se consolidou?” Resposta: “a existência”. “Dois sistemas” é apenas o objeto da preposição “de”, não o termo que rege a concordância.

Assim, a afirmação do item é falsa, pois a substituição não mantém a correção gramatical do período.

NÃO CAIA NESSA!

Sujeito nunca tem preposição

Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.

— Sintaxe — identificação do sujeito

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