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Questão de Direito Penal — Tipicidade — CESPE / CEBRASPE 2022

Direito PenalTipicidade
Código
ce147876
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ-MA
Ano
2022
Nível
Superior
Cargo
Juiz Substituto de Entrância Inicial
O agente que imagina já ter obtido o resultado pensado por ele, sem tê-lo alcançado, e, por isso, pratica outra conduta que efetivamente alcança o objetivo primário realiza a conduta em dolo
  1. Ageral.
  2. Bde segundo grau.
  3. Ceventual.
  4. Dalternativo.
  5. Ecumulativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — geral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dolo no Direito Penal: espécies

Gabarito: letra A. A situação descrita — agente que supõe já ter alcançado o resultado e pratica nova conduta que efetivamente o provoca — corresponde ao dolo geral (ou aberratio causae), conforme doutrina penal majoritária. As demais alternativas (segundo grau, eventual, alternativo, cumulativo) não se amoldam ao conceito.

O dolo é a vontade consciente de realizar a conduta típica. Suas espécies, conforme a finalidade do agente, incluem: dolo direto (resultado pretendido), dolo eventual (assume o risco), dolo alternativo (quer qualquer um dos resultados), dolo cumulativo (progressão criminosa), dolo de segundo grau (consequências inevitáveis) e dolo geral (quando o agente, por erro sucessivo, acredita já ter consumado o crime e pratica ato que o consuma de fato).

A banca explora a distinção sutil entre essas figuras. O dolo geral é também chamado de aberratio causae: o resultado é alcançado por um desvio no nexo causal, mas dentro do plano do agente.

Espécie de Dolo

Conceito

Exemplo

Dolo Geral (Gabarito)

Agente supõe já ter alcançado o resultado e pratica nova conduta que efetivamente o provoca (aberratio causae).

Atirar na vítima, supor que já morreu, e enterrá-la viva, causando a morte por asfixia.

Dolo de Segundo Grau

Agente aceita como inevitável a produção de outro resultado, consequência direta da conduta para atingir o fim principal.

Colocar bomba em avião para matar uma pessoa, sabendo que outros morrerão.

Dolo Eventual

Agente assume o risco de produzir o resultado, agindo com indiferença quanto à sua ocorrência.

Dirigir em alta velocidade em via movimentada, aceitando a possibilidade de atropelar alguém.

Dolo Alternativo

Agente quer qualquer um dos resultados previstos, agindo com indiferença sobre qual ocorrerá.

Atirar em alguém desejando matar ou ferir, tanto faz.

Dolo Cumulativo

Agente quer a progressão criminosa, com resultados sucessivos (ex.: lesão corporal seguida de morte).

Agredir a vítima com intenção inicial de lesão, e depois, com novo dolo, matá-la.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O enunciado descreve exatamente o dolo geral: o agente imagina já ter obtido o resultado, pratica nova conduta e atinge o objetivo primário. Doutrina: "Dolo geral ocorre quando o agente, supondo já ter alcançado um resultado por ele visado, pratica nova ação que efetivamente o provoca" (conteúdo de apoio). É a resposta correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O dolo de segundo grau (ou de consequências necessárias) ocorre quando o agente aceita como inevitável a produção de outro resultado que é consequência direta da conduta para atingir o fim principal. Exemplo: para matar alguém, coloca bomba em avião sabendo que outros morrerão. Não há suposição de resultado já alcançado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O dolo eventual é caracterizado pela indiferença quanto ao resultado: o agente assume o risco de produzi-lo. Não há a crença de que o resultado já foi obtido; ao contrário, o agente age apesar de prever a possibilidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O dolo alternativo ocorre quando o agente quer qualquer um dos resultados previstos, agindo com indiferença sobre qual ocorrerá. Ex.: atirar em alguém desejando matar ou ferir. Não há erro sobre a consumação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O dolo cumulativo (ou progressão criminosa) verifica-se quando o agente, inicialmente, deseja um resultado e, após atingi-lo, decide prosseguir para lesão mais grave. Ex.: lesão corporal que evolui para homicídio. Não há erro sucessivo.

Gabarito: letra A.

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