Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022
Português›Interpretação de Textos
Código
ce149683
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
APEX Brasil
Ano
2022
Nível
Superior
Texto CB1A1-II
A Amazônia vive uma situação de distorção e
desequilíbrio em relação ao restante do Brasil. Por meio de suas
usinas hidrelétricas, a região gera a importante fatia de 26% da
energia elétrica consumida em todo o território nacional, mas, na
Amazônia Legal, há 1 milhão de pessoas que não podem contar
com luz — o fornecimento de energia ocorre em apenas
algumas horas do dia, por meio de geradores. Outros 3 milhões
de habitantes da região estão fora do Sistema Interligado
Nacional (SIN), que coordena e controla a produção e
transmissão de energia elétrica e conecta usinas e consumidores.
O fornecimento de energia a essa população é feito por usinas
termelétricas a óleo diesel.
Amanda Schutze, coordenadora de avaliação de política
pública da Climate Policy Initiative, organização focada em
políticas ambientais e mudança climática, considera o SIN
“magnífico” porque garante luz para o consumidor final ao
gerenciar o transporte de eletricidade de um ponto com
condições de ceder energia a outro que, por exemplo, enfrente
problemas de racionamento em decorrência de períodos de seca.
Ao mesmo tempo, o sistema apresenta, na Amazônia
Legal, uma grave distorção, visto que populações que vivem
próximo de usinas hidrelétricas da região “não estão usufruindo
dessa geração de energia, mas pessoas, como nós, no Sudeste,
sim. Esta é uma caracterização de dois diferentes Brasis”, afirma
a coordenadora.
O Projeto de Lei n.º 4.248/2020 estabelece o prazo de até
o ano de 2025 para a universalização da energia elétrica nas
regiões remotas da Amazônia. O texto do projeto, que está na
Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e
Amazônia, recebeu parecer favorável do relator da comissão.
Ainda não foi feita a votação.
Internet:<www.bbc.com> (com adaptações).
Estariam preservadas a correção gramatical e a coerência das ideias do texto CB1A1-II, caso se substituísse
A“que” (terceiro período do primeiro parágrafo) por de onde.
B“visto que” (primeiro período do terceiro parágrafo) por por que.
C“a óleo diesel” (último período do primeiro parágrafo) por movidas à diesel.
D“distorção” (primeiro período do terceiro parágrafo) por contradição.
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GabaritoD — “distorção” (primeiro período do terceiro parágrafo) por contradição.
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Substituição de “distorção” por “contradição” — preservação de sentido e coerência
Gabarito: letra D. A substituição de “distorção” por “contradição” preserva a correção gramatical e a coerência das ideias, pois ambos os termos expressam a mesma noção de incoerência/desajuste entre o que a região produz e o que sua população recebe. Como se lê no terceiro parágrafo: “o sistema apresenta, na Amazônia Legal, uma grave distorção, visto que populações que vivem próximo de usinas hidrelétricas da região ‘não estão usufruindo dessa geração de energia’”. A palavra “contradição” mantém esse sentido de oposição entre fatos — a região gera energia, mas não a consome —, sem alterar a lógica do texto.
A questão pede que se avalie substituições de termos ou conectivos: é preciso verificar, em cada caso, se a troca mantém (i) a correção gramatical (regência, concordância, uso do pronome relativo, crase) e (ii) a coerência (relação lógica entre as ideias). A alternativa correta é a única em que ambos os critérios são atendidos.
❌ “por que” é interrogativo/relativo, não conjunção causal
❌ inverte a relação de causa
❌ Incorreta
C
“a óleo diesel”
“movidas à diesel”
❌ crase indevida diante de palavra masculina (“diesel”)
—
❌ Incorreta
D
“distorção”
“contradição”
✅ mantém a norma culta
✅ sinônimos contextuais (incoerência/desajuste)
✅ Correta
Alternativa A — ❌ Incorreta
A troca de “que” por “de onde” no trecho “1 milhão de pessoas que não podem contar com luz” quebra a correção gramatical. O pronome relativo “que” retoma “pessoas” (pessoas que não podem contar com luz) — é um sujeito, não um lugar. “De onde” só poderia ser usado se o antecedente indicasse lugar físico e com sentido de “de/em que”. Aqui não há lugar: há pessoas. Portanto, a substituição contradiz a regra de uso do relativo “onde” (e suas variações), que exige antecedente locativo. Erro: troca de termo que viola a regência/uso do pronome relativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A troca de “visto que” por “por que”altera a coerência e a gramática. No texto, “visto que” introduz uma causa/explicação: “o sistema apresenta, na Amazônia Legal, uma grave distorção, visto que populações que vivem próximo de usinas hidrelétricas da região ‘não estão usufruindo dessa geração de energia’”. “Por que” (separado, sem acento) é usado em perguntas (“Por que você fez isso?”) ou como pronome relativo com antecedente (“o motivo por que...”). Não pode substituir uma conjunção causal. A troca quebraria a relação de causa e criaria um período agramatical. Erro: troca de conectivo que inverte a relação lógica (causa → pergunta).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A troca de “a óleo diesel” por “movidas à diesel”viola a norma culta quanto à crase. No texto: “O fornecimento de energia a essa população é feito por usinas termelétricas a óleo diesel”. A expressão “a óleo diesel” é uma locução adjetiva sem crase, pois “óleo” é palavra masculina e não admite artigo feminino. Já “movidas à diesel” exige crase? Não: “diesel” é masculino, portanto não há crase — o correto seria “movidas a diesel”. A forma “à diesel” está errada (crase diante de palavra masculina). Além disso, “movidas” exigiria concordância com “usinas” (feminino plural), o que até ocorreria, mas a crase indevida torna a substituição gramaticalmente incorreta. Erro: crase indevida diante de palavra masculina.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A troca de “distorção” por “contradição”preserva o sentido e a coerência. No terceiro parágrafo, o texto afirma que o sistema apresenta “uma grave distorção” porque populações próximas de usinas hidrelétricas “não estão usufruindo dessa geração de energia, mas pessoas, como nós, no Sudeste, sim”. Isso é exatamente uma contradição: a região produz energia, mas não a consome; quem consome é outra região. “Distorção” e “contradição” são sinônimos contextuais — ambos indicam incoerência, desajuste, oposição entre o esperado e o real. A substituição não altera a relação de causa estabelecida por “visto que”, nem a progressão do texto. Correta: mantém o sentido e a coerência.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de termo — o candidato pode achar que “contradição” é mais forte que “distorção” e, por isso, rejeitar a troca. Mas, no contexto, os dois vocábulos são equivalentes: ambos expressam a incoerência entre gerar energia e não usufruir dela.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de substituição, teste dois critérios: (1) a troca mantém a gramática (regência, crase, pronome relativo)? (2) mantém a relação lógica (causa, consequência, oposição)? Se qualquer um falhar, a alternativa está errada.