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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce149826
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
BNB
Ano
2022
Nível
Superior
Texto CG1A1-II

     A crescente adoção do conceito de tecnologias sociais ocorre concomitantemente com o avanço de dois conceitos que lhe são complementares: economia solidária e capital social. As graves consequências do capitalismo e da globalização, refletidas em altos índices de desemprego, aumento de índices de violência e criminalidade, aprofundamento da pobreza e da degradação ambiental, não podem ser abordadas por projetos paternalistas e compensatórios. Ao contrário, requerem estudos aprofundados sobre um novo tipo de desenvolvimento. O professor Henrique Rattner pontua que, entre os cientistas sociais que se debruçam sobre os fracassos do desenvolvimento e suas causas, em todos os debates travados nos últimos anos, o conceito de capital social tem ocupado espaço crescente. O capital social, segundo Rattner, procura trabalhar com a necessidade gregária, o espírito de cooperação e os valores de apoio mútuo e solidariedade, com base na “eficiência social coletiva”.

     Capital social, segundo o estudioso John Durston, é o conjunto de normas, instituições e organizações que promovem a confiança, a ajuda recíproca e a cooperação e que incorporam benefícios como redução dos custos de transação, produção de bens públicos e facilitação da constituição de organizações de gestão de bases efetivas, de atores sociais e de sociedades civis saudáveis. Sua importância está na busca de estratégias de superação da pobreza e de integração de setores sociais excluídos.

     No Brasil, nas últimas décadas, tem havido uma multiplicação de experiências baseadas no conceito de economia solidária. Diferentemente de iniciativas meramente paliativas, como respostas emergenciais a situações de pobreza e miséria, há agora uma interpretação de que essas experiências devam ser uma base para a reconstrução do tecido social. Como diz o pesquisador Luis Inácio Gaiger, elas “constituiriam uma ação geradora de embriões de novas formas de produção e estimuladora de alternativas de vida econômica e social”.


Ivete Rodrigues e José Carlos Barbieri. A emergência da tecnologia social: revisitando o movimento da tecnologia apropriada como estratégia de desenvolvimento sustentável. In: Revista de Administração Pública – FGV, Rio de Janeiro, 42(6):1069-94, nov./dez. 2008 (com alterações).

No que se refere aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto CG1A1-II, julgue o item a seguir.A palavra “paliativas” (segundo período do terceiro parágrafo) está empregada com o sentido de protelar uma crise.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido contextual de “paliativas” no texto CG1A1-II

Gabarito: C (CERTO). A palavra “paliativas” está empregada, no contexto, com o sentido de protelar uma crise — ou seja, de adiar/amenizar temporariamente um problema sem resolvê-lo em sua raiz. Essa leitura é autorizada pelo próprio texto, que contrapõe as “iniciativas meramente paliativas” às experiências de economia solidária, apresentadas como base para a reconstrução do tecido social.

A chave de resolução

O comando pede que se julgue o sentido contextual de uma palavra. Isso significa que não basta o significado de dicionário: é preciso ver como o vocábulo funciona naquele trecho específico. No terceiro parágrafo, o autor escreve:

“Diferentemente de iniciativas meramente paliativas, como respostas emergenciais a situações de pobreza e miséria, há agora uma interpretação de que essas experiências devam ser uma base para a reconstrução do tecido social.”

A estrutura do período é de oposição: de um lado, as iniciativas “meramente paliativas” (respostas emergenciais); de outro, as experiências de economia solidária, que devem servir de “base para a reconstrução do tecido social”. O adjetivo “paliativas” qualifica, portanto, aquilo que apenas adia ou ameniza o problema — não o enfrenta estruturalmente. É exatamente o sentido de “protelar uma crise”: empurrar com a barriga, dar um alívio temporário.

Por que a assertiva está correta

  • O texto chama as iniciativas paliativas de “respostas emergenciais a situações de pobreza e miséria” — ou seja, ações de curto prazo, que não atacam as causas.

  • Em contraste, a economia solidária é vista como “base para a reconstrução do tecido social” — uma solução de fundo, duradoura.

  • “Paliativo”, no sentido figurado, significa exatamente que não resolve o problema de forma definitiva; que apenas o adia ou atenua. É o que o contexto confirma.

Portanto, a afirmação do item — de que “paliativas” está empregada com o sentido de protelar uma crise — está correta.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de sentido contextual, não confie no significado isolado da palavra. Volte ao trecho e observe as relações de oposição, causa, consequência etc. Aqui, o conectivo “diferentemente” e a expressão “meramente” são as pistas decisivas: mostram que “paliativo” é o oposto de uma solução estrutural.

Gabarito: letra C (CERTO).

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