Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2022
- Código
- ce149916
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- DPE-RO
- Ano
- 2022
- Nível
- Superior
- Aconclusão.
- Bcitação.
- Cconsequência
- Dexplicação.
- Esíntese.
GabaritoD — explicação.
Gabarito: letra D. Os dois-pontos após “inocentes” introduzem uma explicação, pois o trecho que se segue detalha o porquê de os assassinados e os assassinos serem considerados subjetivamente inocentes. Como se lê no texto: “no seu tribunal todos os interessados são subjetivamente inocentes: os assassinados porque nada fizeram contra o regime, e os assassinos porque realmente não assassinaram, mas executaram uma sentença de morte”. A parte após os dois-pontos explica a afirmação anterior, apresentando as razões de cada grupo.
A questão pede que você identifique a função semântica do sinal de dois-pontos em um trecho específico. Não se trata de decorar regra, mas de ler o que o autor quis dizer com a estrutura. Os dois-pontos, nesse caso, não introduzem uma citação, nem uma conclusão, nem uma consequência — eles abrem uma explicação.
Observe o trecho completo:
“O terror manda cumprir esses julgamentos, mas no seu tribunal todos os interessados são subjetivamente inocentes: os assassinados porque nada fizeram contra o regime, e os assassinos porque realmente não assassinaram, mas executaram uma sentença de morte pronunciada por um tribunal superior.”
A primeira parte afirma que “todos os interessados são subjetivamente inocentes”. Os dois-pontos vêm logo depois para justificar essa afirmação: explica-se por que os assassinados são inocentes (nada fizeram) e por que os assassinos também (apenas executaram uma sentença). A relação é de explicação/causa, não de conclusão ou consequência.
Conclusão seria uma ideia que fecha um raciocínio, geralmente introduzida por conectivos como “portanto”, “logo”, “assim”. No trecho, os dois-pontos não encerram um raciocínio; eles abrem uma justificativa. A conclusão viria depois de toda a explicação, não no ponto em que o sinal aparece.
Citação seria a reprodução de fala ou texto de outra pessoa, como em “Disse o autor: ‘...’”. Aqui, o que segue os dois-pontos é uma explicação do próprio autor, não uma citação. Não há aspas, nem verbo de elocução (disse, afirmou), nem mudança de voz.
Consequência é um efeito que decorre de uma causa, geralmente marcado por “por isso”, “de modo que”. No trecho, a relação é inversa: a primeira parte é a afirmação, e a segunda é a causa/justificativa dessa afirmação. Não há relação de causa-efeito entre as duas partes; há relação de fundamentação.
Como visto, os dois-pontos introduzem uma explicação: o trecho seguinte detalha as razões que tornam “todos os interessados subjetivamente inocentes”. A estrutura é típica de explicação: afirma-se algo e, em seguida, justifica-se com “porque”.
Síntese seria um resumo do que foi dito, como em “Resumindo: ...”. No trecho, o que vem após os dois-pontos não resume nada; ao contrário, expande e detalha a ideia anterior, apresentando duas justificativas específicas.
A banca explora a confusão entre explicação e conclusão/consequência. A presença de “porque” logo após os dois-pontos é a pista decisiva: “porque” introduz causa/justificativa, não efeito. Se você trocasse os dois-pontos por “pois” ou “porque”, o sentido se manteria — o que confirma a explicação.
Ao analisar a função dos dois-pontos, pergunte-se: o que vem depois explica, enumera, cita ou conclui? Se houver “porque”, “pois”, “já que”, é explicação. Se houver “portanto”, “logo”, é conclusão. Se houver lista, é enumeração.
Gabarito: letra D.
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