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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce149938
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DPE-RO
Ano
2022
Nível
Médio

Texto CG2A1-I


    

    Durante os séculos XXI a XVII a.C., já era possível encontrar indícios do direito de acesso à justiça no Código de Hamurabi, cujas leis foram embasadas na célebre frase “Olho por olho, dente por dente”, da Lei de Talião. O código definia que o interessado poderia ser ouvido pelo soberano, que, por sua vez, teria o poder de decisão.


   Em nível global, o acesso à justiça foi ampliado de forma gradual, juntamente com as transformações sociais que ocorreram durante a história da humanidade.


    Com a derrota de Hitler em 1945 e, portanto, o fim da Segunda Guerra Mundial, da qual o Brasil participou contra as ditaduras nazifascistas — devido à entrada dos Estados Unidos da América no conflito, liderando e coordenando os esforços de guerra dos países do Eixo dos Aliados —, o mundo foi tomado pelas ideias democráticas, e o regime autoritário do Estado Novo (iniciado em 1937) já não se podia manter.


    Foi somente com a Constituição de 1946 que o acesso à justiça foi materializado, prevendo-se que a lei não poderia excluir do Poder Judiciário qualquer violação de direitos individuais. Esse foi um grande avanço da legislação brasileira, mas não durou muito, já que, quase vinte anos depois, durante o regime militar (1964-1985), o acesso ao Poder Judiciário foi bastante limitado. Nos anos de 1968 e 1969, com a emissão dos atos institucionais, as condutas praticadas por membros do governo federal foram excluídas da apreciação judicial.


    A partir de 1970, o Brasil começou a caminhar para a consagração efetiva do direito de acesso à justiça, com a intensificação da luta dos movimentos sociais por igualdade social, cidadania plena, democracia, efetivação de direitos fundamentais e sociais e efetividade da justiça.


    Em 1988, foi promulgada a atual Constituição Federal, que materializou expressamente o acesso à justiça em seu artigo 5.º, inciso XXXV, como direito fundamental de todos os brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil.


    Nesse sentido, o legislador constituinte não só concedeu a possibilidade de acesso aos tribunais, como também estabeleceu a criação de mecanismos adequados para garanti-la e efetivá-la. O acesso à justiça deve ser compreendido, assim, como o acesso obtido tanto pelos meios alternativos de solução de conflitos de interesses quanto pela via jurisdicional e das políticas públicas, de forma tempestiva, adequada e eficiente, a toda e qualquer pessoa. É a pacificação social com a realização do escopo da justiça.



Internet: <http://www.politize.com.br/>(com adaptações)

A correção gramatical e os sentidos do texto CG2A1-I seriam preservados com a substituição deI “que ocorreram” (segundo parágrafo) por sucedidas.II “portanto” (terceiro parágrafo) por contanto.III “da qual” (terceiro parágrafo) por cuja.Assinale a opção correta
  1. ANenhum item está certo.
  2. BApenas o item I está certo.
  3. CApenas o item III está certo.
  4. DApenas os itens I e II estão certos.
  5. EApenas os itens II e III estão certos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas o item I está certo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de palavras e manutenção de sentido — Gabarito: letra B

Gabarito: letra B (apenas o item I está certo). A substituição de “que ocorreram” por sucedidas preserva a correção gramatical e o sentido, pois ambas expressam a mesma ideia de acontecimento posterior. Já “portanto” não pode virar “contanto” (palavras de classes e sentidos distintos), e “da qual” não pode virar “cuja” (mudaria a estrutura sintática e o sentido). A passagem que ancora o item I é: “as transformações sociais que ocorreram durante a história da humanidade” — “sucedidas” é particípio que mantém o valor de ação concluída.

Análise dos itens

Item I — ✅ Correto

No segundo parágrafo, lê-se: “o acesso à justiça foi ampliado de forma gradual, juntamente com as transformações sociais que ocorreram durante a história da humanidade”. A oração adjetiva “que ocorreram” equivale a “sucedidas” (particípio de suceder), pois ambas indicam ações que aconteceram no passado. A troca mantém o sentido de fato consumado e a correção gramatical: “as transformações sociais sucedidas durante a história” é construção válida, com o particípio concordando com o substantivo feminino plural. Item correto.

Item II — ❌ Incorreto

No terceiro parágrafo, “portanto” é conjunção coordenativa conclusiva — introduz uma conclusão: “Com a derrota de Hitler em 1945 e, portanto, o fim da Segunda Guerra Mundial”. Já “contanto” é forma do verbo contar (1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo) ou parte da locução “contanto que” (condicional). Substituir “portanto” por “contanto” quebraria a relação de conclusão e tornaria o trecho agramatical: “e, contanto, o fim da Segunda Guerra Mundial” não faz sentido. Item incorreto.

Item III — ❌ Incorreto

No trecho “da qual o Brasil participou contra as ditaduras nazifascistas”, “da qual” é pronome relativo que retoma “Segunda Guerra Mundial” e exerce função de complemento verbal (participar de algo). Já “cuja” é pronome relativo que estabelece relação de posse e exige que o termo seguinte seja um substantivo sem artigo: “cuja guerra o Brasil participou” seria agramatical e mudaria o sentido. A substituição não preserva a correção nem o sentido. Item incorreto.

Conclusão

Apenas o item I está correto. Portanto, Gabarito: letra B.

Item

Substituição

Classe/Valor

Preserva?

I

“que ocorreram” → sucedidas

Particípio, ação concluída

✅ Sim

II

“portanto” → contanto

Conclusiva × verbo/condicional

❌ Não

III

“da qual” → cuja

Complemento verbal × posse

❌ Não

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre palavras parecidas (“portanto” × “contanto”) e entre pronomes relativos (“da qual” × “cuja”), testando se o candidato percebe a função sintática e o valor semântico de cada termo no contexto.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituições, pergunte-se: (1) a classe gramatical é a mesma? (2) a função sintática é preservada? (3) o sentido lógico (causa, conclusão, posse) permanece? Se qualquer resposta for “não”, a troca é inválida.

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