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Questão de Português — Morfologia — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsMorfologia
Código
ce150224
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MC
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A1-I



       Um dos principais motores do avanço da ciência é a curiosidade humana, descompromissada de resultados concretos e livre de qualquer tipo de tutela ou orientação. A produção científica movida simplesmente por essa curiosidade tem sido capaz de abrir novas fronteiras do conhecimento e de, no longo prazo, gerar valor e mais qualidade de vida para o ser humano.

       O empreendimento científico e tecnológico é, sem dúvida alguma, o principal responsável por tudo que a humanidade construiu ao longo de sua história. Suas realizações estão presentes desde o domínio do fogo até as imensas potencialidades da moderna ciência da informação, passando pela domesticação dos animais, pelo surgimento da agricultura e indústria modernas e, é claro, pela espetacular melhora da qualidade de vida de toda a humanidade no último século.

       Além da curiosidade humana, outro motor importantíssimo do avanço científico é a necessidade de solução dos problemas que afligem a humanidade. Viver mais tempo e com mais saúde, trabalhar menos e ter mais tempo disponível para o lazer, reduzir as distâncias que separam os seres humanos — por meio de mais canais de comunicação ou de melhores meios de transporte — são alguns dos desafios e aspirações humanas para cuja solução, durante séculos, a ciência e a tecnologia têm contribuído. 

       Apesar dos feitos extraordinários da ciência e dos investimentos públicos em ciência e tecnologia, verifica-se uma espécie de movimento de deslegitimação social do conhecimento científico no mundo todo. Recentemente, Tim Nichols, um reconhecido pesquisador norte-americano, chegou a anunciar a “morte da expertise”, título de seu livro sobre o conhecimento na sociedade atual, no qual ele descreve o sentimento de descrença do cidadão comum no conhecimento técnico e científico e, mais que isso, um certo orgulho da própria ignorância sobre vários temas complexos, especialmente sobre qualquer coisa relativa às políticas públicas. Vários fenômenos sociais recentes, como o movimento antivacina ou mesmo a desconfiança sobre a fatalidade do aquecimento global, apesar de todas as evidências científicas, parecem corroborar a análise de Nichols. 

       A despeito da qualidade de vida ter melhorado nos últimos séculos, em grande medida graças ao avanço científico e tecnológico, a desigualdade vem aumentando no período mais recente. Thomas Piketty evidenciou um crescimento da desigualdade de renda nas últimas décadas em todo o mundo, além de mostrar que, no início deste século, éramos tão desiguais quanto no início do século passado. Esse é um problema mundial, mas é mais agudo em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde ainda abundam problemas crônicos do subdesenvolvimento, que vão desde o acesso à saúde e à educação de qualidade até questões ambientais e urbanas. É, portanto, nesta sociedade desigual, repleta de problemas e onde boa parte da população não compreende o que é um átomo, que a atividade científica e tecnológica precisa se desenvolver e se legitimar. Também é esta sociedade que decidirá, por meio dos seus representantes, o quanto de recursos públicos deverá ser alocado para a empreitada científica e tecnológica. 



Internet: <www.ipea.gov.br> (com adaptações). 

A respeito de aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue o próximo item.No segundo período do terceiro parágrafo, o emprego da preposição “para”, em “para cuja solução”, se justifica pela regência do verbo contribuir, presente na forma verbal “têm contribuído”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência do verbo “contribuir” em “para cuja solução” — ✅ CERTO.

Gabarito: C — CERTO. A afirmação está correta: a preposição “para”, em “para cuja solução”, é exigida pela regência do verbo contribuir, que rege a preposição para (contribuir para algo). No trecho, o pronome relativo “cuja” retoma “solução”, e a preposição “para” antecede o relativo porque é o verbo “têm contribuído” que a exige: “a ciência e a tecnologia têm contribuído para a solução”. A banca testa exatamente esse mecanismo de regência com pronome relativo.

A análise do trecho

No segundo período do terceiro parágrafo, lemos:

“...são alguns dos desafios e aspirações humanas para cuja solução, durante séculos, a ciência e a tecnologia têm contribuído.”

Reorganizando a oração na ordem direta, temos: “a ciência e a tecnologia têm contribuído para a solução de alguns dos desafios e aspirações humanas”. O verbo contribuir, no sentido de “colaborar, concorrer para”, rege a preposição para (contribuir para algo). Quando o complemento é retomado por um pronome relativo (cuja), a preposição exigida pelo verbo deve antecipar-se ao relativo — daí “para cuja solução”.

Isso é regência verbal clássica: o termo regente (verbo) determina a preposição que aparece antes do pronome relativo. Compare com outros casos: “o livro de que gosto” (gostar de), “a pessoa a que me refiro” (referir-se a). Aqui, o mesmo princípio: “a solução para que contribuíram”.

Por que a alternativa está correta

A justificativa apresentada no item é exatamente a explicação gramatical do fenômeno: o emprego de “para” se deve à regência de “contribuir”. Não há qualquer erro de análise. O verbo contribuir é transitivo indireto (ou, para muitos gramáticos, intransitivo com adjunto adverbial), mas, em qualquer abordagem, rege a preposição para quando indica finalidade/destino da contribuição. O texto confirma: a ciência e a tecnologia contribuem para a solução dos desafios.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de regência com pronome relativo, reorganize a oração na ordem direta e pergunte: “qual preposição o verbo exige?”. Se o verbo pede “para”, “de”, “a”, etc., essa preposição deve aparecer antes do relativo. Esse teste resolve a maioria dos itens da banca.

Gabarito: letra C (CERTO).

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