Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsCrase
Código
ce150304
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MJSP
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A1-II

    Amado nos levou com um grupo para descansarmos na fazenda de um amigo. Esta confirmava as descrições que eu lera no livro de Freyre: embaixo, as habitações de trabalhadores, a moenda, onde se mói a cana, uma capela ao longe; na colina, uma casa. O amigo de Amado e sua família estavam ausentes; tive uma primeira amostra da hospitalidade brasileira: todo mundo achava normal instalar-se na varanda e pedir que servissem bebidas. Amado encheu meu copo de suco de caju amarelo-pálido: ele pensava, como eu, que se conhece um país em grande parte pela boca. A seu pedido, amigos nos convidaram para comer o prato mais típico do Nordeste: a feijoada.

    Eu lera no livro de Freyre que as moças do Nordeste casavam-se outrora aos treze anos. Um professor me apresentou sua filha, muito bonita, muito pintada, olhos de brasa: quatorze anos. Nunca encontrei adolescentes: eram crianças ou mulheres feitas. Estas, no entanto, fanavam-se com menos rapidez do que suas antepassadas; aos vinte e seis e vinte e quatro anos, respectivamente, Lucia e Cristina irradiavam juventude. A despeito dos costumes patriarcais do Nordeste, elas tinham liberdades; Lucia lecionava, e Cristina, desde a morte do pai, dirigia, nos arredores de Recife, um hotel de luxo pertencente à família; ambas faziam um pouco de jornalismo, e viajavam.

Simone de Beauvoir. A força das coisas. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira, 2018, p. 497-498 (com adaptações). 

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-II, julgue o seguinte item.Do emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo “à”, em “à família” (final do segundo parágrafo), depreende-se que se trata de uma família específica.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase e determinação: o que o acento grave revela sobre "à família"

Gabarito: C (CERTO). O emprego do sinal indicativo de crase em "à família" decorre da fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "pertencer") com o artigo definido feminino "a", que individualiza o substantivo "família". A presença do artigo definido é justamente o que torna a família específica — não uma família qualquer, mas aquela já mencionada no texto: a família de Cristina. A crase, portanto, é a prova material de que o termo está determinado.

A chave da questão

O comando pede que se depreenda (inferência) do uso da crase uma informação sobre o sentido do termo. A crase, em "à família", não é um mero ornamento: ela sinaliza a contração de duas vogais idênticas — a preposição "a" e o artigo "a". O artigo definido, por sua vez, é o responsável pela determinação do substantivo. Sem ele, teríamos apenas a preposição "a" e o sentido seria genérico ("pertencente a família" = a alguma família).

No texto, lemos:

"Cristina, desde a morte do pai, dirigia, nos arredores de Recife, um hotel de luxo pertencente à família"

O verbo "pertencer" rege a preposição "a" (quem pertence, pertence a algo). O substantivo "família" vem acompanhado do artigo definido "a", porque se refere à família específica de Cristina — aquela que possuía o hotel. A fusão preposição + artigo gera a crase. Se o artigo não estivesse presente, a frase seria "pertencente a família" (sem crase), e o sentido seria indeterminado, referindo-se a uma família qualquer.

Por que as alternativas

Alternativa C — ✅ CERTOGABARITO

A afirmativa está correta. A crase em "à família" é formada pela preposição "a" (exigida por "pertencente") + artigo definido "a" (que antecede "família"). O artigo definido tem a função de determinar o substantivo, ou seja, de indicar que se trata de uma família específica — a família de Cristina, dona do hotel. O texto confirma essa especificidade ao narrar que Cristina "dirigia, nos arredores de Recife, um hotel de luxo pertencente à família", ou seja, à família dela. A crase é o vestígio linguístico dessa determinação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está errada porque nega exatamente o que a crase evidencia. Se não houvesse o artigo definido, não haveria crase, e o sentido seria genérico ("pertencente a família" = a uma família qualquer). A presença do acento grave indica que houve a fusão com o artigo "a", o que determina o substantivo. Portanto, a crase reforça a especificidade, não a exclui. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a crase é indiferente à determinação, mas a gramática é clara: artigo definido + substantivo = referência específica.

1Formação
Preposição "a" (regência de "pertencente")
Artigo definido "a"
2Efeito no sentido
Determina o substantivo
Família específica (de Cristina)
3Sem o artigo
Sem crase
Sentido genérico (família qualquer)
Crase em "à família"
LEVELsoulevel.com.br
Crase em "à família": Formação (Preposição "a" (regência de "pertencente"), Artigo definido "a"); Efeito no sentido (Determina o substantivo, Família específica (de Cristina)); Sem o artigo (Sem crase, Sentido genérico (família qualquer))
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a crase como mero fenômeno fonético e a função do artigo definido. Muitos candidatos sabem que a crase é a fusão de dois "as", mas não percebem que um desses "as" é o artigo, que determina o substantivo. A pegadinha está em separar a forma (crase) do sentido (determinação).

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a crase, pergunte-se sempre: "há artigo definido antes do substantivo?" Se sim, o substantivo é específico. Se não, é genérico. A crase é o sinal de que o artigo está lá.

Gabarito: letra C (CERTO).

Link permanente: /questoes/ce150304