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Questão de Português — Morfologia - Verbos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
ce150317
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MJSP
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A1-I

    Na ótica da saúde pública, pode-se conceituar a política de redução de danos como um conjunto de estratégias que visam minimizar os danos causados pelo uso de diferentes drogas, sem necessariamente exigir a abstinência de seu uso. Vale dizer, enquanto não for possível ou desejável a abstinência, outros agravos à saúde podem ser evitados, como, por exemplo, as doenças infectocontagiosas transmissíveis por via sanguínea, tais quais as hepatites e HIV/AIDS.

    Na concepção da política de redução de danos, tem-se como pressuposto o fator histórico-cultural do uso de psicotrópicos — uma vez que o uso dessas substâncias é parte indissociável da própria história da humanidade, a pretensão de um mundo livre de drogas não passa de uma quimera. Dentro dessa perspectiva, contemplam-se ações voltadas para as drogas lícitas e ilícitas, e suas intervenções não são de natureza estritamente públicas, delas participando, também, organizações não governamentais e necessariamente, com especial ênfase, o próprio cidadão que usa drogas.

Maurides de Melo Ribeiro. Drogas e redução de danos.

São Paulo: Editora Saraiva, 2013, p. 45-46 (com adaptações)

Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, julgue o item a seguir.A oração “enquanto não for possível ou desejável a abstinência” (segundo período do primeiro parágrafo) expressa uma vontade, haja vista o emprego do modo subjuntivo em “for”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo subjuntivo e valor semântico da oração “enquanto não for possível ou desejável a abstinência”

Gabarito: E (ERRADO). A oração “enquanto não for possível ou desejável a abstinência” não expressa vontade; ela expressa uma condição temporal (ou, mais precisamente, uma circunstância de tempo com valor condicional). O modo subjuntivo em “for” não tem, por si só, o valor de exprimir desejo — o subjuntivo é o modo da hipótese, da dúvida, da condição, e aqui ele marca justamente a eventualidade de a abstinência não ser possível ou desejável. A banca tenta confundir o candidato ao associar “subjuntivo” a “vontade”, mas o subjuntivo não é o modo da vontade (esse é o imperativo, ou o subjuntivo em orações optativas, como “Tomara que...”). No texto, a oração introduz uma ressalva temporal: enquanto durar a impossibilidade ou a não-desejabilidade da abstinência, outros agravos podem ser evitados.

Modo subjuntivo
  • 1Expressa
    • Hipótese
    • Dúvida
    • Condição
    • Eventualidade
  • 2Não expressa
    • Vontade (modo imperativo)
    • Desejo direto
  • 3Oração "enquanto não for..."
    • Valor semântico
      • Temporal (com matiz condicional)
      • Conjunção "enquanto" = tempo
    • Subjuntivo em "for"
      • Fato futuro/hipotético
      • Não indica vontade
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Análise do item

O item afirma que a oração “enquanto não for possível ou desejável a abstinência” expressa uma vontade, “haja vista o emprego do modo subjuntivo em ‘for’”. Há dois erros aí:

  1. O modo subjuntivo não é o modo da vontade. O subjuntivo é o modo da irrealidade, da hipótese, da condição, da dúvida. A vontade, quando expressa por modo verbal, aparece no imperativo (ordem, pedido, desejo direto) ou em construções optativas com subjuntivo (ex.: “Tomara que ele venha”), mas não é o caso aqui.

  1. O valor semântico da oração é temporal (com matiz condicional), não volitivo. A conjunção “enquanto” introduz uma oração subordinada adverbial temporal: indica o tempo durante o qual a condição se mantém. Veja o trecho do texto:

“Vale dizer, enquanto não for possível ou desejável a abstinência, outros agravos à saúde podem ser evitados, como, por exemplo, as doenças infectocontagiosas transmissíveis por via sanguínea...”

A oração estabelece uma circunstância de tempo: “durante o tempo em que a abstinência não for possível ou desejável”. Há também um matiz condicional (equivale a “se não for possível ou desejável a abstinência”), mas não há nenhuma expressão de vontade — o autor não está desejando nada; está estabelecendo uma condição temporal para a aplicação da política de redução de danos.

Por que o subjuntivo aparece?

O subjuntivo em “for” é exigido pela conjunção temporal “enquanto” quando se refere a um fato futuro ou hipotético. Compare:

  • “Enquanto é possível, aproveite.” (indicativo — fato atual, certo)

  • “Enquanto for possível, aproveite.” (subjuntivo — fato futuro, hipotético)

No texto, a abstinência é algo que pode ou não ocorrer; por isso o subjuntivo marca a eventualidade, não a vontade.

Conclusão

O item está errado porque atribui à oração um valor de “vontade” que ela não tem. O modo subjuntivo, no contexto, expressa hipótese/condição temporal, e a oração funciona como adjunto adverbial de tempo (com matiz condicional). Portanto, Gabarito: E (ERRADO).

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre modo verbal, pergunte-se: qual é o valor semântico da oração? O subjuntivo, sozinho, não indica vontade — ele indica irrealidade, hipótese, condição. A vontade é típica do imperativo ou de orações optativas (ex.: “Tomara que...”). Identifique a conjunção (“enquanto”, “se”, “embora”) e o contexto para definir o valor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre “subjuntivo” e “vontade”. O subjuntivo é o modo da dúvida/condição, não da vontade. A palavra “enquanto” é a pista decisiva: ela marca tempo, não desejo.

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