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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce150476
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-PB
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG2A1-I


     Na cabeça do público, ciência forense significa tecnologia de última geração, profissionais bem equipados realizando experiências complexas em laboratórios impecáveis. Na verdade, a história real da ciência forense está repleta de pioneiros excêntricos e pesquisas perigosas.

     Por séculos, cultivou-se a suspeita de que havia muito mais em um crime do que apenas depoimentos: que a cena do crime, a arma de um homicídio ou, ainda, algumas gotas de sangue poderiam ser testemunhas da verdade. O primeiro registro do uso da ciência forense na solução de um crime vem de um manual chinês para legistas escrito em 1247. Um dos diversos estudos de caso aí contidos acompanha a investigação de um esfaqueamento. O legista examinou os cortes no corpo da vítima, e então testou uma variedade de lâminas no cadáver de uma vaca. Ele concluiu que a arma do crime era uma foice. Apesar de descobrir o que havia causado os ferimentos, ainda havia um longo caminho até identificar a mão que empunhara a arma, então ele se voltou para os possíveis motivos. De acordo com a viúva, ele não tinha inimigos. A melhor pista veio da revelação de que a vítima fora incapaz de satisfazer o pagamento de uma dívida.

    O legista acusou o agiota, que negou o crime. Mas, persistente como qualquer detetive de TV, ele ordenou que todos os adultos da vizinhança se alinhassem, com suas foices a seus pés. Embora não houvesse sinais visíveis de sangue em nenhuma das foices, em questão de segundos uma mosca pousou na foice do agiota. Uma segunda mosca pousou, e então outra. Quando confrontado novamente pelo legista, o agiota confessou. Ele havia tentado limpar sua lâmina, mas os insetos delatores, zumbindo silenciosamente a seus pés, frustraram sua tentativa.

Daniel Cruz. A macabra história do crime.

Internet: <https://oavcrime.com.br>(com adaptações).

Com referência ao texto CG2A1-I, é correto afirmar que seriam mantidos os sentidos e a correção gramatical do
  1. Aprimeiro período do segundo parágrafo caso a forma verbal “cultivou-se” fosse substituída por cultivam.
  2. Bprimeiro período do segundo parágrafo caso o sinal de doispontos após “depoimentos” fosse suprimido.
  3. Cpenúltimo período do terceiro parágrafo caso a vírgula empregada após o termo “legista” fosse suprimida.
  4. Dterceiro período do segundo parágrafo caso o trecho “aí contidos” fosse substituído por nele compreendidos.
  5. Eantepenúltimo período do segundo parágrafo caso o termo “se” em “ele se voltou” fosse suprimido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — terceiro período do segundo parágrafo caso o trecho “aí contidos” fosse substituído por nele compreendidos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise de substituição de termos e supressão de pontuação no texto

Gabarito: letra D. A única alternativa que mantém os sentidos e a correção gramatical é a substituição de “aí contidos” por “nele compreendidos”, pois ambas as expressões têm significado equivalente (contido no manual) e a troca não altera a estrutura sintática nem o sentido. As demais alternativas introduzem alterações que comprometem a correção ou o sentido.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A substituição de “cultivou-se” por “cultivam” altera o tempo verbal (pretérito perfeito por presente) e a voz (passiva por ativa). O advérbio “por séculos” exige um tempo que denote duração no passado, não o presente. Além disso, a forma “cultivam” torna o sujeito indeterminado, o que foge ao foco original.

Trecho original: “Por séculos, cultivou-se a suspeita de que havia muito mais em um crime do que apenas depoimentos [...]”

Erro: alteração temporal e estrutural que compromete o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A supressão dos dois-pontos após “depoimentos” prejudica a clareza da relação entre as ideias. Os dois-pontos introduzem o conteúdo da suspeita; sem eles, o “que” seguinte pode ser interpretado como parte de uma oração subordinada adjetiva, gerando ambiguidade.

Erro: alteração na estrutura sintática e no sentido, pois a pausa marcada pelos dois-pontos é essencial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A supressão da vírgula após “legista” em “Quando confrontado novamente pelo legista, o agiota confessou” é gramaticalmente aceitável, mas a banca considerou que a vírgula é necessária para marcar a pausa e evitar ambiguidade. No contexto da questão, a manutenção da vírgula é parte da correção gramatical exigida.

Trecho original: “[...] Quando confrontado novamente pelo legista, o agiota confessou.”

Erro: a vírgula é necessária para separar a oração subordinada adverbial deslocada, conforme a norma culta.

Alternativa D — ✅ Correta

A substituição de “aí contidos” por “nele compreendidos” mantém o sentido: ambos indicam que os estudos de caso estão contidos no manual. “Aí” refere-se ao manual (anáfora) e “nele” também. “Compreendidos” é sinônimo de “contidos” nesse contexto. A correção gramatical é preservada.

Trecho original: “Um dos diversos estudos de caso aí contidos acompanha a investigação [...]”

Justificativa: a troca é perfeitamente adequada, pois “nele” substitui “aí” e “compreendidos” substitui “contidos” sem prejuízo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A supressão do “se” em “ele se voltou” altera o sentido de “voltar-se para” (dedicar-se, focar) para “voltar” (retornar fisicamente). A forma pronominal é essencial para expressar a ideia de direcionar a atenção.

Trecho original: “[...] então ele se voltou para os possíveis motivos.”

Erro: mudança de sentido, pois o verbo “voltar” sem “se” indica movimento físico, não abstrato.

Conclusão: Apenas a alternativa D preserva o sentido e a correção gramatical do texto original.

Gabarito: letra D.

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