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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce150604
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PGE-RJ
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A1-I


    Em 721, um concílio romano presidido pelo papa Gregório II proibiu o casamento com uma commater, isto é, a madrinha de um filho, ou a mãe de um filho de quem se fosse padrinho. Isso levou o papado a se alinhar com a legislação promulgada, algumas décadas antes, em Bizâncio. A adoção marcadamente rápida desses princípios sugere que o clero franco já sustentava concepções similares. Isso é ilustrado por um caso curioso contado por um clérigo franco anônimo, em 727. Ele censurava a maneira traiçoeira pela qual a infame concubina Fredegunda havia conseguido se tornar a esposa legal do rei Quilpérico. Durante uma longa ausência do rei, ela persuadira sua rival, a rainha Audovera, a tornar-se madrinha da própria filha recém-nascida. Assim, a ingênua Audovera foi subitamente transformada na commater de seu próprio marido, impossibilitando qualquer relação conjugal posterior e deixando o caminho livre para Fredegunda. 

    Essa artimanha mostra que, poucos anos após o concílio romano de 721, o autor anônimo e seu público estavam bem familiarizados com os impedimentos derivados do parentesco espiritual. Não fosse o caso, seria impossível acusar Fredegunda de seu ardiloso truque. As cartas do missionário Bonifácio conferem testemunho adicional a esse fato. Em 735, ele perguntou ao bispo escocês Pethlem se era permitido que alguém se casasse com uma viúva que era mãe de seu afilhado. “Todos os padres da Gália e na terra dos francos afirmavam que isso era um pecado grave”, escreveu ele. Soava-lhe estranho, já que ele nunca ouvira falar nisso antes. A questão devia preocupá-lo porque, no mesmo ano, escreveu a respeito para dois outros clérigos anglo-saxões. Evidentemente, o missionário até então não estava familiarizado com esse impedimento ao casamento, embora o clero continental, a quem ele se dirigia, considerasse a questão muito grave. 


Mayke De Jong, Nos limites do parentesco: legislação anti-incesto

na Alta Idade Média ocidental (500-900). In: Jan Bremmer (Org.).

De Safo a Sade. Momentos na história da sexualidade.

Campinas: Papirus, 1995, p. 56-7 (com adaptações).

Julgue o seguinte item, acerca dos mecanismos de coesão do texto CG1A1-I.No primeiro período do texto, a forma verbal “fosse” descreve uma eventualidade no passado.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do valor do verbo "fosse" no primeiro período

✅ CERTO. A forma verbal "fosse" está no pretérito imperfeito do subjuntivo, empregada na oração adjetiva "de quem se fosse padrinho" (no trecho: "a mãe de um filho de quem se fosse padrinho"). Esse tempo verbal expressa uma ação hipotética, eventual, no passado — ou seja, uma eventualidade passada. A construção equivale a "de quem se viesse a ser padrinho" ou "de quem se pudesse ser padrinho", indicando uma possibilidade ou condição não realizada.

"Em 721, um concílio romano [...] proibiu o casamento com uma commater, isto é, a madrinha de um filho, ou a mãe de um filho de quem se fosse padrinho."

Justificativa gramatical

O pretérito imperfeito do subjuntivo é o tempo usado para expressar fatos possíveis, hipotéticos ou eventuais situados no passado. No contexto, "fosse padrinho" não descreve um fato real e determinado, mas uma circunstância eventual: a pessoa que eventualmente fosse padrinho da criança. Portanto, a afirmativa de que o verbo descreve uma "eventualidade no passado" está perfeitamente alinhada com a gramática e o sentido do texto.

PEGA ESSA DICA!

Sempre que encontrar o pretérito imperfeito do subjuntivo (como fosse, fizesse, falasse), verifique se ele está em orações subordinadas que expressam condição, hipótese ou eventualidade — é o valor típico desse tempo.

Como o item está correto em relação ao texto e à gramática, a resposta é Certo (C).

Gabarito: C (Certo)

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