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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsSintaxe
Código
ce150743
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Estância - SE
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A2-I


        É do homem que tenho de falar; e a questão que examino me ensina que vou falar a homens; com efeito, não se propõem semelhantes questões quando se teme honrar a verdade. (...) Concebo na espécie humana duas espécies de desigualdade: uma, que chamo de natural ou física, porque é estabelecida pela natureza, consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito, ou da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção, é estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens. Consiste esta nos diferentes privilégios de que gozam alguns em prejuízo de outros, como ser mais rico, mais honrado, mais poderoso, ou mesmo fazer-se obedecer por eles.


        Não se pode perguntar qual é a fonte da desigualdade natural, porque a resposta se encontraria enunciada na simples definição da palavra. Ainda menos se pode procurar se haveria alguma ligação essencial entre as duas desigualdades, pois isso equivaleria a perguntar, por outras palavras, se aqueles que mandam valem necessariamente mais do que os que obedecem e se a força do corpo e do espírito, a sabedoria ou a virtude se encontram sempre nos mesmos indivíduos em proporção do poder ou da riqueza — questão talvez boa para ser agitada entre escravos ouvidos por seus senhores, mas que não convém a homens razoáveis e livres, que buscam a verdade.


Jean-Jacques Rousseau. A origem da desigualdade entre os homens.

1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 33 (com adaptações).

Sem prejuízo da coerência e da correção gramatical do texto CG1A2-I, a expressão “Ainda menos”, no segundo período do segundo parágrafo do texto, poderia ser substituída por
  1. ATampouco.
  2. BAliás.
  3. CContanto.
  4. DSobretudo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Tampouco.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “Ainda menos” por “Tampouco” — equivalência semântica

Gabarito: letra A. A expressão “Ainda menos” pode ser substituída por “Tampouco” sem prejuízo da coerência e da correção gramatical, pois ambas têm o mesmo valor semântico de negação aditiva: indicam que, além do que já foi negado, outra ideia também não se aplica. No texto, o autor afirma que “Não se pode perguntar qual é a fonte da desigualdade natural” e, em seguida, que “Ainda menos se pode procurar se haveria alguma ligação essencial entre as duas desigualdades” — ou seja, a segunda impossibilidade é ainda mais forte que a primeira, e “tampouco” preserva exatamente essa relação de negação acrescida.

A questão exige reconhecer o valor semântico do conectivo/advérbio no contexto. Vejamos o trecho decisivo:

“Não se pode perguntar qual é a fonte da desigualdade natural, porque a resposta se encontraria enunciada na simples definição da palavra. Ainda menos se pode procurar se haveria alguma ligação essencial entre as duas desigualdades...”

Aqui, “ainda menos” = “menos ainda” = “tampouco” = “também não”. A substituição mantém a negação e a gradação (a segunda impossibilidade é mais forte que a primeira). As demais opções introduzem relações semânticas diferentes (aditiva, condicional, enfática), o que quebraria a coerência.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Tampouco” é sinônimo de “também não”, “nem”, “tão pouco”. No contexto, “Ainda menos se pode procurar” equivale a “Tampouco se pode procurar”. A substituição preserva o sentido de negação aditiva e a correção gramatical. É a única opção que mantém a relação de sentido original.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Aliás” é um conectivo que introduz uma retificação, acrescentamento ou esclarecimento — algo como “a propósito”, “ademais”. No trecho, não há retificação nem acréscimo de informação nova; há uma negação reforçada. Substituir “Ainda menos” por “Aliás” mudaria o sentido para “Aliás se pode procurar...”, o que contradiz a negação do autor. Erro: troca de sentido (aditivo-retificativo em vez de negação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Contanto” é uma conjunção condicional (equivale a “desde que”, “contanto que”). Introduz uma condição para que algo ocorra. No texto, não há condição; há uma impossibilidade. “Contanto se pode procurar” não faz sentido e quebra a coerência. Erro: troca de relação lógica (condição em vez de negação).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Sobretudo” é um advérbio de inclusão/ênfase (equivale a “principalmente”, “especialmente”). Indica que algo se aplica com mais intensidade, mas não nega — pelo contrário, afirma. No trecho, o autor está negando a possibilidade de procurar; “Sobretudo se pode procurar” afirmaria o oposto. Erro: contradiz o texto (afirma o que o autor nega).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conectivos de adição/ênfase (“aliás”, “sobretudo”) e o valor de negação aditiva de “ainda menos”. A chave é perceber que o trecho é uma negação reforçada, não um acréscimo positivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir conectivos, teste a troca na frase e veja se o sentido lógico (negação, condição, causa, etc.) permanece. “Tampouco” é o único que mantém a negação.

Gabarito: letra A.

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