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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsCrase
Código
ce150920
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Pires do Rio - GO
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A1-II


   As plantas, os animais domésticos e os produtos deles obtidos (frutas, ervas, carnes, ovos, queijos etc.) pertencem aos mais antigos produtos comercializáveis. A palavra latina para dinheiro, pecunia, deriva da relação com o gado (pecus). Esse comércio é provavelmente tão antigo quanto a divisão do trabalho entre agricultores e criadores de gado. Embora inicialmente o comércio e a distribuição econômica de produtos de colheita fossem geograficamente bem delimitados, eles conduziram a uma difusão cada vez mais ampla das sementes, desenvolvendo-se, então, um número cada vez maior de variações. Sem milênios de constantes contatos entre os povos e sem o trânsito intercontinental, o nosso cardápio teria uma aparência bastante pobre. Das aproximadamente trinta plantas que constituem os recursos de nossa alimentação básica, quase todas têm sua origem fora da Europa e provêm, predominantemente, de regiões que hoje enumeramos entre os países em desenvolvimento.

   Já que hoje as plantas nutritivas domésticas são cultivadas em praticamente todas as regiões habitadas, a humanidade também poderia alimentar-se, se o comércio de produtos agrários se limitasse a áreas menores, de proporção regional. O transporte de gêneros alimentícios por distâncias maiores se justifica, em primeiro lugar, para prevenir e combater epidemias de fome. Há, sem dúvida, uma série de razões ulteriores em favor do comércio mundial de gêneros alimentícios: a falta de arroz, chá, café, cacau e muitos temperos em nossos supermercados levaria a um significativo empobrecimento da culinária, coisa que não se poderia exigir de ninguém. O comércio internacional com produtos agrícolas aporta, além disso, às nações exportadoras a entrada de divisas, facilitando o pagamento de dívida. E, em muitos lugares, os próprios trabalhadores rurais e pequenos agricultores tiram proveito da venda de seus produtos a nações de alta renda, sobretudo quando ela ocorre segundo os critérios do comércio equitativo.


Thomas Kelssering. Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Tradução: Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: EDUCS, 2007, p. 209-10 (com adaptações)
Acerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto CG1A1-II, julgue o item que se segue.É facultativo o emprego do sinal indicativo de crase no vocábulo “às” em “às nações exportadoras” (quarto período do segundo parágrafo).
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "às nações exportadoras": caso obrigatório, não facultativo

Gabarito: Errado (E). O emprego do sinal indicativo de crase em "às nações exportadoras" é obrigatório, e não facultativo, pois o verbo "aportar" rege a preposição "a" e o substantivo "nações" admite o artigo feminino plural "as" — fusão que exige o acento grave. Como se lê no segundo parágrafo: "O comércio internacional com produtos agrícolas aporta, além disso, às nações exportadoras a entrada de divisas".

A questão cobra a distinção entre os casos obrigatórios e facultativos de crase. A banca tenta confundir o candidato sugerindo que a crase seria dispensável, mas o contexto não se enquadra em nenhuma das hipóteses de facultatividade (antes de nome próprio feminino, antes de pronome possessivo adjetivo ou após a preposição "até").

Análise do trecho

No trecho, o verbo "aportar" é transitivo indireto: quem aporta, aporta a algo. O complemento é "as nações exportadoras", que recebe o artigo definido feminino plural "as". Temos, portanto:

  • Preposição "a" (exigida pelo verbo) + artigo "as" (que determina o substantivo "nações") = às (crase obrigatória).

"O comércio internacional com produtos agrícolas aporta, além disso, às nações exportadoras a entrada de divisas, facilitando o pagamento de dívida."

A fusão é exatamente a mesma que ocorre em "assistir à novela" (assistir a + a novela) ou "referir-se às amigas" (referir-se a + as amigas). Não há qualquer elemento que torne o artigo dispensável: "nações" é um substantivo comum, determinado, e o verbo exige a preposição.

Casos facultativos de crase (para comparação)

A crase é facultativa apenas em três situações clássicas, nenhuma delas presente no trecho:

Caso

Exemplo

Antes de nome próprio feminino

"Refiro-me a/à Maria."

Antes de pronome possessivo adjetivo feminino

"Refiro-me a/à minha amiga."

Após a preposição "até"

"Fui até a/à praia."

No trecho, "nações exportadoras" não é nome próprio, não há pronome possessivo e não há a preposição "até". Logo, a crase é obrigatória.

Por que a afirmação está errada

A afirmativa diz que o emprego é "facultativo". Isso é falso: a crase é obrigatória, pois a preposição exigida pelo verbo se funde com o artigo que acompanha o substantivo feminino. A banca tenta fazer o candidato acreditar que se trata de um caso de facultatividade, mas o texto não oferece nenhuma das condições para isso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre casos obrigatórios e facultativos de crase. O candidato que decora apenas os casos facultativos pode marcar "certo" sem verificar que, no trecho, há preposição + artigo, o que torna a crase obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Para testar a obrigatoriedade, substitua o termo feminino por um masculino equivalente: "aporta aos países exportadores" — se aparecer "ao", a crase é obrigatória. No trecho, "às nações" equivale a "aos países", confirmando a obrigatoriedade.

Gabarito: letra E (Errado).

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