Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2022
Português›Pontuação
Código
ce151166
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-SE
Ano
2022
Nível
Superior
Texto CG1A1-I
Somente o trabalho cria riqueza, o objetivo último do
desenvolvimento. É certo que, caso se desejasse sumariar em
uma única expressão o significado de desenvolvimento, se diria
que o seu processo consiste no aumento continuado da
produtividade do trabalho. É por meio do aumento do produto
por trabalhador, propiciado pelo aumento da produtividade do
trabalho, que se geram os recursos necessários que tornam
possível atingir as demais dimensões do desenvolvimento. Sem
esse crescimento, não há desenvolvimento, embora às vezes o
crescimento não propicie o desenvolvimento em suas demais
dimensões — redução contínua da pobreza, melhoria da saúde e
da educação da população e aumento da expectativa de vida,
entre tantas outras.
Certamente não há escassez de estratégias de
desenvolvimento, e elas estão disponíveis para quem delas quiser
tomar conhecimento. Lembrou-nos recentemente Delfim Netto
que Adam Smith, em Riqueza das Nações (1776), sumariava
o seu receituário para o crescimento (a “riqueza das nações”)
em poucas e simples proposições. Primeiro, a carga tributária
deve ser leve. Segundo, com os recursos tributários arrecadados,
deve-se assegurar a paz interna, já que cabe ao Estado o
monopólio do uso da força para fazer valer o Estado de direito;
fazer valer o Estado de direito significa proteger o direito à
propriedade privada, garantir a aplicação da justiça e construir e
manter a infraestrutura de uso comum. Por fim, deve-se estimular
a competição entre os agentes econômicos, salvaguardando-se os
mercados livres e punindo-se os monopólios. No dizer de
Delfim, “quando isso se realiza, o crescimento econômico
acontece quase por gravidade: será o resultado da ação dos
empresários em busca do lucro e do comportamento dos
consumidores na busca de melhor e maior satisfação de suas
necessidades. Elas se harmonizam pela liberdade de escolha de
cada um por meio do sistema de preços dos fatores de produção e
dos bens de consumo”.
Essas mesmas ideias simples eram moeda corrente em
nosso país pela época da Independência. A primeira tradução da
obra Riqueza das Nações surgiu na Espanha, em 1794, e a obra
de José da Silva Lisboa, o futuro Visconde Cairu, foi
significativamente influenciada por Smith, especialmente os seus
Princípios de Economia Política (1804). Mas também tiveram
a mesma influência a Memória dos Benefícios Políticos
do Governo de El-Rei Nosso Senhor D. João VI (1818)
e, particularmente, os seus Estudos sobre o Bem Comum
(18191820). Com as ideias simples smithianas, Cairu, ao
proclamar o “deixai fazer, deixai passar, deixai vender”, de
Gournay, legou-nos a abertura dos portos, a liberdade da
indústria e a fundação de nosso primeiro banco. Não pouca coisa.
Roberto Fendt. Desenvolvimento é o aumento persistente da produtividade do trabalho.
In: João Sicsú e Armando Castelar (orgs.). Sociedade e economia:
estratégias de crescimento e desenvolvimento. Brasília: IPEA, 2009 (com adaptações).
Com relação ao emprego dos sinais de pontuação no quarto período do segundo parágrafo do texto CG1A1-I, seria correto
Asuprimir a vírgula após “arrecadados”.
Bisolar entre vírgulas a expressão “ao Estado”.
Cinserir uma vírgula após “significa”.
Dsubstituir o ponto e vírgula por travessão.
Eincluir dois-pontos após “proteger”.
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GabaritoD — substituir o ponto e vírgula por travessão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Pontuação no quarto período do segundo parágrafo — Gabarito: letra D.
Gabarito: letra D. A substituição do ponto e vírgula por travessão é correta porque ambos os sinais podem separar orações coordenadas assindéticas que mantêm relação de contraste ou enumeração. No trecho, o ponto e vírgula separa as orações "deve-se assegurar a paz interna" e "fazer valer o Estado de direito significa proteger...", que são coordenadas e poderiam ser igualmente separadas por travessão, sem prejuízo da correção ou do sentido. As demais alternativas propõem alterações que violam regras de pontuação ou alteram a estrutura sintática.
O quarto período do segundo parágrafo é:
"Segundo, com os recursos tributários arrecadados, deve-se assegurar a paz interna, já que cabe ao Estado o monopólio do uso da força para fazer valer o Estado de direito; fazer valer o Estado de direito significa proteger o direito à propriedade privada, garantir a aplicação da justiça e construir e manter a infraestrutura de uso comum."
A questão pede uma análise de reescrita — qual alteração seria correta —, ou seja, qual proposta mantém a correção gramatical e o sentido original. Vamos testar cada uma.
1A: suprimir vírgula
2B: isolar 'ao Estado'
3C: vírgula após 'significa'
4D: ponto e vírgula → travessão
5E: dois-pontos após 'proteger'
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Suprimir a vírgula após "arrecadados" deixaria o trecho "com os recursos tributários arrecadados deve-se assegurar" sem a pausa que separa o adjunto adverbial deslocado do restante da oração. A vírgula é obrigatória para isolar o adjunto adverbial anteposto ("com os recursos tributários arrecadados"), conforme a regra de separar adjuntos adverbiais deslocados. Suprimi-la tornaria o período incorreto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Isolar entre vírgulas a expressão "ao Estado" quebraria a estrutura "cabe ao Estado o monopólio". O verbo "caber" exige complemento regido pela preposição "a" ("ao Estado") e o sujeito é "o monopólio". Separar "ao Estado" por vírgulas criaria uma pausa indevida entre o verbo e seu complemento, o que é proibido — não se separa verbo de complemento por vírgula.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inserir uma vírgula após "significa" separaria o verbo "significa" de seu objeto direto (a oração "proteger o direito..."). A vírgula não pode separar o verbo de seu complemento. O trecho "significa proteger o direito..." é uma unidade sintática; inserir vírgula aí é erro de pontuação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Substituir o ponto e vírgula por travessão é correto. O ponto e vírgula, no trecho, separa duas orações coordenadas assindéticas que mantêm relação de explicação/continuação: a segunda oração explica o que significa "fazer valer o Estado de direito". O travessão, assim como os dois-pontos, pode introduzir uma explicação ou um esclarecimento. A substituição preserva a correção e o sentido, pois ambos os sinais podem marcar essa pausa maior e introduzir o esclarecimento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Incluir dois-pontos após "proteger" criaria uma pausa indevida entre o verbo "proteger" e seus complementos ("o direito à propriedade privada", "garantir a aplicação da justiça" etc.). Os dois-pontos não podem separar o verbo de seus objetos diretos. A enumeração que segue já está adequadamente introduzida pelo próprio verbo, sem necessidade de sinal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa se você conhece os casos proibidos de vírgula (separar verbo de complemento, sujeito de verbo) e se sabe que ponto e vírgula e travessão podem ser intercambiáveis em orações coordenadas assindéticas. As alternativas A, B, C e E propõem vírgulas ou dois-pontos em locais proibidos; apenas a D respeita a norma.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar reescritas com pontuação, identifique a função sintática dos termos ao redor do sinal. Pergunte: "o sinal separa o quê?" Se separar verbo de complemento, sujeito de verbo ou adjunto adnominal do nome, é errado. Se separar orações coordenadas ou introduzir explicação, é possível.