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Questão de Português — Morfologia - Verbos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
ce151194
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-SC
Ano
2022
Nível
Superior
           Uma vez estabelecida a ordem política, a caminhada civilizatória deu seus primeiros passos e, com o início de sua organização em vilas, aldeias, comunas ou cidades, houve também a necessidade de criar poderes instrumentais para que alguns de seus integrantes gerissem os interesses coletivos. Os instrumentos de controle surgiram, então, muito antes do Estado moderno e apontam para a Antiguidade.
          No Egito, a arrecadação de tributos já era controlada por escribas; na Índia, o Código de Manu trazia normas de administração financeira; o Senado Romano, com o auxílio dos questores, fiscalizava a utilização dos recursos do Tesouro; e, na Grécia, os legisperitos surgiram como embriões dos atuais tribunais de contas.
        Com o nascimento do estado democrático de direito, torna-se inseparável dele a ideia de controle, visto que, para que haja estado de direito, é indispensável que haja instituições e mecanismos hábeis para garantir a submissão à lei. Desde então, consolidou-se, majoritariamente, a existência de dois sistemas de controle no mundo: o primeiro, de origem anglo-saxã, denominado sistema de controladorias ou sistema de auditoriasgerais; e o segundo, de origem romano-germânica, denominado sistema de tribunais de contas.
   A finalidade tradicional desses modelos de controle, que se convencionou chamar de entidade de fiscalização superior (EFS), é assegurar que a administração pública atue em consonância com os princípios que lhe são impostos pelo ordenamento jurídico, cuja finalidade principal é defender os interesses da coletividade. No Brasil, a arquitetura constitucional dedicou aos tribunais de contas essa tarefa. 

Rodrigo Flávio Freire Farias Chamoun. Os tribunais de contas na era da governança pública: focos, princípios e ciclos estratégicos do controle externo. Internet: <http://www.tcees.tc.br/>(com adaptações).
Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.No primeiro período do terceiro parágrafo, a forma verbal “haja”, em suas duas ocorrências, expressa existência, logo seria gramaticalmente correto substituí-la por exista, em ambas as ocorrências, sem alteração dos sentidos originais do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “haja” por “exista” — impessoalidade do verbo haver

Gabarito: E (ERRADO). A afirmação do item está incorreta porque, embora “haja” e “exista” possam ter sentido de existir, o verbo haver é impessoal (não tem sujeito) e o verbo existir é pessoal (exige sujeito). A substituição, portanto, altera a estrutura sintática e, em uma das ocorrências, o sentido do período.

No terceiro parágrafo, lê-se:

“visto que, para que haja estado de direito, é indispensável que haja instituições e mecanismos hábeis para garantir a submissão à lei.”

Aqui, “haja” aparece duas vezes, ambas com sentido de existir. Na primeira, “haja estado de direito” — “estado de direito” é o objeto direto de “haja”, que é impessoal. Na segunda, “haja instituições e mecanismos” — “instituições e mecanismos” também é objeto direto. Se substituirmos por “exista”, teremos:

  • “para que exista estado de direito” — “estado de direito” passa a ser sujeito de “exista”, e a concordância fica correta (singular).

  • “para que existam instituições e mecanismos” — aqui, “instituições e mecanismos” vira sujeito e o verbo deve ir para o plural.

O item afirma que a substituição seria correta em ambas as ocorrências com “exista”, mas isso não é possível na segunda, pois o sujeito é plural. Além disso, a mudança de verbo altera a função sintática dos termos, o que configura alteração de sentido.

1Haver (impessoal)
Sem sujeito
Termo seguinte = objeto direto
Fica no singular
2Existir (pessoal)
Exige sujeito
Concorda com o sujeito
Ex.: "existam instituições" (plural)
3Substituição
Altera a estrutura sintática
Altera o sentido
Verbo haver × existir
LEVELsoulevel.com.br
Verbo haver × existir: Haver (impessoal) (Sem sujeito, Termo seguinte = objeto direto, Fica no singular); Existir (pessoal) (Exige sujeito, Concorda com o sujeito, Ex.: "existam instituições" (plural)); Substituição (Altera a estrutura sintática, Altera o sentido)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C (Certo) contradiz o texto e a gramática: o item propõe substituir “haja” por “exista” em ambas as ocorrências, mas isso não preserva os sentidos originais, pois a segunda ocorrência exigiria “existam” (plural) e a estrutura sintática mudaria.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E (Errado) é a correta, pois o item está errado: a substituição não é gramaticalmente correta em ambas as ocorrências, pois “haja” é impessoal e “exista” é pessoal, exigindo concordância com o sujeito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “haver” (impessoal, sem sujeito) e “existir” (pessoal, com sujeito). Muitos candidatos sabem que ambos podem indicar existência, mas esquecem que a substituição altera a estrutura sintática e, em uma das ocorrências, o número do verbo.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens de substituição de verbos, verifique se o verbo é impessoal (haver, fazer, ser em indicação de tempo) ou pessoal (existir, ocorrer). Se for impessoal, a substituição por um verbo pessoal sempre altera a concordância e, muitas vezes, o sentido.

Gabarito: letra E

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