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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsSintaxe
Código
ce151232
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TRT - 8ª Região (PA e AP)
Ano
2022
Nível
Superior

Texto CG1A1

    

        O capitalismo de vigilância é uma mutação do capitalismo da informação, o que nos coloca diante de um desafio civilizacional. As Big Techs — seguidas por outras firmas, laboratórios e governos — usam tecnologias da informação e comunicação (TIC) para expropriar a experiência humana, que se torna matéria-prima processada e mercantilizada como dados comportamentais. O usuário cede gratuitamente as suas informações ao concordar com termos de uso, utilizar serviços gratuitos ou, simplesmente, circular em espaços onde as máquinas estão presentes.

        A condição para a emergência do capitalismo de vigilância foi a expansão das tecnologias digitais na vida cotidiana, dado o sucesso do modelo de personalização de alguns produtos no início dos anos 2000. No terço final do século XX, estavam criadas as condições para uma terceira modernidade, voltada a valores e expectativas dos indivíduos.

        Outras circunstâncias foram ocasionais: o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do 11 de setembro. A primeira provocou a retração dos investimentos nas startups, o que levou a Google a explorar comercialmente os dados dos usuários de seus serviços. Para se prevenir contra novos ataques, as autoridades norte-americanas tornaram-se ávidas de programas de monitoramento dos usuários da Internet e se associaram às empresas de tecnologia. Por sua vez, a Google passou a vender dados a empresas de outros setores, criando um mercado de comportamentos futuros. Assim, instaurou-se uma nova divisão do aprendizado entre os que controlam os meios de extração da mais-valia comportamental e os seus destinatários.

      Ao se generalizar na sociedade e se aprofundar na vida cotidiana, o capitalismo de vigilância capturou e desviou o efeito democratizador da Internet, que abrira a todos o acesso à informação. Ele passou a elaborar instrumentos para modificar e conformar os nossos comportamentos.

Internet: < www.scielo.br> (com adaptações).

O trecho “o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do 11 de setembro” (primeiro período do terceiro parágrafo) exerce a função de
  1. Aobjeto direto.
  2. Bobjeto indireto.
  3. Csujeito.
  4. Dcomplemento nominal.
  5. Eaposto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — aposto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de “o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do 11 de setembro”

Gabarito: letra E (aposto). O trecho destacado é um aposto explicativo do termo “Outras circunstâncias”, pois retoma e especifica esse termo, como se lê no início do terceiro parágrafo: “Outras circunstâncias foram ocasionais: o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do 11 de setembro.” O aposto é um termo que se junta a outro para explicá-lo ou especificá-lo, e aqui ele vem após os dois-pontos, exatamente como no exemplo clássico “Quero apenas uma coisa: que você passe!”.

A questão é de sintaxe (função dos termos da oração), não de interpretação de conteúdo. A chave é identificar a relação de retomada entre o termo anterior e o trecho destacado: “Outras circunstâncias” é um termo genérico; o trecho seguinte nomeia quais são essas circunstâncias. Isso é a função típica do aposto.

Aposto
  • 1Explica ou especifica termo anterior
  • 2Isolado por vírgula, travessão ou dois-pontos
  • 3Termo acessório da oração
  • 4Ex.: "Quero apenas uma coisa: que você passe!"
  • 5Não confundir com
    • Objeto direto (complementa verbo, sem preposição)
    • Objeto indireto (complementa verbo, com preposição)
    • Sujeito (concorda com o verbo)
    • Complemento nominal (preposicionado, valor passivo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Objeto direto é o complemento de um verbo transitivo direto, sem preposição. No trecho, não há verbo regendo o termo destacado; ele está ligado a um substantivo (“circunstâncias”), não a um verbo. Além disso, o trecho vem após dois-pontos, o que reforça a ideia de explicação, não de complemento verbal. A banca tenta confundir quem analisa o trecho isoladamente, sem perceber a relação com o termo anterior.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Objeto indireto é o complemento de um verbo transitivo indireto, sempre preposicionado. Aqui não há verbo de regência indireta; o trecho não completa o sentido de nenhum verbo. A ausência de preposição e a posição após dois-pontos afastam essa função.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Sujeito é o termo sobre o qual se declara algo, e o verbo concorda com ele. No período, o sujeito de “foram ocasionais” é “Outras circunstâncias” (que está no plural, concordando com “foram”). O trecho destacado não é o sujeito; ele apenas explica quem são essas circunstâncias. A banca explora a posição pós-verbal, que pode lembrar sujeito posposto, mas a concordância e a pontuação desfazem a dúvida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Complemento nominal é o termo preposicionado que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), com valor passivo. O trecho destacado não é preposicionado e não completa o sentido de um nome; ele explica o termo “circunstâncias”. A relação é de aposição, não de complementação nominal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O trecho é um aposto explicativo. Veja a estrutura do período:

“Outras circunstâncias foram ocasionais: o estouro da bolha da internet em 2000 e os ataques terroristas do 11 de setembro.”

O termo “Outras circunstâncias” é retomado e especificado pelo trecho após os dois-pontos. O aposto pode vir isolado por vírgulas, travessões ou dois-pontos, e aqui os dois-pontos marcam a explicação. A função é termo acessório da oração, que se junta a outro termo para explicá-lo ou especificá-lo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a posição do trecho após o verbo, tentando induzir à ideia de sujeito posposto ou objeto direto. A dica é sempre verificar a relação com o termo anterior: se o trecho retoma e explica um termo já dito, é aposto.

NÃO CAIA NESSA!

Para identificar aposto, pergunte: “o trecho explica ou especifica um termo anterior?” Se sim, e vier após vírgula, travessão ou dois-pontos, é aposto. Não confunda com complemento nominal, que exige preposição e valor passivo.

Gabarito: letra E.

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