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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce151287
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Telebras
Ano
2022
Nível
Superior
   É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
    “Posso ajudá-lo, cavalheiro?”
    “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...”
    “Pois não?”
    “Um... como é mesmo o nome?”
    “Sim?”
    “Pomba! Um... um... Que cabeça a minha! A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.”
    “Sim, senhor.”
    “O senhor vai dar risada quando souber.”
    “Sim, senhor.”
    “Olha, é pontuda, certo?”
    “O quê, cavalheiro?”
   “Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta; a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?”
    “Infelizmente, cavalheiro...”
    “Ora, você sabe do que eu estou falando.”
    “Estou me esforçando, mas...”
    “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”
    “Se o senhor diz, cavalheiro.”

Luís Fernando Veríssimo. Comunicação.
Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.O texto desenvolve um diálogo em que um dos personagens dá orientações ao outro, empregando, para isso, verbos no modo imperativo, como ocorre em “Imagine-se” (primeiro parágrafo), ‘Entende’ (décimo terceiro parágrafo) e ‘Escuta’ (penúltimo parágrafo).
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Imperativo, injunção e marcadores discursivos: a armadilha da forma pela função

Gabarito: E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque, embora o texto seja um diálogo, os verbos citados não são todos do modo imperativo: 'Imagine-se' é imperativo, mas 'Entende' e 'Escuta' funcionam como marcadores discursivos (fáticos), não como ordens. A banca tenta generalizar o modo verbal a partir de uma semelhança superficial de forma.

A chave da questão

O comando pede que você julgue a afirmação sobre o emprego de verbos no imperativo. Para isso, é preciso distinguir forma de função: um verbo pode ter a forma de imperativo, mas, no contexto, não expressar ordem — e é exatamente o que ocorre com 'Entende' e 'Escuta'.

No texto, o cliente está desesperado para se fazer entender e usa essas formas para manter a atenção do vendedor e checar se ele está acompanhando a explicação:

"Olha, é pontuda, certo?" ... "Entende?" ... "Escuta. Acho que não podia ser mais claro."

'Entende?' é uma pergunta de confirmação (equivale a 'está entendendo?'), e 'Escuta' é um chamamento (equivale a 'preste atenção'). Ambos são marcadores conversacionais, típicos da fala, e não ordens. Já 'Imagine-se' é um imperativo genuíno, mas de orientação ao leitor (função injuntiva), não uma ordem entre os personagens.

Análise das alternativas

Verbos citados
  • 1"Imagine-se"
    • Imperativo genuíno
    • Função injuntiva (convida o leitor a imaginar)
  • 2"Entende"
    • Não é imperativo: é presente do indicativo em pergunta retórica
    • Função fática (checar compreensão)
  • 3"Escuta"
    • Não é imperativo: é marcador discursivo de chamamento
    • Função fática (atrair atenção)
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Verbos citados
  • 1"Imagine-se"
    • Imperativo genuíno
    • Função injuntiva (convida o leitor a imaginar)
  • 2"Entende"
    • Não é imperativo
      • presente do indicativo em pergunta retórica
    • Função fática (checar compreensão)
  • 3"Escuta"
    • Forma de imperativo, mas função de marcador discursivo
    • Função fática (atrair atenção)
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Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A assertiva afirma que os três verbos estão no imperativo. Isso é falso para 'Entende' e 'Escuta'.

'Imagine-se' — é imperativo afirmativo do verbo imaginar-se, na 2ª pessoa do singular (tu) com pronome átono. No texto, abre o primeiro parágrafo:

"Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?"

Aqui há uma orientação ao leitor (função injuntiva), típica de textos que convidam o interlocutor a se colocar em uma situação. É um imperativo genuíno.

'Entende' — no trecho:

"É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?"

A forma 'Entende' está no presente do indicativo, 3ª pessoa do singular, usada em pergunta retórica de confirmação. Equivale a 'está entendendo?'. Não há ordem; há um checagem de compreensão. A forma de imperativo seria 'Entenda' (tu) ou 'Entendam' (vocês), que não aparecem.

'Escuta' — no trecho:

"Escuta. Acho que não podia ser mais claro."

Aqui 'Escuta' tem a forma de imperativo (2ª pessoa do singular de escutar), mas a função é de marcador discursivo de chamamento, equivalente a 'preste atenção', 'ouça'. Não é uma ordem para escutar algo específico; é um recurso para manter o canal de comunicação aberto (função fática).

Portanto, a afirmação generaliza indevidamente: apenas 'Imagine-se' é imperativo de fato; 'Entende' nem sequer está no imperativo, e 'Escuta' é imperativo apenas na forma, não na função.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre forma e função. 'Escuta' tem forma de imperativo, mas funciona como marcador fático; 'Entende' nem tem forma de imperativo. A armadilha é o candidato reconhecer a forma e ignorar o uso contextual.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre modo verbal, pergunte: "qual é a função no contexto?" Um verbo no imperativo pode ser apenas um marcador conversacional. Desconfie de generalizações que tratam todos os verbos de um diálogo como ordens.

Conclusão: como a banca pediu para julgar a afirmação, e ela é falsa (nem todos os verbos citados são imperativos), o gabarito é E (ERRADO).

Gabarito: letra E

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