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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra SE — CESPE / CEBRASPE 2022

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra SE
Código
ce151325
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Telebras
Ano
2022
Nível
Médio

Texto CB4A1-I


    A comunicação tem-se transformado em um setor estratégico da economia, da política e da cultura. Da guerra, ela sempre o foi. A inclusão da informação e da comunicação nas estratégias bélicas tem aumentado no correr de milênios.

    No século VII a.C., o chinês Sun Tzu, em A arte da guerra, dizia que “toda guerra é embasada em dissimulação”, referindo-se à distribuição de informações falsas. Contudo, quem mais desenvolveu esse conceito foi o general prussiano Carl von Clausewitz, em seu amplo tratado Da guerra (Vom Kriege), publicado em 1832. No capítulo VI, Clausewitz afirma: “Grande parte das notícias recebidas na guerra é contraditória, uma parte ainda maior é falsa e a maior parte de todas é incerta. Em suma, a maioria das notícias é falsa, e o medo do ser humano reforça a mentira e a inverdade. As pessoas conscientes que seguem as insinuações alheias tendem a permanecer indecisas no lugar; acreditam ter encontrado as circunstâncias distintas do que imaginavam. Na guerra, tudo é incerto, e os cálculos devem ser feitos com meras grandezas variáveis. Eles direcionam a observação apenas para magnitudes materiais, enquanto todo o ato de guerra está imbuído de forças e efeitos espirituais”.

    Trata-se de desinformar, e não de informar. A desinformação é a informação falsa, incompleta, desorientadora. É propagada para enganar um público determinado. Seu fim último é o isolamento do inimigo em um conflito concreto, é o de mantê-lo em um cerco informativo. Os nazistas levaram essa estratégia do engano quase à perfeição.

    Atualmente, pratica-se tanto o cerco econômico, militar e diplomático quanto o informativo. Já não se trata apenas de isolar o inimigo. As novas tecnologias permitem aos militares intervir nos conflitos bélicos a distância, direcionando até mesmo os foguetes com a ajuda de GPS, a partir de um satélite. A telecomunicação militar apoiada em satélites e a eletrônica determinarão as guerras do futuro imediato. Fala-se já de bombas eletrônicas (E) que podem paralisar estabelecimentos neurais da sociedade moderna, como hospitais, centrais elétricas, oleodutos etc., destruindo os seus circuitos eletrônicos. Parece que hoje já se pode fazer a guerra sem bombas atômicas. As bombas E do tipo FCG (flux compression generator — gerador de compressão de fluxo), cujo emprego não está limitado às grandes potências bélicas, têm o mesmo efeito e fazem parte dos arsenais de alguns exércitos, e consistem em comprimir, mediante uma explosão, um campo eletromagnético, como um raio, sem os custos, os efeitos colaterais ou o enorme alcance de um dispositivo de pulso eletromagnético nuclear.

Vicente Romano. Presente e futuro imediato das telecomunicações. São Paulo em Perspectiva. Internet: <http://www.scielo.br/> (com adaptações)

Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB4A1-I, julgue o próximo item.No último parágrafo do texto, a partícula “se”, em “Fala-se já de bombas eletrônicas”, indica que o sujeito da oração é indeterminado.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do "se" como Índice de Indeterminação do Sujeito

Gabarito: C (Certo). A afirmação está correta. No trecho "Fala-se já de bombas eletrônicas" (último parágrafo), a partícula "se" funciona como índice de indeterminação do sujeito, tornando o sujeito indeterminado. Isso ocorre porque o verbo "falar" é transitivo indireto (exige a preposição "de"), e, nessa estrutura, o "se" não pode ser partícula apassivadora — que exige verbo transitivo direto. A oração equivale a "Alguém fala de bombas eletrônicas" ou "Há quem fale de bombas eletrônicas", sem sujeito explícito.

Regra aplicada

O "se" pode assumir duas funções principais em construções com verbos na 3ª pessoa do singular:

  • Partícula apassivadora (PA): ocorre com verbos transitivos diretos (VTD) ou transitivos diretos e indiretos (VTDI). O verbo concorda com o sujeito paciente. Exemplo: "Vendem-se casas" (casas são vendidas).

  • Índice de indeterminação do sujeito (IIS): ocorre com verbos transitivos indiretos (VTI), intransitivos (VI) ou de ligação (VL). O verbo fica sempre no singular, e o sujeito é indeterminado. Exemplo: "Precisa-se de funcionários" / "Fala-se de bombas".

No texto, "fala" rege a preposição "de" ("falar de algo"), portanto é VTI. Logo, o "se" é IIS, e o sujeito é indeterminado.

"Fala-se já de bombas eletrônicas"

A banca acertou ao afirmar que a partícula indica sujeito indeterminado.

Por que a alternativa "Errado" seria incorreta

A alternativa "Errado" (E) contradiz o que o texto demonstra. Se o candidato julgasse que o "se" é partícula apassivadora, erraria, pois não há voz passiva possível com verbo transitivo indireto. Assim, a única interpretação correta é a de sujeito indeterminado.

Conclusão: O item está CERTO.

Funções do "se" (3ª pessoa do singular)
  • 1Partícula apassivadora (PA)
    • Verbo: VTD ou VTDI
    • Concorda com sujeito paciente
    • Ex.: "Vendem-se casas"
  • 2Índice de indeterminação do sujeito (IIS)
    • Verbo: VTI, VI ou VL
    • Fica sempre no singular
    • Sujeito indeterminado
    • Ex.: "Precisa-se de funcionários"
    • Ex.: "Fala-se de bombas"
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