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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2023

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce156379
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Uma paciente com 76 anos de idade, hipertensa, avaliada em pronto atendimento, relatou palpitações taquicárdicas havia cinco dias. Negou dor torácica, dispneia ou síncope. Ao exame físico, apresentou-se hemodinamicamente normal. O eletrocardiograma da paciente pode ser visualizado a seguir.Imagem associada para resolução da questãoNesse caso clínico hipotético, no momento do atendimento da paciente, é apropriada a
  1. Aterapia das manobras vagais.
  2. Bterapia de cardioversão elétrica.
  3. Caplicação de amiodarona intravenosa.
  4. Daplicação de adenosina em bolus intravenoso.
  5. Eaplicação de metoprolol associado a rivaroxabana.
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GabaritoE — aplicação de metoprolol associado a rivaroxabana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Taquicardia supraventricular estável: abordagem inicial

Gabarito: letra E. A paciente apresenta taquicardia de QRS estreito, regular, com instabilidade ausente (hemodinamicamente normal), o que direciona o tratamento para controle de frequência ou reversão do ritmo. A alternativa E combina metoprolol (betabloqueador, controle de frequência) com rivaroxabana (anticoagulante, prevenção de tromboembolismo), sendo apropriada no contexto de fibrilação atrial (FA) com duração > 48 horas, onde a cardioversão elétrica ou química é contraindicada sem anticoagulação prévia adequada. As demais opções (manobras vagais, cardioversão elétrica, amiodarona e adenosina) são inadequadas para este cenário específico, conforme as diretrizes de emergências cardiovasculares.

A taquicardia supraventricular (TSV) é uma arritmia que se origina acima dos ventrículos, caracterizada por QRS estreito e frequência cardíaca elevada. O diagnóstico diferencial inclui taquicardia por reentrada nodal (TRN), taquicardia por reentrada atrioventricular (TRAV), taquicardia atrial (TA), fibrilação atrial (FA) e flutter atrial. A FA é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica, especialmente em idosos hipertensos, e sua abordagem depende de dois fatores críticos: a estabilidade hemodinâmica e o tempo de início da arritmia.

Quando o paciente está hemodinamicamente instável (hipotensão, choque, dor torácica, dispneia, alteração de consciência), a cardioversão elétrica sincronizada (CVE) é o tratamento de escolha imediato. Porém, quando o paciente está estável, como no caso da paciente (hemodinamicamente normal), a estratégia depende da duração da arritmia. Se a FA tem menos de 48 horas de início, pode-se tentar reversão para ritmo sinusal com cardioversão elétrica ou química (fármacos como amiodarona, propafenona ou ibutilida). Se a FA tem mais de 48 horas (como no caso, 5 dias), a reversão imediata é contraindicada pelo alto risco de tromboembolismo, sendo necessário anticoagulação por pelo menos 3 semanas antes da cardioversão, ou a realização de ecocardiograma transesofágico para excluir trombo atrial.

No caso apresentado, a paciente tem FA com duração de 5 dias (> 48 horas), está hemodinamicamente estável, e portanto a conduta apropriada é o controle da frequência cardíaca com betabloqueador (metoprolol) associado à anticoagulação (rivaroxabana) para prevenção de eventos tromboembólicos. As manobras vagais e a adenosina são eficazes para TSV regulares (TRN, TRAV), mas não para FA, que é irregular. A cardioversão elétrica está indicada apenas em instabilidade hemodinâmica ou após anticoagulação adequada. A amiodarona pode ser usada para reversão química, mas não é a primeira escolha em FA > 48h sem anticoagulação prévia.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que a FA com duração > 48 horas em paciente estável não deve ser revertida imediatamente, mas sim controlada em frequência e anticoagulada. O candidato pode ser tentado a escolher manobras vagais ou adenosina por pensar em TSV, ou cardioversão elétrica por pensar em emergência, mas a chave é a duração da arritmia e a estabilidade clínica.

Alternativa A — ❌ Incorreta

As manobras vagais (Valsalva, massagem do seio carotídeo) são eficazes para interromper taquicardias por reentrada nodal (TRN) e por reentrada atrioventricular (TRAV), que são TSV regulares. Na fibrilação atrial, as manobras vagais não revertem a arritmia, pois o mecanismo não é reentrada nodal, mas sim múltiplos focos atriais. Elas podem até reduzir temporariamente a frequência ventricular, mas não são o tratamento apropriado para FA estabelecida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cardioversão elétrica sincronizada (CVE) é indicada para taquiarritmias com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque, dor torácica, dispneia, alteração de consciência). A paciente está hemodinamicamente normal, portanto a CVE não é apropriada neste momento. Além disso, em FA com duração > 48 horas, a CVE sem anticoagulação prévia adequada apresenta alto risco de acidente vascular cerebral embólico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A amiodarona intravenosa é um antiarrítmico usado para reversão química de taquiarritmias, incluindo FA. Porém, em FA com duração > 48 horas e paciente estável, a reversão imediata (química ou elétrica) é contraindicada sem anticoagulação prévia de pelo menos 3 semanas ou ecocardiograma transesofágico que exclua trombo. Portanto, a amiodarona não é apropriada neste cenário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A adenosina em bolus intravenoso é o tratamento de escolha para TSV regulares (TRN, TRAV), com alta eficácia na interrupção da arritmia. Porém, na fibrilação atrial, a adenosina não reverte a arritmia, pois o mecanismo não é reentrada nodal. Ela pode até piorar o quadro ao aumentar a condução atrial. Portanto, não é apropriada para FA.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de metoprolol (betabloqueador) com rivaroxabana (anticoagulante oral direto) é apropriada para FA com duração > 48 horas em paciente estável. O metoprolol controla a frequência cardíaca, enquanto a rivaroxabana previne eventos tromboembólicos. Esta é a conduta recomendada pelas diretrizes de emergências cardiovasculares para FA de início recente (> 48h) sem instabilidade hemodinâmica.

Gabarito: letra E

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