Em pronto atendimento, um paciente de 62 anos de idade, tabagista de 20 anos-maço, queixou-se de dispneia ao subir aclives havia dois meses. Negou hospitalizações prévias ou comorbidades. O exame físico não revelou anormalidades. Sua espirometria revelou VEF1 de 74% pré-broncodilatador e 78% pós-broncodilatador.Nesse caso clínico, de acordo com a Iniciativa Global para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (GOLD), versão de 2023, a primeira linha de tratamento inclui o medicamento
Abeta-agonista de longa duração associado a corticoide inalatório.
Bbeta-agonista de longa duração isolado.
Cbeta-agonista e anticolinérgico de longa duração associado a corticoide inalatório.
Danticolinérgico de longa duração associado a corticoide inalatório.
Eanticolinérgico de curta duração isolado.
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GabaritoB — beta-agonista de longa duração isolado.
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DPOC: tratamento farmacológico inicial pela GOLD 2023
Gabarito: letra B. O paciente tem DPOC leve (VEF1 74% pré e 78% pós-broncodilatador, ou seja, GOLD 1) e poucos sintomas (dispneia apenas em aclives, sem exacerbações). Pela GOLD 2023, a primeira linha de tratamento para esse perfil é o beta-agonista de longa duração (LABA) isolado — a alternativa B. O racional é que, em pacientes com sintomas leves e baixo risco, a monoterapia broncodilatadora de longa duração é suficiente, reservando associações e corticoides inalatórios para casos mais graves ou com exacerbações frequentes.
A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) é uma doença respiratória caracterizada por obstrução persistente e progressiva do fluxo aéreo, causada principalmente pelo tabagismo. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que mostra VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. A classificação GOLD avalia a gravidade da limitação ao fluxo aéreo (GOLD 1 a 4) e o risco de exacerbações, combinando sintomas (escala mMRC ou CAT) com a história de exacerbações. O tratamento é escalonado: começa com broncodilatadores de longa duração e evolui para associações e corticoides inalatórios conforme a gravidade e o risco.
Na GOLD 2023, a abordagem inicial é baseada no grupo do paciente (A, B ou E). O paciente do caso tem poucos sintomas (dispneia apenas em aclives, sem exacerbações) e obstrução leve (GOLD 1), o que o coloca no grupo A (baixo risco, poucos sintomas). Para o grupo A, a recomendação é um broncodilatador de longa duração — LABA ou LAMA (anticolinérgico de longa duração) — como monoterapia. A escolha entre LABA e LAMA é baseada na preferência do paciente e na resposta ao tratamento. A associação de LABA + LAMA é reservada para pacientes com mais sintomas (grupo B) ou alto risco (grupo E), e o corticoide inalatório (CI) é adicionado apenas em casos específicos, como exacerbações frequentes com eosinofilia elevada.
A pegadinha da questão está em associar o corticoide inalatório ao tratamento inicial, o que é um erro comum. O CI não é primeira linha na DPOC — ele é reservado para pacientes com exacerbações recorrentes e eosinofilia, pois aumenta o risco de pneumonia. Além disso, a alternativa E (anticolinérgico de curta duração isolado) é inadequada como tratamento de manutenção, pois broncodilatadores de curta duração são usados apenas para alívio sintomático, não como terapia de base. O tratamento de manutenção da DPOC sempre utiliza broncodilatadores de longa duração.
Guarde a lógica do escalonamento: monoterapia com LABA ou LAMA → associação LABA + LAMA → associação tripla (LABA + LAMA + CI). O corticoide inalatório só entra em casos selecionados. É exatamente essa progressão que as alternativas testam.
DPOC: tratamento inicial (GOLD 2023): Grupo A (baixo risco, poucos sintomas) (LABA isolado, LAMA isolado); Grupo B (mais sintomas) (LABA + LAMA); Grupo E (alto risco) (LABA + LAMA, ± Corticoide inalatório (CI)); CI: só casos selecionados (Exacerbações frequentes, Eosinofilia elevada, Risco de pneumonia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A associação de LABA com corticoide inalatório (CI) não é primeira linha para DPOC leve. O CI é reservado para pacientes com exacerbações frequentes e eosinofilia elevada (geralmente ≥ 300 células/µL), pois aumenta o risco de pneumonia. No paciente do caso, sem exacerbações e com obstrução leve, não há indicação de CI.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paciente tem DPOC GOLD 1 (VEF1 ≥ 80% do previsto, mas aqui 74% pré e 78% pós — ainda assim leve) e poucos sintomas, sem exacerbações. Pela GOLD 2023, ele se enquadra no grupo A, cuja primeira linha de tratamento é um broncodilatador de longa duração isolado — LABA ou LAMA. A alternativa B (LABA isolado) está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A associação tripla (LABA + LAMA + CI) é reservada para pacientes com alto risco de exacerbações (grupo E) ou sintomas persistentes apesar da dupla broncodilatação. No paciente do caso, com DPOC leve e poucos sintomas, essa combinação é excessiva e não indicada como primeira linha.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A associação de LAMA com CI não é primeira linha. O CI só é adicionado em casos específicos de exacerbações frequentes com eosinofilia. Além disso, a monoterapia com LAMA seria uma opção válida para o grupo A, mas a associação com CI não é indicada neste cenário.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Anticolinérgico de curta duração (SAMA) isolado não é tratamento de manutenção da DPOC. Broncodilatadores de curta duração são usados apenas para alívio sintomático (resgate), não como terapia de base. O tratamento de manutenção exige broncodilatadores de longa duração.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o tratamento da DPOC e o da asma. Na asma, o corticoide inalatório é a base do tratamento; na DPOC, ele é reservado para casos selecionados. O candidato que transfere o raciocínio da asma para a DPOC tende a marcar as alternativas com CI (A, C ou D). Lembre-se: na DPOC, a primeira linha é broncodilatador de longa duração isolado.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de DPOC, identifique primeiro o grupo GOLD (A, B ou E) com base nos sintomas e no risco de exacerbações. Depois, aplique o escalonamento: grupo A → LABA ou LAMA isolado; grupo B → LABA + LAMA; grupo E → LABA + LAMA ± CI. O CI só entra com exacerbações frequentes e eosinofilia.