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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — CESPE / CEBRASPE 2023

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
ce156387
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
Acerca da gota, assinale a opção correta.
  1. AQuando acomete mulheres, a gota é mais frequente na pré-menopausa.
  2. BQuanto mais elevado for o nível sérico de urato, maior será a probabilidade de manifestação da gota.
  3. CO consumo de cerveja implica menor risco de gota que o de destilados.
  4. DO controle definitivo da gota independe da correção da hiperuricemia.
  5. EA artrite aguda poliarticular é a manifestação clínica inicial mais comum da gota.
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GabaritoB — Quanto mais elevado for o nível sérico de urato, maior será a probabilidade de manifestação da gota.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gota: fisiopatologia e manifestações clínicas

Gabarito: letra B. A alternativa B está correta porque a hiperuricemia é o principal fator de risco para a gota, e o risco de manifestação da doença aumenta progressivamente com a elevação dos níveis séricos de urato — relação dose-resposta bem documentada. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a gota é rara em mulheres pré-menopáusicas (A), a cerveja confere maior risco que destilados (C), o controle definitivo depende da correção da hiperuricemia (D) e a apresentação inicial típica é monoarticular (E).

A gota é uma artropatia por deposição de cristais de monourato de sódio em indivíduos com hiperuricemia. O ácido úrico é o produto final do metabolismo das purinas; quando sua concentração sérica ultrapassa o limite de solubilidade (cerca de 7 mg/dL), ocorre supersaturação e precipitação de cristais nas articulações e tecidos, desencadeando resposta inflamatória aguda. A hiperuricemia pode resultar de produção aumentada, excreção renal reduzida (causa mais comum, presente em cerca de 90% dos casos) ou combinação de ambos.

A relação entre nível de urato e risco de gota é direta e progressiva. Estudos epidemiológicos demonstram que a incidência anual de gota aumenta conforme a uricemia: em homens com ácido úrico > 9 mg/dL, a incidência chega a 5% ao ano, enquanto naqueles com níveis entre 7 e 8,9 mg/dL é de 0,5%, e nos com valores < 7 mg/dL, de apenas 0,1%. Ou seja, quanto maior a uricemia, maior a probabilidade de crise gotosa — exatamente o que afirma a alternativa B. É importante notar que a maioria dos hiperuricêmicos nunca desenvolverá gota, mas o risco cresce de forma contínua com o aumento do urato.

A apresentação clássica da gota é a artrite aguda monoarticular, de instalação rápida, com dor intensa, rubor e calor — a primeira metatarsofalangiana (podagra) é o sítio mais comum. A forma poliarticular e simétrica, com tofos, é característica da gota tofácea crônica, fase tardia da doença. O diagnóstico é firmado pela identificação de cristais de urato no líquido sinovial (padrão-ouro) e o tratamento da crise aguda envolve anti-inflamatórios, colchicina ou corticosteroides; a prevenção de novas crises e complicações crônicas exige a correção da hiperuricemia com urato-redutores (como alopurinol) e mudanças no estilo de vida.

Os fatores de risco modificáveis incluem dieta rica em purinas (carnes vermelhas, vísceras, frutos do mar), bebidas alcoólicas — especialmente cerveja, que tem alto teor de purinas e aumenta a produção de ácido úrico —, bebidas ricas em frutose, obesidade, síndrome metabólica, hipertensão, insuficiência renal e uso de diuréticos tiazídicos. A gota é rara em homens jovens (< 25 anos) e em mulheres pré-menopáusicas, pois o estrogênio aumenta a excreção renal de urato; quando ocorre nesses grupos, deve-se investigar causas secundárias, como doenças mieloproliferativas ou defeitos enzimáticos.

A pegadinha central desta questão está na alternativa A: a banca inverte a realidade epidemiológica — a gota é rara na pré-menopausa, não frequente. Além disso, a alternativa C inverte o risco relativo entre cerveja e destilados, e a E troca a apresentação monoarticular pela poliarticular. Guarde o tripé: hiperuricemia → risco proporcional; crise aguda → monoarticular; controle → correção da uricemia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a gota é mais frequente em mulheres na pré-menopausa. É exatamente o oposto: a gota é rara em mulheres pré-menopáusicas, pois o estrogênio promove maior excreção renal de ácido úrico, protegendo contra a hiperuricemia. A incidência aumenta após a menopausa, quando a proteção hormonal desaparece. Quando a gota ocorre em mulheres jovens ou pré-menopáusicas, deve-se investigar causas secundárias (doenças hiperproliferativas, defeitos genéticos).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A hiperuricemia é o principal fator de risco para gota, e o risco de manifestação aumenta progressivamente com a elevação do urato sérico. Estudos mostram incidência anual de gota de 5% em homens com uricemia > 9 mg/dL, 0,5% naqueles com 7–8,9 mg/dL e 0,1% nos com < 7 mg/dL — relação dose-resposta clara. A alternativa espelha exatamente essa relação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a cerveja implica menor risco que destilados. Na verdade, a cerveja confere maior risco de gota que os destilados, pois além do álcool, contém purinas (especialmente guanosina) que aumentam a produção de ácido úrico. Estudos mostram que o consumo de cerveja eleva a uricemia e o risco de crises gotosas mais do que bebidas destiladas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o controle definitivo da gota independe da correção da hiperuricemia. É o contrário: o tratamento de longo prazo visa justamente reduzir e manter o urato sérico abaixo do limiar de saturação (geralmente < 6 mg/dL) para prevenir novas crises, tofos e complicações crônicas. Sem correção da hiperuricemia, a doença progride.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a artrite aguda poliarticular é a manifestação inicial mais comum. A apresentação inicial típica é a artrite aguda monoarticular, de instalação rápida, com predomínio na primeira metatarsofalangiana (podagra). A forma poliarticular e simétrica é característica da gota tofácea crônica, fase tardia.

Gabarito: letra B

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