Com relação a doenças renais, assinale a opção correta.
AA síndrome antifosfolípide é uma causa potencial de insuficiência renal aguda associada a nefrotoxinas.
BA glomerulonefrite é uma complicação incomum da endocardite bacteriana aguda, mediada por imunocomplexos.
CA síndrome nefrótica caracteriza-se, classicamente, por proteinúria e hematúria maciças, hipoalbuminemia, hipertrigliceridemia, edema e hipertensão arterial.
DLesão renal aguda e doença renal crônica são causas de acidose metabólica com anion gap normal.
EPara portadores de nefrolitíase de cristais de oxalato de cálcio, a recomendação dietética de redução da ingestão de cálcio é benéfica e faz parte das orientações gerais para a prevenção de recorrência da doença.
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GabaritoB — A glomerulonefrite é uma complicação incomum da endocardite bacteriana aguda, mediada por imunocomplexos.
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Doenças renais: glomerulonefrite e endocardite bacteriana
Gabarito: letra B. A glomerulonefrite é uma complicação incomum da endocardite bacteriana aguda, mediada por imunocomplexos — a alternativa está correta ao descrever essa relação fisiopatológica. As demais opções contêm erros conceituais: a síndrome antifosfolípide não é causa de IRA por nefrotoxinas, a síndrome nefrótica não cursa com hematúria maciça, a acidose metabólica com anion gap normal não é causada por LRA/DRC, e a restrição de cálcio na nefrolitíase por oxalato é prejudicial.
A glomerulonefrite associada à endocardite bacteriana é um exemplo clássico de glomerulonefrite por imunocomplexos. Na endocardite, especialmente na forma subaguda (mais frequentemente por Streptococcus viridans), há deposição de imunocomplexos circulantes nos glomérulos, ativando o complemento e desencadeando uma resposta inflamatória. Isso pode levar a hematúria, proteinúria, cilindros hemáticos e, em casos mais graves, síndrome nefrítica com insuficiência renal. Na endocardite bacteriana aguda (por Staphylococcus aureus, por exemplo), a glomerulonefrite é menos comum, mas pode ocorrer — e é exatamente essa a afirmação da alternativa B: uma complicação incomum, mas possível, mediada por imunocomplexos.
A fisiopatologia envolve a formação de imunocomplexos circulantes (antígenos bacterianos + anticorpos) que se depositam na membrana basal glomerular, ativando a cascata do complemento e recrutando neutrófilos. Isso gera lesão glomerular com proliferação celular e infiltrado inflamatório. O diagnóstico é clínico-laboratorial: urina tipo I com hematúria dismórfica, proteinúria, cilindros hemáticos, queda do complemento sérico (C3 e C4) e evidência de endocardite (hemoculturas positivas, vegetações ao ecocardiograma). O tratamento é direcionado à infecção de base com antibioticoterapia adequada, e a glomerulonefrite geralmente regride com o controle da endocardite.
A distinção importante é entre glomerulonefrite por imunocomplexos (como na endocardite, lúpus, pós-estreptocócica) e outras formas de lesão renal na endocardite, como infarto renal por êmbolos sépticos ou abscesso renal. A banca explora a confusão entre "comum" e "incomum" — na endocardite subaguda, a glomerulonefrite é relativamente frequente; na aguda, é incomum, mas a alternativa B afirma exatamente isso, tornando-a correta.
Guarde a fronteira entre as complicações renais da endocardite e os demais conceitos de nefrologia: é nela que as alternativas se dividem. A letra B é a única que descreve corretamente uma relação fisiopatológica real, enquanto as demais contêm erros conceituais que veremos a seguir.
Alternativa
Afirmação
Veredito
Erro conceitual
A
SAF como causa de IRA por nefrotoxinas
❌ Incorreta
SAF causa IRA por trombose microvascular, não por nefrotoxicidade
B
Glomerulonefrite como complicação incomum da endocardite bacteriana aguda, mediada por imunocomplexos
✅ Correta (gabarito)
—
C
Síndrome nefrótica com proteinúria, hematúria maciça, hipoalbuminemia, hipertrigliceridemia, edema e hipertensão
❌ Incorreta
Hematúria maciça é do padrão nefrítico, não nefrótico
D
LRA e DRC como causas de acidose metabólica com anion gap normal
❌ Incorreta
LRA/DRC causam acidose com anion gap elevado
E
Redução de cálcio na dieta como benéfica na nefrolitíase por oxalato de cálcio
❌ Incorreta
Restrição de cálcio aumenta absorção de oxalato e risco de cálculos
Glomerulonefrite na endocardite
1Subaguda (Streptococcus viridans)
Comum
Imunocomplexos
2Aguda (Staphylococcus aureus)
Incomum
Imunocomplexos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida que causa trombose vascular, incluindo trombose de artérias e veias renais, podendo levar a hipertensão renovascular, infarto renal e insuficiência renal. No entanto, a SAF não é uma causa de insuficiência renal aguda associada a nefrotoxinas. Nefrotoxinas são substâncias que lesam diretamente os túbulos renais (como aminoglicosídeos, anti-inflamatórios não esteroidais, contraste iodado). A SAF causa lesão renal por mecanismo trombótico, não por toxicidade direta. A alternativa confunde o mecanismo fisiopatológico: a SAF é uma causa de IRA por trombose microvascular (como na microangiopatia trombótica), não por nefrotoxicidade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A glomerulonefrite é uma complicação incomum da endocardite bacteriana aguda, mediada por imunocomplexos. Na endocardite bacteriana aguda (geralmente por Staphylococcus aureus), a glomerulonefrite é menos frequente do que na subaguda, mas pode ocorrer. O mecanismo é a deposição de imunocomplexos circulantes nos glomérulos, ativando o complemento e causando inflamação glomerular. A alternativa está correta ao afirmar que é incomum e mediada por imunocomplexos — exatamente o que a literatura descreve.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome nefrótica caracteriza-se por proteinúria maciça (>3,5 g/dia), hipoalbuminemia, edema, hiperlipidemia (incluindo hipertrigliceridemia) e lipidúria. No entanto, hematúria maciça não faz parte da síndrome nefrótica clássica. Hematúria é característica da síndrome nefrítica (como na glomerulonefrite pós-estreptocócica). A alternativa mistura os dois padrões: inclui proteinúria e hipoalbuminemia (nefrótico) com hematúria maciça (nefrítico). Além disso, a hipertensão arterial não é um achado clássico da síndrome nefrótica pura — pode ocorrer, mas não é definidora. O erro central é a inclusão de hematúria maciça, que pertence ao espectro nefrítico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Lesão renal aguda (LRA) e doença renal crônica (DRC) são causas de acidose metabólica com anion gap elevado, não com anion gap normal. A acidose metabólica com anion gap normal (hiperclorêmica) ocorre em situações de perda de bicarbonato, como diarreia, acidose tubular renal e uso de inibidores da anidrase carbônica. Na LRA e na DRC, a redução da filtração glomerular leva ao acúmulo de ácidos não voláteis (fosfatos, sulfatos, ácidos orgânicos), resultando em acidose com anion gap elevado. A alternativa inverte o padrão: LRA e DRC causam acidose com anion gap aumentado, não normal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Para portadores de nefrolitíase por oxalato de cálcio, a recomendação dietética de redução da ingestão de cálcio é prejudicial, não benéfica. A restrição de cálcio na dieta aumenta a absorção intestinal de oxalato, elevando a excreção urinária de oxalato e, paradoxalmente, aumentando o risco de formação de novos cálculos. A orientação correta é manter uma ingestão adequada de cálcio (cerca de 1.000-1.200 mg/dia), associada à restrição de sódio e proteína animal, e aumento da ingestão de líquidos. A alternativa inverte a recomendação: a redução de cálcio é contraindicada, não benéfica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de conceitos clássicos: na alternativa E, inverte a recomendação dietética para nefrolitíase (reduzir cálcio é prejudicial, não benéfico); na D, inverte o tipo de acidose metabólica (LRA/DRC causam anion gap elevado, não normal); na C, mistura síndrome nefrótica com nefrítica (hematúria maciça é do padrão nefrítico). Fique atento a essas inversões — com treino, você as identifica rapidamente 💪