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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce156396
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
A respeito da candidíase oral, uma das infecções oportunistas mais prevalentes em pacientes infectados por HIV, julgue os itens a seguir.I A candidíase pseudomembranosa ocorre geralmente com células T CD4+ na faixa de 200–500 células por microlitro, ao passo que a candidíase eritematosa é observada quando há uma queda adicional de células T CD4+ abaixo de 200 células por microlitro, e ambas ocorrem geralmente na língua e no palato.II A maioria dos casos de candidíase oral não complicada em paciente infectado pelo HIV é causada por Candida glabrata — uma infecção fúngica oportunista —, no entanto, espécies de cândida menos comuns podem estar implicadas na infecção.III A presença de candidíase oral bem estabelecida em pacientes infectados pelo HIV sob a terapia antirretroviral altamente ativa pode ser considerada um indicador de falha potencial do tratamento.Assinale a opção correta.
  1. AApenas o item I está certo.
  2. BApenas o item II está certo.
  3. CApenas o item III está certo.
  4. DApenas os itens I e II estão certos.
  5. EApenas os itens II e III estão certos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas o item III está certo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Candidíase oral em pacientes com HIV

Gabarito: letra C — apenas o item III está correto. A candidíase oral bem estabelecida em paciente com HIV sob terapia antirretroviral (TARV) é um marcador de falha terapêutica, pois indica que a reconstituição imune não foi suficiente para controlar a infecção oportunista. Os itens I e II contêm erros conceituais: o item I inverte a relação entre as formas clínicas e a contagem de CD4+, e o item II atribui à Candida glabrata um protagonismo que pertence à Candida albicans.

A candidíase oral é a infecção oportunista mais comum em pacientes com HIV, e sua apresentação clínica reflete o grau de imunossupressão. A forma pseudomembranosa, caracterizada por placas brancas removíveis, e a forma eritematosa, que se manifesta como manchas avermelhadas, são as mais frequentes. A contagem de linfócitos T CD4+ é o principal parâmetro para estratificar o risco de cada forma clínica. O Ministério da Saúde, no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos, estabelece que as candidíases orofaríngea e esofágica são comuns em pacientes com imunossupressão, sendo observadas geralmente com contagem de LT-CD4+ inferior a 200 células/mm³. O principal agente etiológico é a Candida albicans, responsável pela grande maioria dos casos, e o diagnóstico é essencialmente clínico, pois a cultura tem pouca utilidade devido à presença do fungo como comensal da mucosa.

A relação entre a forma clínica da candidíase e o nível de imunossupressão é um dos pontos mais cobrados. A forma pseudomembranosa, com placas brancas aderentes, é a mais comum e pode ocorrer em imunossupressão moderada, enquanto a forma eritematosa, com manchas avermelhadas, tende a aparecer em imunossupressão mais avançada. No entanto, a associação com faixas específicas de CD4+ (como 200–500 ou <200) não é tão rígida quanto o item I sugere. O que a literatura e os protocolos enfatizam é que a candidíase oral, em qualquer forma, é um marcador de imunossupressão e, quando presente em paciente sob TARV, pode indicar falha terapêutica.

O item III é o único correto porque a persistência ou o aparecimento de candidíase oral em paciente em uso de TARV sugere que a terapia não está controlando adequadamente a replicação viral e a reconstituição imune. Isso pode ocorrer por resistência aos antirretrovirais, má adesão ao tratamento ou interações medicamentosas. A candidíase oral, nesse contexto, funciona como um sinal de alerta clínico para investigar a efetividade do tratamento.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a Candida albicans e outras espécies. O item II afirma que a maioria dos casos é causada por Candida glabrata, mas o agente predominante é a Candida albicans. Essa troca é clássica: o candidato que memorizou que "existem outras espécies" pode aceitar a afirmação sem perceber que a palavra "maioria" torna o item falso. Fique atento a termos como "maioria", "sempre", "nunca" — eles costumam ser o ponto de virada.

Item I — ❌ Incorreto

O item I afirma que a candidíase pseudomembranosa ocorre com CD4+ entre 200–500 e a eritematosa abaixo de 200. Essa associação é imprecisa. O que se observa é que a candidíase oral, em geral, é mais comum com CD4+ < 200 células/mm³, e a forma eritematosa pode ocorrer em níveis ainda mais baixos, mas não há uma correlação tão estrita com as faixas citadas. Além disso, ambas as formas podem ocorrer na língua e no palato, mas a localização não é exclusiva. O erro está na rigidez da associação entre forma clínica e faixa de CD4+, que não é sustentada pela literatura.

Item II — ❌ Incorreto

O item II afirma que a maioria dos casos é causada por Candida glabrata. Isso é falso. O principal agente etiológico da candidíase oral é a Candida albicans, responsável pela grande maioria dos casos. Espécies não-albicans, como C. glabrata, C. tropicalis e C. krusei, podem estar implicadas, especialmente em casos recorrentes ou após uso de antifúngicos, mas não são a causa majoritária. A troca do agente etiológico é o erro central deste item.

Item III — ✅ Correto ⟵ GABARITO

O item III está correto. A presença de candidíase oral bem estabelecida em paciente com HIV sob TARV é um indicador de falha potencial do tratamento. Isso porque a TARV eficaz deve promover a reconstituição imune e o controle da replicação viral, o que reduziria a ocorrência de infecções oportunistas. Se a candidíase persiste ou surge, é sinal de que a terapia não está sendo efetiva, seja por resistência, má adesão ou outra causa. Esse é um conceito bem estabelecido na prática clínica e nos protocolos de manejo do HIV.

Conclusão: Corretos: apenas o item III → portanto a alternativa é a letra C.

Gabarito: letra C

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