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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce156400
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
O papilomavírus humano (HPV) é a causa de infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo, e a maioria das pessoas sexualmente ativas são expostas a ele durante a vida. Uma infecção persistente por HPV pode causar câncer cervical, anal ou de cabeça e pescoço, tendo sido o câncer cervical uma das principais causas de mortalidade entre mulheres por décadas. A infecção persistente com tipos de HPV de alto risco é responsável pela maioria dos casos de câncer cervical de células escamosas.A partir do texto precedente, assinale a opção correta.
  1. AEm mulheres com HPV, a coinfecção com outra IST geralmente aumenta o risco de progressão para o câncer cervical, porém o vírus da imunodeficiência humana (HIV) não parece aumentar o potencial oncogênico do HPV.
  2. BA infecção por HPV é frequentemente sintomática e autolimitada, incluindo-se entre os sintomas verrugas anogenitais, papilomatose respiratória e lesões pré-cancerígenas, cancerígenas cervicais, penianas, vulvares, vaginais, anais ou orofaríngeas.
  3. COs três tipos vacinais atualmente disponíveis contra o HPV — quadrivalente, bivalente e uma nova vacina nonavalente — são eficazes na proteção contra 90% das infecções por HPV, além de serem eficientes para eliminar infecções preexistentes.
  4. DDois tipos de HPV — HPV16 e HPV18 — foram identificados como os mais prevalentes associados ao câncer cervical, sendo responsáveis por 70% desse tipo de câncer e por lesões cervicais pré-cancerígenas.
  5. EA detecção de HPV de alto risco com base na triagem citológica de lesões anais pré-cancerígenas tem alta sensibilidade e o diagnóstico requer ainda infraestrutura de acompanhamento adequada, como anuscopia de alta resolução.
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GabaritoD — Dois tipos de HPV — HPV16 e HPV18 — foram identificados como os mais prevalentes associados ao câncer cervical, sendo responsáveis por 70% desse tipo de câncer e por lesões cervicais pré-cancerígenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção pelo HPV e oncogênese cervical

Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que os tipos HPV16 e HPV18 são os mais prevalentes associados ao câncer cervical, sendo responsáveis por cerca de 70% desses casos e por lesões pré-cancerígenas — dado amplamente consolidado na literatura e nos protocolos do Ministério da Saúde. As demais alternativas contêm erros conceituais: a A nega o papel do HIV como fator de risco, a B afirma que a infecção é frequentemente sintomática, a C atribui às vacinas a capacidade de eliminar infecções preexistentes e a E superestima a sensibilidade da citologia na triagem anal.

O papilomavírus humano (HPV) é um DNA-vírus não encapsulado que infecta epitélios escamosos, com mais de 200 tipos identificados, dos quais cerca de 40 acometem o trato anogenital. A transmissão ocorre por atividade sexual e, excepcionalmente, durante o parto. A maioria das infecções é assintomática e transitória, com resolução espontânea em até 24 meses, especialmente em adolescentes. A persistência da infecção por tipos de alto risco oncogênico é o principal fator para o desenvolvimento de lesões precursoras e câncer cervical.

Os tipos de HPV são classificados conforme o potencial oncogênico. Os de baixo risco (6, 11, 40, 42, 43, 44, 54, 61, 70, 72 e 81) estão associados a verrugas genitais e lesões de baixo grau (LSIL). Os de alto risco (16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 68, 73 e 82) estão associados a lesões de alto grau (HSIL) e ao câncer. Os tipos 26, 53 e 66 são provavelmente de alto risco, enquanto 34, 57 e 83 têm risco indeterminado. O tempo médio entre a infecção de alto risco e o desenvolvimento do câncer cervical é de aproximadamente 20 anos, variando conforme o tipo viral, carga viral, persistência e estado imunológico do hospedeiro.

A infecção pelo HIV é um fator predisponente importante, pois a imunodeficiência favorece a persistência do HPV e aumenta o risco de progressão para câncer. O tabagismo, a desnutrição e o uso de drogas imunossupressoras também são fatores de risco. As verrugas anogenitais resultam quase exclusivamente de tipos não oncogênicos, enquanto os tipos oncogênicos estão associados a lesões intraepiteliais e carcinomas.

As vacinas contra o HPV são profiláticas, ou seja, previnem a infecção, mas não tratam infecções já estabelecidas. As vacinas quadrivalente (tipos 6, 11, 16, 18) e nonavalente (tipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58) protegem contra os tipos de maior relevância clínica, incluindo os responsáveis pela maioria dos cânceres cervicais. A vacina bivalente (tipos 16, 18) também confere proteção contra esses dois tipos oncogênicos principais.

A triagem do câncer cervical é baseada no exame citopatológico (Papanicolaou) e, mais recentemente, na pesquisa de DNA-HPV de alto risco. Para o câncer anal, não há recomendação nacional de rastreamento, embora diretrizes internacionais sugiram o esfregaço anal em populações de risco, como pessoas vivendo com HIV. A anuscopia de alta resolução é o método de confirmação diagnóstica, não de triagem.

A pegadinha central desta questão está na distinção entre o que é verdadeiro e o que é distorcido pela banca. A alternativa D é a única que apresenta dados corretos e bem estabelecidos sobre a epidemiologia do HPV e sua relação com o câncer cervical. As demais alternativas misturam informações verdadeiras com erros sutis, exigindo do candidato conhecimento preciso sobre a história natural da infecção, os fatores de risco e as estratégias de prevenção e rastreamento.

Característica

HPV 16 e 18 (Alto Risco)

HPV 6 e 11 (Baixo Risco)

Associação com câncer cervical

Responsáveis por ~70% dos casos e lesões pré-cancerígenas

Não oncogênicos; associados a verrugas genitais

Vacinas disponíveis

Proteção incluída nas vacinas bivalente, quadrivalente e nonavalente

Proteção incluída nas vacinas quadrivalente e nonavalente

Efeito da vacina

Profilático (previne infecção; não elimina infecções preexistentes)

Profilático (previne infecção; não elimina infecções preexistentes)

1Tipos de baixo risco
Verrugas anogenitais
Lesões de baixo grau (LSIL)
2Tipos de alto risco
HPV 16 e 18 (70% do câncer cervical)
Lesões de alto grau (HSIL)
3Vacinas (profiláticas)
Bivalente (16, 18)
Quadrivalente (6, 11, 16, 18)
Nonavalente (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58)
HPV
LEVELsoulevel.com.br
HPV: Tipos de baixo risco (Verrugas anogenitais, Lesões de baixo grau (LSIL)); Tipos de alto risco (HPV 16 e 18 (70% do câncer cervical), Lesões de alto grau (HSIL)); Vacinas (profiláticas) (Bivalente (16, 18), Quadrivalente (6, 11, 16, 18), Nonavalente (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está na afirmação de que o HIV "não parece aumentar o potencial oncogênico do HPV". Na verdade, a infecção pelo HIV é um fator de risco bem documentado: a imunodeficiência favorece a persistência do HPV e aumenta o risco de progressão para lesões precursoras e câncer cervical. O próprio texto do enunciado menciona que "deficiências imunológicas, incluindo aquelas causadas pela infecção pelo HIV, são fatores predisponentes". A coinfecção HIV-HPV é um exemplo clássico de interação que potencializa a oncogênese.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que a infecção por HPV é "frequentemente sintomática" está incorreta. A maioria das infecções é assintomática e autolimitada, com resolução espontânea. As manifestações clínicas, como verrugas anogenitais, ocorrem em uma minoria dos casos (cerca de 1% a 2% da população). A alternativa mistura corretamente a lista de possíveis manifestações (verrugas, papilomatose respiratória, lesões pré-cancerígenas) com a afirmação falsa sobre a frequência dos sintomas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O erro está na afirmação de que as vacinas são "eficientes para eliminar infecções preexistentes". As vacinas contra o HPV são profiláticas: previnem a infecção, mas não têm efeito terapêutico sobre infecções já estabelecidas. Além disso, a proteção contra "90% das infecções por HPV" é uma generalização imprecisa — as vacinas protegem contra os tipos específicos incluídos na formulação, não contra todos os tipos de HPV.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que os tipos HPV16 e HPV18 são os mais prevalentes associados ao câncer cervical, sendo responsáveis por cerca de 70% dos casos e por lesões pré-cancerígenas. Esse dado é amplamente consolidado na literatura e nos protocolos do Ministério da Saúde. A vacinação contra esses dois tipos é a base das estratégias de prevenção do câncer cervical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O erro está na afirmação de que a "detecção de HPV de alto risco com base na triagem citológica de lesões anais pré-cancerígenas tem alta sensibilidade". A citologia anal tem sensibilidade limitada e não é recomendada como método de triagem de rotina para o câncer anal. A anuscopia de alta resolução é o método de confirmação diagnóstica, não de triagem. Além disso, não há recomendação nacional para rastreamento do câncer anal, embora diretrizes internacionais sugiram o esfregaço anal em populações de risco.

Gabarito: letra D

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