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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce156401
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
A febre amarela (FA) é uma doença infecciosa febril aguda transmitida por vetores artrópodes e causada pelos vírus da família Flaviviridae, gênero Flavivirus. O espectro clínico da FA varia entre infecções assintomáticas e quadros graves de insuficiência renal e hemorragia generalizada. A notificação da doença é compulsória e deve ser imediata, em face de sua gravidade e do risco de dispersão epidemiológica.Em relação à temática tratada no texto precedente, assinale a opção correta.
  1. AO teste mais indicado para o diagnóstico da FA na fase aguda é o isolamento viral e, nos casos duvidosos, indica-se a biópsia do fígado com imuno-histoquímica.
  2. BA FA é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres e sua manifestação é idêntica em ambos os casos, pois o vírus é o mesmo, estando a diferença nos transmissores e hospedeiros vertebrados; no ciclo urbano, a doença é uma antroponose e, no ciclo silvestre, uma zoonose.
  3. CNo ciclo silvestre, o vetor da FA em áreas florestais são principalmente os mosquitos do gênero Haemagogus; no meio urbano, a transmissão se dá por meio do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue) e insetos do gênero Sabethes.
  4. DA aplicação de inseticida por meio do fumacê objetiva eliminar os ovos do mosquito transmissor de FA, dos quais nascerão larvas que se tornarão novos mosquitos após se desenvolverem na água.
  5. EA vacina contra o vírus da FA é feita com vírus morto e é indicada a todos os indivíduos desde o nascimento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A FA é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres e sua manifestação é idêntica em ambos os casos, pois o vírus é o mesmo, estando a diferença nos transmissores e hospedeiros vertebrados; no ciclo urbano, a doença é uma antroponose e, no ciclo silvestre, uma zoonose.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Febre amarela: ciclos de transmissão e diagnóstico

Gabarito: letra B. A febre amarela (FA) é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres, e sua manifestação clínica é idêntica em ambos os casos, pois o vírus é o mesmo; a diferença está nos transmissores e hospedeiros vertebrados — no ciclo urbano, a doença é uma antroponose (homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica) e, no ciclo silvestre, uma zoonose (transmitida entre primatas não humanos e mosquitos, com o homem como hospedeiro acidental). Essa é a distinção central que a alternativa B espelha corretamente.

A febre amarela é uma arbovirose causada por um vírus da família Flaviviridae, gênero Flavivirus, transmitida pela picada de mosquitos infectados. A doença apresenta dois ciclos epidemiológicos distintos: o silvestre e o urbano. No ciclo silvestre, os vetores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e os hospedeiros vertebrados são primatas não humanos (macacos), que atuam como hospedeiros amplificadores — o homem se infecta ao adentrar áreas florestais onde há transmissão ativa. No ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti (o mesmo da dengue), e o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica, configurando uma antroponose. É importante destacar que o vírus é o mesmo nos dois ciclos; o que muda é o vetor e o hospedeiro vertebrado, e por isso a manifestação clínica é idêntica.

O diagnóstico da FA na fase aguda é feito preferencialmente por métodos diretos de detecção viral, como o RT-PCR e o isolamento viral, realizados durante o período de viremia (até cerca de 5-7 dias do início dos sintomas). A sorologia (IgM) é útil a partir do 6º dia. A biópsia hepática, embora possa demonstrar o antígeno viral por imuno-histoquímica, é contraindicada na suspeita de FA devido ao alto risco de sangramento, uma vez que a doença cursa com coagulopatia — não sendo, portanto, indicada em casos duvidosos.

A vacina contra a FA é produzida com vírus vivo atenuado (cepa 17DD), e não com vírus morto. É indicada a partir dos 9 meses de idade para pessoas que residem ou viajam para áreas de risco, e não a todos os indivíduos desde o nascimento. Há contraindicações importantes, como imunodeficiências, uso de imunossupressores e idade inferior a 4 meses (risco de encefalite).

O controle vetorial por meio do fumacê (inseticida em ultrabaixo volume) visa eliminar os mosquitos adultos em voo, e não os ovos. Os ovos do Aedes aegypti são resistentes à dessecação e podem sobreviver por meses em recipientes secos, eclodindo quando em contato com água — por isso, a eliminação de criadouros é a principal medida de controle, complementada pelo fumacê para reduzir a população de adultos durante surtos.

A pegadinha desta questão está na alternativa C, que inverte os vetores: no ciclo silvestre, os vetores são Haemagogus e Sabethes; no urbano, é o Aedes aegypti. A alternativa C afirma que no ciclo silvestre o vetor é Haemagogus (correto), mas no urbano a transmissão se dá por Aedes aegypti e insetos do gênero Sabethes — o que está errado, pois Sabethes é vetor silvestre, não urbano. Guarde essa fronteira: silvestre = Haemagogus/Sabethes; urbano = Aedes aegypti.

Critério

Ciclo Silvestre

Ciclo Urbano

Vetor

Haemagogus e Sabethes

Aedes aegypti

Hospedeiro vertebrado

Primatas não humanos (homem é acidental)

Homem (único com importância epidemiológica)

Classificação

Zoonose

Antroponose

Febre amarela
  • 1Ciclos de transmissão
    • Silvestre
      • Vetores: Haemagogus e Sabethes
      • Hospedeiros: primatas não humanos
      • Zoonose
    • Urbano
      • Vetor: Aedes aegypti
      • Hospedeiro: homem
      • Antroponose
  • 2Diagnóstico
    • Fase aguda: RT-PCR ou isolamento viral
    • Após 6º dia: sorologia IgM
    • Biópsia hepática contraindicada
  • 3Vacina
    • Vírus vivo atenuado (cepa 17DD)
    • A partir dos 9 meses
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O teste mais indicado para o diagnóstico da FA na fase aguda é o RT-PCR ou o isolamento viral, ambos realizados durante o período de viremia. A alternativa erra ao afirmar que, em casos duvidosos, indica-se a biópsia do fígado com imuno-histoquímica: a biópsia hepática é contraindicada na suspeita de FA, pois o paciente apresenta coagulopatia e risco elevado de sangramento. O diagnóstico em casos duvidosos é feito por sorologia (IgM) após o 6º dia de sintomas ou por métodos moleculares.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a FA é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres e que a manifestação clínica é idêntica em ambos os casos, pois o vírus é o mesmo. A diferença está nos transmissores (Haemagogus/Sabethes no silvestre; Aedes aegypti no urbano) e nos hospedeiros vertebrados (primatas não humanos no silvestre; homem no urbano). No ciclo urbano, a doença é uma antroponose, pois o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica; no ciclo silvestre, é uma zoonose, pois o homem se infecta acidentalmente ao entrar em áreas de transmissão entre macacos e mosquitos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que, no meio urbano, a transmissão se dá por meio do Aedes aegypti e insetos do gênero Sabethes. O Sabethes é vetor do ciclo silvestre, não do urbano. No ciclo urbano, o único vetor é o Aedes aegypti. A primeira parte da alternativa (vetor silvestre = Haemagogus) está correta, mas a segunda parte contém o erro que a torna incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A aplicação de inseticida por meio do fumacê visa eliminar os mosquitos adultos em voo, e não os ovos. Os ovos do Aedes aegypti são resistentes à dessecação e podem sobreviver por longos períodos em recipientes secos, eclodindo quando em contato com água. A eliminação de criadouros é a principal medida de controle; o fumacê é uma medida complementar para reduzir a população de mosquitos adultos durante surtos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vacina contra a FA é produzida com vírus vivo atenuado (cepa 17DD), e não com vírus morto. Além disso, não é indicada a todos os indivíduos desde o nascimento: é recomendada a partir dos 9 meses de idade para pessoas que residem ou viajam para áreas de risco, e é contraindicada em menores de 4 meses (risco de encefalite), imunodeficientes e pessoas em uso de imunossupressores.

Gabarito: letra B

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