Staphylococcus aureus é um importante agente de infecções da corrente sanguínea, que são particularmente problemáticas devido à frequente resistência a antibióticos. Portanto, a identificação rápida e precisa de S. aureus resistente à meticilina (MRSA) e de S. aureus sensível à meticilina (MSSA) é essencial para o diagnóstico clínico e a terapia antimicrobiana específica. Técnicas de amplificação como PCR em tempo real apresentam boa sensibilidade e especificidade para detectar S. aureus, no entanto exige pessoal bem treinado e os custos são altos. Métodos rápidos e simples podem aprimorar os resultados do tratamento.Tendo como referência o assunto abordado no texto precedente, assinale a opção correta.
AA coloração de Gram distingue organismos Gram-positivos de Gram-negativos com base nas diferenças em suas paredes celulares; as espessas paredes celulares das bactérias Gram-positivas retêm o corante safranina após o tratamento com etanol.
BA técnica de espectrometria de massa MALDI-TOF-MS gera um perfil espectral baseado em proteínas, que é considerado uma “impressão digital” exclusiva para determinada espécie de patógeno.
CA técnica de MALDI-TOF-WCMS (espectrometria de massa de células inteiras) é utilizada para a detecção de biomarcadores de cepas resistentes a antibióticos e identificação rápida de MRSA; além disso, apresenta alta sensibilidade e alta especificidade, o que indica seu valor em aplicações clínicas.
DA identificação direta a partir da hemocultura envolve a extração de proteínas após a lise bacteriana e a filtração do lisado; as cepas de S. aureus podem ser identificadas em nível de gênero, mas não de espécie.
EO MALDI-TOF-MS é um método confiável, fácil e rápido para a identificação de S. aureus diretamente a partir da amostra de sangue durante um episódio febril.
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GabaritoB — A técnica de espectrometria de massa MALDI-TOF-MS gera um perfil espectral baseado em proteínas, que é considerado uma “impressão digital” exclusiva para determinada espécie de patógeno.
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Identificação bacteriana por MALDI-TOF-MS
Gabarito: letra B. A técnica de espectrometria de massa MALDI-TOF-MS gera um perfil espectral baseado em proteínas ribossomais, que funciona como uma "impressão digital" característica de cada espécie bacteriana — é exatamente isso que a alternativa B afirma. As demais alternativas contêm erros técnicos: a coloração de Gram retém o cristal violeta (não a safranina) nas Gram-positivas, e o MALDI-TOF não é utilizado para identificação direta de MRSA a partir de hemocultura ou sangue total com a sensibilidade e especificidade descritas.
A espectrometria de massa MALDI-TOF (Matrix-Assisted Laser Desorption/Ionization Time-of-Flight) revolucionou a microbiologia clínica ao permitir a identificação de bactérias e fungos em minutos, a partir de colônias isoladas ou, em alguns protocolos, diretamente de frascos de hemocultura positivos. O princípio é físico: a amostra é misturada a uma matriz que absorve energia de um laser, ionizando as moléculas (predominantemente proteínas ribossomais, que são abundantes e conservadas). Os íons são acelerados em um campo elétrico e o tempo de voo até o detector é proporcional à razão massa/carga (m/z). O espectro resultante é comparado com um banco de dados de referência, gerando um perfil único — a "impressão digital" proteica — que identifica o microrganismo em nível de gênero e, na maioria dos casos, de espécie.
A grande vantagem do MALDI-TOF-MS é a rapidez (minutos após o crescimento ou processamento da amostra), o baixo custo por teste e a alta precisão para a maioria dos patógenos clinicamente relevantes, incluindo Staphylococcus aureus. No entanto, há limitações importantes: a identificação direta de hemoculturas exige etapas de lise e extração proteica, e a distinção entre MRSA e MSSA (resistência à meticilina) não é feita diretamente pelo MALDI-TOF convencional — ela depende de testes fenotípicos (como o disco de cefoxitina) ou moleculares (PCR para o gene mecA). A alternativa C menciona "MALDI-TOF-WCMS" e a detecção de biomarcadores de resistência, o que não corresponde à aplicação clínica padrão da técnica.
A coloração de Gram, mencionada na alternativa A, é uma técnica centenária que classifica as bactérias em Gram-positivas e Gram-negativas com base na espessura da parede celular. As Gram-positivas possuem uma camada espessa de peptidoglicano que retém o complexo cristal violeta-iodo após a descoloração com etanol/acetona, aparecendo roxas. As Gram-negativas, com parede fina e membrana externa rica em lipopolissacarídeo, perdem o cristal violeta e são contracoradas com safranina, aparecendo rosa/vermelhas. A alternativa A inverte o corante: a safranina é o contracorante das Gram-negativas, não o corante retido pelas Gram-positivas.
A identificação direta de S. aureus a partir de hemocultura (alternativa D) é possível com MALDI-TOF após lise e extração, e a técnica identifica em nível de espécie, não apenas de gênero. A alternativa E afirma que o MALDI-TOF identifica S. aureus diretamente de sangue total durante episódio febril, o que não é viável na prática clínica — a concentração bacteriana no sangue é baixa e a matriz sanguínea interfere no espectro; a técnica é aplicada a colônias ou a frascos de hemocultura positivos (após incubação).
A pegadinha central desta questão é a confusão entre o que o MALDI-TOF faz (identificação por perfil proteico) e o que ele não faz (detecção direta de resistência a antibióticos). A banca explora essa fronteira: a alternativa C parece plausível ao mencionar "biomarcadores de cepas resistentes", mas isso não é uma aplicação estabelecida do MALDI-TOF-WCMS na rotina clínica para MRSA. A identificação de resistência exige métodos complementares, como testes de sensibilidade ou PCR.
MALDI-TOF-MS
1Princípio
Ionização por laser (matriz)
Tempo de voo → razão massa/carga
Perfil de proteínas ribossomais
2Aplicação
Identificação de bactérias e fungos
Nível de gênero e espécie
Colônias ou hemocultura positiva
3Limitações
Não detecta resistência (MRSA)
Não usa sangue total
Requer banco de dados de referência
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na inversão do corante. Na coloração de Gram, as bactérias Gram-positivas retêm o cristal violeta (corante primário) após a descoloração com etanol, aparecendo roxas. A safranina é o contracorante utilizado para tingir as Gram-negativas, que perdem o cristal violeta e ficam rosadas. A alternativa afirma que as Gram-positivas retêm a safranina, o que é tecnicamente incorreto — elas já estão coradas de roxo pelo cristal violeta e não incorporam o contracorante de forma visível.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação está correta. O MALDI-TOF-MS gera um espectro de massas baseado em proteínas (majoritariamente ribossomais), que é único para cada espécie — uma verdadeira "impressão digital" molecular. Esse perfil é comparado com bancos de dados de referência, permitindo a identificação rápida e precisa de microrganismos, incluindo S. aureus, em nível de espécie. É exatamente essa característica que torna a técnica valiosa na rotina microbiológica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa contém dois problemas: (1) a sigla "MALDI-TOF-WCMS" (whole-cell mass spectrometry) não é a nomenclatura padrão para a aplicação clínica descrita — o termo usual é MALDI-TOF-MS; (2) a afirmação de que a técnica detecta "biomarcadores de cepas resistentes a antibióticos" e identifica MRSA com alta sensibilidade e especificidade é enganosa. O MALDI-TOF identifica o microrganismo, mas a detecção de resistência à meticilina (MRSA) não é feita diretamente por essa técnica na rotina — requer métodos fenotípicos (cefoxitina) ou moleculares (PCR para mecA). A resistência não é um biomarcador proteico detectável de forma confiável pelo MALDI-TOF convencional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A identificação direta a partir de hemocultura com MALDI-TOF é possível e envolve lise bacteriana e extração proteica, como a alternativa descreve. No entanto, o erro está na conclusão: a técnica identifica S. aureus em nível de espécie, não apenas de gênero. O MALDI-TOF-MS é capaz de diferenciar S. aureus de outras espécies do gênero Staphylococcus (como S. epidermidis) com alta precisão, desde que o banco de dados seja adequado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O MALDI-TOF-MS não é aplicado diretamente em amostras de sangue total durante um episódio febril. A concentração bacteriana no sangue é extremamente baixa (geralmente < 10 UFC/mL) e os componentes sanguíneos (hemácias, proteínas plasmáticas) interferem no espectro de massas, inviabilizando a análise direta. A técnica é utilizada em colônias isoladas ou em frascos de hemocultura positivos (após incubação e crescimento bacteriano), quando a carga microbiana é suficiente. A alternativa superestima a capacidade da técnica em uma matriz complexa como o sangue total.